UOL Notícias Internacional
 

16/10/2008

McCain pressiona Obama no último e incisivo debate

The New York Times
Jim Rutenberg
O senador John McCain usou o último debate da campanha presidencial, na noite de quarta-feira, para levantar questões persistentes e incisivas a respeito do caráter do senador Barack Obama, seu julgamento e prescrições políticas em uma sessão que foi, de longe, a mais vigorosa e combativa de seus encontros recentes.

Às vezes exibindo uma raiva evidente e em outros momentos uma determinação metódica na apresentação de seus argumentos, McCain pressionou seu rival democrata a respeito de impostos, gastos, tom da campanha e sua associação com o ex-líder do grupo Weather Underground, William Ayers, usando cada argumento à sua disposição em um esforço para alterar o curso de uma disputa que cada vez mais se inclina em prol de Obama.

Mas Obama manteve uma postura plácida e às vezes perplexa - mesmo que às vezes parecesse estar trabalhando nisso - enquanto se defendia dos ataques e pressionava sua linha de ataque consistente de que McCain representaria uma continuidade das políticas impopulares do presidente Bush, especialmente na economia.

Isto estabeleceu o fundo de uma das discussões mais contundentes da noite, quando, em resposta à declaração de Obama de que McCain apoiou repetidamente as políticas econômicas de Bush, McCain saltou de sua cadeira e disse: "Senador Obama, eu não sou o presidente Bush. Se você queria concorrer contra o presidente Bush, você deveria ter concorrido há quatro anos".

Reconhecendo que McCain tinha suas diferenças em comparação a Bush, Obama ainda assim disse: "O fato é que, se eu ocasionalmente confundo suas políticas com as políticas de George Bush, é porque nas questões econômicas centrais que importam para o povo americano - em política tributária, em política energética, em prioridades de gastos - você tem sido um defensor vigoroso do presidente Bush".

O debate tratou de uma ampla variedade de questões domésticas, incluindo aborto, nomeação de juízes e mudança climática, assim como a economia, com os candidatos freqüentemente deixando claras as profundas diferenças entre eles.

Mas também exibiu os dois temperamentos muito diferentes dos candidatos a menos de três semanas da eleição. Obama manteve seu comportamento em grande parte imperturbável, permanecendo calmo, mesmo que um tanto professoral, enquanto McCain foi mais emotivo, talvez buscando exibir paixão, mas às vezes parecendo inconsistente em seu tom e correndo o risco de passar a imagem de raivoso.

Sentados lado a lado tendo o único moderador, Bob Schieffer, da CBS News, entre eles no palco da Universidade Hofstra, McCain deixou claro desde o início que seguiria as prescrições de muitos de seus apoiadores - entre eles sua companheira de chapa, a governadora do Alasca, Sarah Palin - e tentar colocar Obama na defensiva e buscar retirá-lo de seu estilo firme de debate.

Fazendo uso de um encontro com um eleitor em Ohio nesta semana - Joe Wurzelbacher, um encanador - que disse a Obama que temia que suas políticas de impostos o puniriam como dono de pequena empresa, McCain disse: "Toda a premissa por trás dos planos do senador Obama é a guerra de classes - vamos distribuir a riqueza", disse McCain.

"Por alguém iria querer fazer isso - qualquer um na América - em meio a tamanha dificuldade, quando pequenos empresários como Joe, o Encanador, buscam criar empregos enquanto você tira dinheiro deles e distribui a riqueza", disse McCain.

O encanador foi mencionado direta ou indiretamente 24 vezes durante o debate, um homem comum que virou símbolo da divisão entre os candidatos e como melhor tratar da economia.

Como fez em encontros anteriores, Obama olhou diretamente para câmera e repetiu seu plano:

"Bem, a conversa que tive com Joe, o Encanador, o que eu essencialmente disse para ele foi, há cinco anos, quando você estava em posição de comprar sua empresa, você precisava de uma redução de impostos naquele momento. E o que quero fazer é assegurar que o encanador, a enfermeira, o bombeiro, a professora, o jovem empreendedor que ainda não dispõe do dinheiro, eu quero lhes dar uma redução de impostos agora."

Em um dia em que o índice Dow Jones apresentou sua segunda pior queda na história, Schieffer tentou algo que outros moderadores fracassaram em fazer nas últimas semanas: fazer com que os dois candidatos enumerassem que propostas teriam que adiar ou descartar diante do ambiente econômico que mudou drasticamente desde que elaboraram seus planos.

