UOL Notícias Internacional
 

15/10/2008

Friedman: Por que como importa

The New York Times
Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
Eu tenho um amigo que me recorda regularmente que se você saltar do alto de um prédio de 80 andares, por 79 andares você poderá pensar que está voando. É a parada repentina no final que sempre é o problema.

Quando eu penso no boom, bolha e estouro dos serviços financeiros pelos quais os Estados Unidos passaram, eu freqüentemente penso nesta imagem. Nós achávamos que estávamos voando. Bem, nós acabamos de nos deparar com a parada repentina no final. As leis da gravidade ainda se aplicam. Não é possível dizer a dezenas de milhares de pessoas que elas podem ter o sonho americano - uma casa, sem a necessidade de dar uma entrada e sem precisar pagar nada por dois anos - sem que isso em algum momento se volte contra você. A ética puritana de trabalho árduo e poupar ainda importa. Eu apenas odeio a idéia de que esta ética esteja mais viva hoje na China do que na América.

Nossa bolha financeira, como todas as bolhas, tem muitos cabos complexos que a alimentam - chamados derivativos e swaps de crédit o- mas no coração, é realmente muito simples. Nós nos afastamos do básico - dos fundamentos do emprestar e tomar emprestado prudente, onde o mutuário e mutuante mantêm um tipo de responsabilidade pessoal, e interesse pessoal, sobre se a pessoa que recebe o dinheiro pode de fato pagá-lo. Em vez disso, nós caímos no tipo de empréstimo "você sumirá e eu sumirei" antes que vença a conta.

Sim, esta bolha se trata de nós - nem todos nós, já que muitos americanos eram pobres demais para participar. Mas a respeito de um número suficiente de nós para dizer que se trata dos Estados Unidos. E nós não sairemos disto sem voltar em parte ao básico, o motivo para me ver relendo um livro valioso sobre o qual já escrevi antes, chamado "How: Why How We Do Anything Means Everything in Business (and in Life)" (como: por que como fazemos algo significa tudo nos negócios e na vida). Seu autor, Dov Seidman, é o presidente-executivo da LRN, que ajuda empresas a desenvolverem culturas corporativas éticas.

Seidman basicamente argumenta que em nosso mundo hiperconectado e transparente, como fazemos as coisas importa mais do que nunca, porque muito mais pessoas agora podem ver como fazemos as coisas, ser afetadas por como fazemos as coisas e dizer aos outros pela Internet a qualquer momento, sem custo e sem restrição, como fazemos as coisas.

"É um mundo conectado", me disse Seidman, "países, governos e empresas também têm caráter, e seu caráter - como fazem o que fazem, como mantêm promessas, como tomam decisões, como as coisas realmente acontecem internamente, como se conectam e colaboram, como transmitem confiança, como se relacionam com seus clientes, com o meio ambiente e com as comunidades nas quais atuam- agora é seu destino".

Nós nos afastamos desses "comos". Nós nos tornamos mais conectados do que nunca nos últimos anos, mas as conexões eram na verdade muito frouxas. Isto é, nós nos afastamos de um mundo no qual se você quisesse uma hipoteca para comprar uma casa, você precisava apresentar uma renda real e um histórico de crédito, para um mundo onde um banqueiro poderia lhe vender uma hipoteca e ganhar uma bolada adiantada e então repassar sua hipoteca para um empacotador que reuniria várias, as picaria em títulos e as venderia para alguns bancos em lugares distantes como a Islândia.

O banco que ofereceu a hipoteca se afastou de como porque apenas repassava você para um empacotador. E o banco de investimento que juntava essas hipotecas se afastou do como porque não conhecia você, mas sabia que era lucrativo misturar sua hipoteca com a de outros. E a agência de classificação de crédito se afastou do "como" porque havia tanto dinheiro a lucrar ao dar boas classificações a estes títulos, então por que ir mais a fundo? E o banco da Islândia se afastou do como porque, ei, todo mundo está comprando isso e o retorno é excelente - então por que não?

"O lema do banco UBS é: 'Você e nós'. Mas o mundo que criamos era na verdade 'Você e ninguém' - ninguém estava realmente ligado em termos de valor", disse Seidman. "Partes de Wall Street se desconectaram do investimento no empreendimento humano - ajudar empresas a crescer e explorarem novas idéias." Em vez disso, elas começaram a obter dinheiro a partir do dinheiro. "Logo, alguns dos presidentes-executivos mais inteligentes não sabiam o que algumas de suas pessoas mais inteligentes estavam fazendo."

Charles Mackay escreveu uma história clássica de crises financeiras chamada "Ilusões Populares e a Loucura das Massas", lançado em Londres em 1841. "Dinheiro freqüentemente é a causa da ilusão das multidões. Países sóbrios se tornaram todos ao mesmo tempo apostadores desesperados, e quase colocaram em risco sua existência por causa de um pedaço de papel. Traçar a história da mais proeminente dessas ilusões é objeto destas páginas. Os homens, já foi dito, pensam como rebanho; já foi mostrado que enlouquecem em rebanho, apesar de apenas recuperarem seus sentidos lentamente, um a um."

E o mesmo acontece conosco. Nós precisamos voltar a colaborar do modo antigo. Isto é, pessoas tomando decisões com base em julgamento profissional, experiência, prudência, clareza de comunicações e pensamento sobre como - e não apenas quanto. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,73
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,00
    65.010,57
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host