UOL Notícias Internacional
 

18/10/2008

Com grande vantagem nas propagandas, Obama se aproxima de um recorde

The New York Times
Jim Rutenberg
Na Filadélfia
O senador Barack Obama está a poucos dias de quebrar o recorde de US$ 188 milhões gastos em propaganda, estabelecido pelo presidente Bush na campanha da eleição de 2004, ao lançar uma campanha de propaganda de uma escala e complexidade sem igual na era da televisão.

Com propagandas exibidas repetidamente dia e noite, em emissoras locais e pelas grandes redes de televisão, em canais a cabo e até mesmo em videogames e em seus próprios canais dedicados por satélite, Obama atualmente supera nacionalmente o senador John McCain em uma proporção de quatro para um, segundo o Cmag, um serviço que monitora a propaganda política. A diferença é ainda maior nos vários Estados mais disputados.

A imensa diferença só é possível devido à decisão de Obama de abrir mão do sistema federal de financiamento de campanha, que dá aos candidatos presidenciais um dólar para cada dólar que arrecadam, mas limita a US$ 84 milhões a quantia que podem gastar entre a convenção do partido e o dia da eleição. McCain está participando do sistema.

Obama, que a certa altura prometeu que também participaria, deverá anunciar nos próximos dias que arrecadou mais de US$ 100 milhões apenas em setembro, um número que quebraria os recordes anteriores de arrecadação mensal de fundos.

"Este é um território não mapeado", disse Kenneth M. Goldstein, diretor do Projeto de Propaganda da Universidade de Wisconsin. "Nós certamente já vimos batalhas pesadas de propaganda. Mas nunca vimos tamanha vantagem de um dos lados em uma disputa presidencial."

Apesar da decisão de Obama de abrir mão do fundo federal - e dos limites que o acompanham- ter lhe dado uma vantagem de gastos por toda a eleição, seu predomínio na televisão ficou mais evidente nas últimas semanas, com a ampla compra de horários de televisão que lhe permitiu afogar a campanha de McCain com linhas simultâneas de mensagens positivas e negativas.

As propagandas de Obama ocorrem enquanto os republicanos iniciam uma blitz de chamadas telefônicas automatizadas atacando o candidato democrata.

A abordagem de propaganda da campanha de Obama -que inclui propagandas de até dois minutos de duração nas quais Obama expõe positivamente sua agenda e até mesmo propagandas em videogames como "Guitar Hero"- ajuda a mascarar alguns dos ataques mais duros de Obama ao seu rival.

"O que Obama está fazendo é ser o seu próprio policial bonzinho e policial malvado", disse Evan Tracey, o diretor operacional chefe do Cmag, que considera a guerra de propaganda extremamente a favor de Obama.

A disparidade causa frustração a McCain, que trocou acusações com Obama por causa da batalha de propaganda durante o debate desta semana, com Obama dizendo a McCain, "suas propagandas, 100% delas são negativas", e McCain dizendo que "o senador Obama gastou mais dinheiro em propaganda negativa do que qualquer campanha política na história".

A mais recente análise das propagandas da campanha presidencial, divulgada pela Universidade de Wisconsin antes do debate - com base no período de uma semana entre 28 de setembro e 4 de outubro- apontou que as propagandas de McCain foram "quase 100% negativas", enquanto as propagandas de Obama foram apenas 34% negativas, com as demais mais concentradas em promover a agenda de Obama.

Este resultado refletia a estratégia da campanha de McCain de tentar tornar Obama uma opção inaceitável aos olhos dos eleitores indecisos, e a meta de Obama de deixar os eleitores indecisos à vontade com ele.

Mas o Projeto de Propaganda de Wisconsin disse que, no geral, como Obama obteve a indicação democrata em junho, 54% das propagandas de McCain foram completamente voltadas a atacá-lo, cerca de um quarto misturava críticas a Obama com mensagens positivas sobre McCain, e 20% foram dedicadas exclusivamente a promover o candidato republicano.

Durante o mesmo período, o estudo revelou que 41% das propagandas de Obama foram dedicadas exclusivamente a atacar McCain; um quinto apresentava uma mistura de críticas a McCain e mensagens positivas sobre Obama, e 38% eram exclusivamente dedicadas a promover Obama.