Nenhum dos dois foi muito longe, apesar de McCain talvez ter oferecido uma lista mais detalhada. Repetindo sua promessa de uma redução de gastos geral, McCain disse: "Bem, um deles seria o programa de assistência ao comércio. Outro seria vários subsídios ao etanol".

Obama, por sua vez, citou especificamente o "US$ 15 bilhões por ano em subsídios para seguradoras", um componente do programa Medicare, o programa de assistência médica a idosos e incapacitados. Mas ele disse de modo mais geral que "nós precisamos eliminar uma série de programas que não funcionam, e quero rever o orçamento federal linha por linha, página por página. Os programas que não funcionam, nós devemos cortar".

Ainda assim, apesar de que o vencedor desta eleição herdará a maior intervenção federal nos mercados financeiros em pelo menos três gerações, o debate, mesmo que não carente de discussões de políticas, finalmente envolveu os estilos dos dois homens enquanto discutiam.

O tom da noite foi capturado pela imagem da tela dividida entre Obama, se esforçando para manter a compostura durante ataques às vezes contundentes, e McCain, parecendo enrolado e irritado, ocasionalmente respirando fundo, aparentemente em uma expressão de impaciência.

Nos dias que antecederam o debate, Obama pareceu ter incitado McCain, ao dizer em uma entrevista para a ABC News que não sabia por que McCain não mencionou pessoalmente a associação de Obama com Ayers, com quem ele serviu em dois conselhos de organizações sem fins lucrativos, em seu debate anterior, considerando que a campanha de McCain o fazia repetidamente nas últimas semanas.

E havia uma certa expectativa sobre se McCain o faria desta vez. Ele o fez, apesar de apenas após um certo estímulo de Schieffer, que, em uma pergunta sobre o tom da campanha dirigida a ambos os candidatos, perguntou especificamente a McCain: "Sua companheira de chapa disse que ele anda com terroristas".

Inicialmente, McCain não tratou do assunto diretamente.

McCain parecia visivelmente ferido quando falou sobre os comentários incendiários do deputado John Lewis, democrata da Geórgia e líder dos direitos civis, que recentemente acusou a campanha de McCain de estabelecer um tom semelhante ao de George Wallace, o falecido governador segregacionista do Alabama. McCain tinha citado previamente Lewis como alguém do outro partido que consultaria como presidente.

"O congressista John Lewis, um herói americano, fez alegações de que Sarah Palin e eu estivemos de alguma forma associados ao pior capítulo da história americana: segregação, mortes de crianças e atentados a bomba contra igrejas, George Wallace", disse McCain. "Isso, isso foi muito doloroso para mim. E senador Obama, você não repudiou estes comentários."

Quando Obama respondeu citando um recente estudo feito pelo Projeto de Propaganda da Universidade de Wisconsin, dizendo que "100%, John, de suas propagandas, 100% delas foram negativas", McCain, negando isso, disse: "Eu não ouvi um repúdio aos comentários do congressista Lewis".

Obama respondeu dizendo que Lewis estava respondendo ao "que estava ouvindo em alguns dos comícios realizados por sua companheira de chapa, no qual todas as reportagens indicavam que, quando meu nome era citado, eram gritadas coisas como 'terrorista' e 'matem ele'".

Com McCain tentando se intrometer para repetir o que Lewis disse sobre sua campanha, Obama acrescentou: "Eu acho que ele traçou uma comparação imprópria entre o que estava acontecendo lá e o que aconteceu durante o movimento dos direitos civis. E nós fizemos imediatamente uma declaração".

Mas enquanto Schieffer parecia preparado para passar para outro assunto, McCain retornou a Ayers por conta própria. McCain parecia muito agitado naquele momento, dizendo: "Eu não me importo com um velho terrorista fracassado. Mas como a senadora Clinton disse em seus debates com você, nós precisamos saber a extensão plena desse relacionamento. Nós precisamos saber a extensão plena do relacionamento do senador Obama com a ACORN (Associação das Organizações Comunitárias para Reforma Já), que agora está prestes a talvez perpetrar uma das maiores fraudes eleitorais neste país, talvez destruindo o tecido da democracia".

Ele se referia a um grupo comunitário ativista que se concentra em questões habitacionais e tem realizado esforços para registro de eleitores em muitos Estados e que têm atraído acusações de fraude. George El Khouri Andolfato

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