UOL Notícias Internacional
 

15/10/2008

Em uma geração vista como indiferente à cor, raça ainda é um fator

The New York Times
Shaila Dewan
Em Lexington, Kentucky
William Osborne, um estudante do segundo ano de ciência política pela Universidade de Kentucky e membro da atualmente toda branca divisão FarmHouse, uma fraternidade internacional, é naturalmente afável. Mas quando perguntado sobre se tinha ouvido pessoas dizerem que não votariam no senador Barack Obama por ser negro, sua voz caiu para um nível mal audível.

"Eu posso ter ouvido algo assim", ele disse.

Ao ser perguntado sobre se era difícil falar sobre o que ouviu, Osborne respondeu parando de falar e simplesmente confirmando com a cabeça, parecendo miserável.

Por toda esta campanha política, muitos comentaristas e políticos proclamaram que a juventude atual faz parte de uma geração indiferente à cor, na qual o preconceito racial recuou e a diversidade é abraçada.

Mas em dois dias de entrevistas aqui e ao norte do Rio Ohio, em Cincinnati, a maioria dos jovens reconheceu - ou até mesmo insistiu - que raça ainda era um fator poderoso, mesmo que sutil, entre seus pares.

Na Universidade de Cincinnati, Anthony Galarza, um estudante de doutorado em planejamento urbano, disse que ouve piadas raciais sobre uma presidência de Obama que sugerem que a Casa Branca se tornaria mais como "um gueto", com "churrascos no gramado da frente".

"Eu pensei que um campus universitário seria mais liberal", disse Galarza, 29 anos. "Ouvir essas coisas sendo faladas abertamente, é perturbador - realmente é. Eu não acho que alguém indiferente à cor faria comentários assim."

A importância da raça como um fator poderoso entre os jovens é apoiada por dados estatísticos. A maioria das pesquisas mostra que Obama é bem mais popular entre os eleitores mais jovens do que seu adversário republicano, o senador John McCain. Mas nas pesquisas de boca-de-urna conduzidas pela Edison/Mitofsky neste ano, os eleitores democratas mais jovens diziam que a raça foi um fator importante em seu voto tanto quanto pessoas com 30 anos ou mais. E em dois Estados - Geórgia, onde os afro-americanos dominavam entre os eleitores mais jovens, e Illinois - os eleitores mais jovens na verdade apresentavam uma maior probabilidade que os mais velhos de dizer que raça era importante.

Alguns dados também mostraram que os eleitores mais jovens apresentam uma probabilidade menor do que os mais velhos de dizer que o país está pronto para um presidente negro, apesar desses dados dificultarem dizer se os jovens são mais influenciados pela raça ou simplesmente mais realistas a respeito de seu poder. Em uma pesquisa nacional New York Times/CBS News conduzida em julho, mais de dois terços dos eleitores disseram que o país estava pronto para um presidente negro. Entre os eleitores com 30 anos ou mais, 23% discordaram, em comparação a 34% dos eleitores mais jovens.

"Há muitos estudantes que estão empolgados com a eleição, mas notei que há muitos estudantes incertos em relação a Obama", disse Kanetha Mack, uma caloura negra da Universidade de Kentucky, onde 9% dos estudantes são negros. "As pessoas não querem que ele seja presidente, porque a América está acostumada a um cristão branco. E ele é negro, então elas vão tentar fazer parecer que ele é algo que a América não quer."

Ao serem perguntados sobre a influência da raça na campanha, vários estudantes brancos nos campi tanto de Kentucky quanto de Cincinnati foram rápidos em dizer que ela ajudou Obama, mas pareciam não considerar que poderia prejudicá-lo.

Whit Chafin, 19 anos, um estudante branco do segundo ano em Kentucky e que ainda não escolheu candidato, disse: "Eu acho que tem um papel pesado, honestamente, porque Obama explora bastante esse lado. Eu fui a um colégio onde eu era basicamente uma minoria. Todos ali eram pró-Obama."

Adam French, 21 anos, um aluno branco do último ano e que apóia McCain, disse: "Seria interessante considerar se um John Smith, um sujeito branco do Texas, tivesse as mesmas credenciais de Barack Obama, se ele estaria na mesma posição de concorrer. Eu não acho que alguém com as credenciais dele poderia sequer chegar perto de uma chapa presidencial" sem ser negro.

French é o presidente da divisão da FarmHouse, onde todos apóiam McCain, exceto um. A exceção é Kevin Mattingly, que disse que seus pais, produtores de leite, eram democratas e que estava inclinado para Obama.

"Eu não tenho nenhum problema com um presidente negro", ele disse. "Eu acho que seria ótimo, porque muitos dos estereótipos que as pessoas vêem nos negros, eu não acho que Obama os tenha." George El Khouri Andolfato

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