Os percentuais não refletem o número amplamente maior de propagandas veiculadas por Obama. Mas Goldstein disse que McCain até o momento exibiu um número maior de propagandas puramente negativas do que Obama, apesar da vantagem de gastos do democrata. Aqui na Filadélfia, o maior mercado de mídia em um Estado disputado chave, ambos os candidatos mostraram uma mistura de propagandas positivas e negativas ao longo do dia. Elas parecem aparecer tão regularmente quanto a lagartixa da seguradora Geico ou os adoráveis fracassados da FreeCreditReport.com.

Durante o programa "Doctor Phil" na afiliada da CBS daqui, Obama apresentou uma propaganda positiva de um minuto recontando "uma de minhas lembranças mais antigas: ir com meu avô ver alguns dos astronautas sendo trazidos de volta após o pouso no mar, sentado nos ombros dele e acenando uma pequena bandeira americana".

Mas, minutos antes, durante o noticiário de fim de tarde na retransmissora da NBC, Obama atacava McCain por um plano para a saúde que o locutor alegava que "pode deixar você pendurado por um fio".

Ao final do noticiário das 16h na emissora local da CBS, McCain exibiu uma de suas raras propagandas puramente positivas, falando diretamente para a câmera e dizendo aos telespectadores: "Os últimos oito anos não funcionaram muito bem, não é?" Ele então promete: "Eu tenho um plano para uma nova direção para a economia".

Mas, na afiliada local da NBC, uma propaganda aprovada por McCain associava Obama a Tony Rezko, um empreendedor imobiliário de Chicago condenado por fraude e que é listado entre os amigos que Obama supostamente recompensaria "com os dólares dos seus impostos".

Essa propaganda foi co-patrocinada pelo Comitê Nacional Republicano, que é autorizado a dividir metade dos custos com McCain em um número ilimitado de propagandas, o ajudando a dobrar o número de propagandas que pode comprar.

McCain tem usado essas propagandas para acompanhar o ritmo da propaganda de Obama em cidades vitais como esta, onde as campanhas combinaram gastar mais durante a eleição geral. Mas essas propagandas têm uma limitação: elas devem incluir uma referência a líderes ou questões do Congresso, tornando a mensagem menos direta.

A propaganda sobre Rezko também exibe imagens da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e do deputado Barney Frank.

Mas para cada cidade como a Filadélfia, em um Estado que McCain considera importante para suas chances de vitória em novembro, há cidades como Miami, Washington e Chicago, onde Obama freqüentemente exibe propagandas quase sem oposição. Washington e Chicago são particularmente caras, e Obama vencerá facilmente em ambas. Mas suas emissoras atingem partes de Estados em disputa, como Indiana e Virgínia.

McCain também está obtendo alguma ajuda da unidade independente de propaganda do Partido Republicano, mas não pode coordená-la com a liderança do partido ou com sua campanha, o que significa que suas mensagens nem sempre estão em sintonia.

E vários grupos estão veiculando propagandas de ataque contra Obama nos Estados, mas ele dispõe de dinheiro para responder imediatamente a estes ataque com propagandas de defesa que tratam diretamente das acusações.

Atualmente gastando o máximo que pode nos mercados locais de televisão, Obama aumentou sua propaganda em redes nacionais de televisão -incluindo os intervalos de novelas e jogos de futebol americano- que atingem todos os Estados.

"Eles partiram para as redes porque saturaram os mercados locais e agora estão à procura de mais tempo", disse Tracey, do Cmag.

No último domingo, Obama comprou bastante espaço nos jogos de futebol americano e no programa "60 Minutes" da CBS que, segundo o Cmag, representou um gasto de US$ 6,5 milhões em um dia, enquanto McCain gastou menos de US$ 1 milhão.

Com base em seus gastos atuais, o Cmag prevê que a propaganda de Obama na eleição geral ultrapassará no início da próxima semana os US$ 188 milhões gastos por Bush em sua campanha de 2004. McCain gastou até o momento US$ 91 milhões em propaganda. George El Khouri Andolfato

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