UOL Notícias Internacional
 

14/10/2008

Distorções a respeito das votações de Obama e comentários sobre as guerras

The New York Times
Larry Rohter
Como mães de soldados que foram enviados ao Iraque, tanto a governadora Sarah Palin quanto Cindy McCain acusaram na semana passado o senador Barack Obama de ter votado por não financiar as tropas americanas lá. Uma propaganda de campanha de McCain chamada "Perigoso" vai mais longe, dizendo que Obama e outros "liberais do Congresso votaram repetidas vezes por cortar os fundos para nossas tropas ativas", portanto "colocando suas vidas em maior risco".

Nas paradas de campanha, Palin também alega que Obama "também disse que nossas tropas no Afeganistão estão apenas, 'realizando ataques aéreos contra aldeias e matando civis'". Em uma entrevista para a Fox News na semana passada, ela descreveu o comentário de Obama a respeito do Afeganistão como "incauto" e disse que, no seu entender, era suficiente para "desqualificar alguém da possibilidade de ser o próximo comandante-em-chefe".

O primeiro conjunto de declarações, a respeito do Iraque, distorce o retrospecto de votação de Obama nos pedidos de financiamento da guerra de uma forma que deixa o senador John McCain aberto à mesma acusação. A segunda acusação tira fora de contexto um comentário feito por Obama, no ano passado, visando inverter seu significado, ignorando o fato de que o presidente Bush e outras autoridades americanas expressaram preocupações semelhantes.

Desde que entrou no Senado em 2005, Obama votou quase uma dúzia de vezes a favor de projetos de lei orçamentários para financiar a guerra no Iraque, apesar de ser contrário à guerra desde o início. Mas em maio de 2007 ele foi um dos 14 senadores que votaram contra uma proposta do governo Bush, porque ela não incluía um cronograma não obrigatório para retirada das tropas americanas do Iraque.

O Senado já tinha aprovado uma versão do projeto de lei estabelecendo esse prazo. Mas Bush vetou a legislação, argumentando que ele amarraria as mãos dos comandantes militares no Iraque, e então submeteu a versão revisada que acabou sendo aprovada.

"Nós temos que financiar nossas tropas", disse Obama após a segunda votação. "Mas nós devemos a elas algo mais. Nós devemos a elas um plano claro, prudente, para aliviá-las do fardo de ter que policiar a guerra civil dos outros."

Segundo a definição da campanha de McCain, Bush e o próprio McCain também poderiam ser acusados de terem defendido o corte do financiamento às tropas. McCain, o candidato republicano, perdeu a votação da versão inicial do projeto, mas o criticou publicamente e aplaudiu Bush por ter usado seu poder de veto.

"Obama votará contra uma legislação que não contiver um cronograma, e McCain votará contra uma que tiver, e ambos sabem que ela será aprovada" no final, disse Paul Rieckhoff, diretor executivo da Veteranos do Iraque e Afeganistão da América, um grupo independente de veteranos. "É assim que salsicha é feita em Washington."

Mas a propaganda de McCain afirma que Obama votou "repetidas vezes" contra o financiamento das tropas americanas, não apenas uma vez. Apesar da informação distribuída pela campanha de McCain aos repórteres listar cinco outras peças de legislação, o independente e não-partidário FactCheck.org diz que elas "eram na verdade votações para encurtar a guerra no Iraque" e que Obama não votou a favor de algumas delas.

A alegação de que a posição de Obama está "aumentando o risco" às vidas dos soldados em combate é, portanto, duvidosa. "Ambos os partidos apóiam as tropas, independente de qual seja sua posição em relação à guerra", disse Rieckhoff, notando que ambos os candidatos votaram a favor da legislação, de autoria do companheiro de chapa de Obama, o senador Joe Biden, de Delaware, para fornecer aos soldados no Iraque mais veículos protegidos contra emboscadas e resistentes a minas.

Em relação ao Afeganistão, Palin pegou uma única frase de uma crítica feita por Obama à estratégia americana naquele país e a caracterizou de forma incorreta. Como deixa claro uma transcrição dos comentários de Obama, ele não estava condenando, como ela alegou em Clearwater, Flórida, na última segunda-feira, "o que nossos corajosos homens e mulheres estão fazendo no Afeganistão", mas notando que o aumento do número de mortes de civis estava tornando a missão deles mais difícil.

"Nós precisamos cumprir nossa missão lá", disse Obama em New Hampshire, em 13 de agosto de 2007, "e isso exige que tenhamos tropas suficientes para não apenas bombardearmos aldeias do alto e matar civis, o que está causando enormes problemas lá".

Uma semana antes, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, visitou os Estados Unidos e se encontrou com Bush em Camp David. Em uma coletiva de imprensa conjunta lá, Bush reconheceu o problema da morte de civis e expressou compreensão em relação às queixas afegãs, que estavam aumentando e minando o apoio à presença americana lá.

"Eu entendo plenamente a revolta, a agonia e o sofrimento que os cidadãos afegãos sentem quando uma vida inocente é perdida", disse Bush. "Eu sei que deve causar pesar nas aldeias e muita dor nos lares."

Ele acrescentou, em uma referência a Karzai, que "o presidente expressou com razão sua preocupação com a morte de civis, e eu lhe assegurei que compartilhamos estas preocupações".

Recentemente, outras autoridades americanas reconheceram que o problema persiste, com quase metade do número em crescimento de vítimas civis neste ano sendo atribuída ao Taleban, e o restante provocado pelas forças americanas, da Otan e do governo.

"Apesar de nenhuma outra força armada ter feito mais para prevenir a morte de civis, está claro que temos que trabalhar ainda mais arduamente", disse o secretário de Defesa, Robert M. Gates, no mês passado em Cabul, expressando suas "sinceras condolências" e "pesar pessoal" pelo número de mortos. George El Khouri Andolfato

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