UOL Notícias Internacional
 

18/10/2008

Campanha de McCain usa telefonemas automáticos para atacar Obama

The New York Times
Patrick Healy
Jo Becker
Eleitores em pelo menos 10 Estados indefinidos estão recebendo centenas de milhares de chamadas telefônicas automatizadas -uniformemente negativas e às vezes mentirosas- financiadas pela campanha de McCain e pelo Partido Republicano enquanto lutam para impedir que mais Estados sejam conquistados pelos democratas.

O senador John McCain, o candidato presidencial republicano, condenou esses telefonemas no passado: nas primárias de 2000, ele foi alvo de telefonemas mentirosos que incluíam insinuações sobre sua família, e as culpou em parte por sua derrota para George W. Bush. Em janeiro deste ano, na Carolina do Sul, McCain também descreveu os telefonemas contra ele como "coisas indecentes", e sua campanha montou um esquadrão da verdade para denunciá-las.

Na sexta-feira, uma autoridade eleita democrata em Minnesota disse ter recebido um desses chamados "telefonemas robôs" - este contendo uma pessoa ao vivo- e o rastreou até uma empresa de um proeminente consultor republicano, Jeff Larson. Segundo os noticiários, Larson e sua antiga firma ajudaram a desenvolver os telefonemas em 2000 que visavam McCain e foram condenados por este.

Um porta-voz da campanha de McCain não disse na noite de sexta-feira se ela mantinha contrato com a atual empresa de Larson, a FLS Connect. Larson não respondeu aos contatos telefônicos feitos na sexta-feira, nem uma empresa subcontratada, a King TeleServices, que é aquela que está fazendo as ligações de fato aos eleitores em Minnesota.

O democrata de Minnesota, Christopher Shoff, um comissário em Freeborn County, disse que o telefonema gravado descrevia Obama como colocando "Hollywood acima da América" por ter participado de um evento para arrecadação de fundos em Beverly Hills, horas depois de o governo federal ter assumido o controle da seguradora American International Group Inc. (AIG). O telefonema foi noticiado primeiro pelo "Huffington Post".

"É uma forma repulsiva de campanha negativa - telefonar aleatoriamente para as pessoas em uma lista computadorizada, durante a hora do jantar, e recitar uma mensagem mentirosa", disse Shoff em uma entrevista. "Os republicanos deveriam falar sobre assuntos sérios."

Tucker Bounds, um porta-voz da campanha de McCain, disse que a mensagem gravada de "Hollywood" era baseada em fato. "Eu diria que essas mensagens são baseadas em fatos que os eleitores americanos deveriam considerar", disse Bounds.

Outro porta-voz de McCain, Brian Rogers, disse que os telefonemas feitos neste ano são diferentes daqueles voltados contra McCain em 2000, porque são "100% verdadeiros". Ele acrescentou que é "loucura" comparar estes telefonemas aos de 2000, que buscavam prejudicar McCain ao descrever a "filha inter-racial" dos McCain - uma referência à filha de Bangladesh que os McCain adotaram.

Ben LaBolt, um porta-voz da campanha de Obama, disse que o uso por McCain de telefonemas automatizados durante esta campanha mostra "quanto o senador McCain mudou de lá para cá, ao adotar não apenas as políticas do presidente Bush, mas também suas táticas".

A campanha de Obama estava colocando uma ferramenta em seu site na Internet na sexta-feira, chamada de "Combata a Difamação", que pede aos apoiadores que informem as chamadas telefônicas automatizadas para permitir que a campanha responda.

LaBolt disse inicialmente na sexta-feira que a campanha de Obama não faria nenhuma chamada telefônica automatizada "no momento". Logo depois, ele pediu para que seu último comentário fosse mudado, declarando: "O foco de todas as nossas comunicações é sobre a direção em que o senador Obama conduzirá o país, e nas diferenças entre as políticas dos candidatos em questões como o atendimento de saúde".

LaBolt não respondeu após ser perguntado duas vezes por e-mail se a campanha de Obama estava atualmente empregando telefonemas automatizados.

Estas chamadas são uma forma relativamente barata de atingir um grande número de eleitores em um curto espaço de tempo. Uma análise mostra que os atuais telefonemas da campanha de McCain são uniformemente negativos e às vezes enganadores.

A campanha por telefone repete temas familiares que há meses são explorados pela campanha, se concentrando nas associações de Obama no passado e buscando retratá-lo como amigo de radicais e celebridades liberais de Hollywood.

Em uma mensagem gravada amplamente noticiada, McCain aumenta a ligação de Obama com Bill Ayers, um fundador do grupo radical Weather Underground dos anos 60. "Você precisa saber que Barack Obama trabalhou estreitamente com o terrorista doméstico Bill Ayers", diz uma voz gravada.

Obama, 47 anos, e Ayers, atualmente um professor de pedagogia de 63 anos da Universidade de Chicago, serviram juntos em dois conselhos de entidades filantrópicas da cidade e no conselho diretor de um projeto de educação chamado Chicago Annenberg Challenge, mas isso ocorreu décadas após os dias de Ayers no Weather Underground. A relação entre os dois homens foi descrita como sendo amistosa, mas longe de ser estreita.

William C. Ibershof, o principal promotor federal no caso dos Weathermen, disse recentemente estar "ultrajado" com o fato de Obama estar sendo manchado com a associação, e acrescentou que está "satisfeito por saber que o sr. Ayers se tornou um cidadão responsável".

A chamada de "Hollywood", por sua vez, afirma que "no mesmo dia em que nossos líderes eleitos se reuniam em Washington para lidar com a crise financeira, Barack Obama passou apenas 20 minutos com assessores econômicos, mas horas com celebridades em um evento para arrecadação de fundos em Hollywood".

A informação se baseia em uma reportagem de jornal de 16 de setembro, quando o governo assumiu o controle do AIG, em um resgate de US$ 85 bilhões. Obama participou de uma recepção naquela noite em Beverly Hills, que contou com a participação de astros como Barbara Streisand e Leonardo DiCaprio, após ser atualizado por 20 minutos por assessores econômicos.

Mas LaBolt disse que a agenda de Obama naquele dia também mostra que ele foi atualizado pelos assessores mais duas vezes e falou diretamente com o secretário do Tesouro, Henry M. Paulson, e com o presidente do Federal Reserve (o banco central americano), Ben Bernanke.

McCain também não estava em Washington no dia em que Obama estava em Beverly Hills; ele estava fazendo campanha em Ohio. A campanha de Obama notou que McCain também arrecadou dinheiro em Hollywood.

Os eleitores da Carolina do Norte também receberam telefonemas acusando Obama de oposição à legislação visando proteger fetos abortados que exibem sinais de vida, uma posição que o telefonema chama de "em conflito até mesmo com John Kerry e Hillary Clinton... por favor, vote em candidatos que compartilham nossos valores".

A medida de 2003 em Illinois que teve a oposição de Obama era virtualmente idêntica à legislação federal que o presidente Bush sancionou em 2002, após ser aprovada pelo Congresso. Mas Obama e outros oponentes do projeto de Illinois disseram que o Estado já contava com uma lei protegendo os fetos abortados nascidos com vida. A Sociedade Médica Estadual de Illinois, que também era contrária è lei, disse que o projeto de lei aumentaria os processos civis contra médicos e interferiria na relação deles com os pacientes. George El Khouri Andolfato

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