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18/10/2008

Turquia, Áustria e Japão conquistam assentos no Conselho de Segurança da ONU

The New York Times
Neil MacFarquhar
Graham Bowley
Turquia, Áustria e Japão conquistaram assentos não permanentes no Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira (17/10), derrotando a Islândia e o Irã nas eleições na Assembléia Geral.

A Turquia e a Áustria venceram a Islândia na disputa pelos dois assentos rotativos reservados para o bloco europeu. A Islândia tinha feito um forte lobby, apesar de sua crise financeira levantar questões sobre sua candidatura. A Turquia obteve 151 votos e a Áustria 133, superando na primeira rodada de votação os 128 votos exigidos para se obter a maioria de dois terços dos 192 votos.

Na disputa para a única vaga rotativa disponível para a Ásia, o Japão derrotou facilmente o Irã com 158 votos contra 32.

Eles se unem à Uganda, pela África, e ao México assumindo cinco vagas não permanentes do Conselho de Segurança de 15 assentos, para as sessões do biênio de 2009 e 2010.

A eleição para o Conselho de Segurança é altamente disputada. Enquanto os membros reclamam da decrescente relevância do Conselho de Segurança, criado na Segunda Guerra mundial, cada vez mais nações procuram exercer a influência obtida com um assento na mesa em formato de ferradura que é um ícone do conselho.

O dia da votação é um dos poucos no calendário da organização em que o ambiente da ONU se torna eletrizado, e todo mundo aparece. Os candidatos devem obter a maioria de dois terços entre as nações votantes para conquistar um assento.

É um momento de lobby intenso dos candidatos, e os resultados nem sempre são previsíveis. A maior parte dos embaixadores superestima o número de votos que receberão, por que todo mundo promete votar neles.

As regiões tentam criar um consenso em torno de um candidato para evitar a uma campanha desgastante. A Uganda foi nomeada para o assento da África deste ano e o México pela América Latina. A maior parte dos diplomatas já esperava que o Japão venceria com facilidade a disputa pela vaga da Ásia.

O Irã, contudo, argumentou que merecia a vaga, pois não participa do conselho desde 1956, enquanto o Japão serviu nove vezes, a última em 2006.

Os diplomatas disseram que o Irã tinha poucas chances, observando que há um impasse do país com o conselho sobre a questão nuclear, com três rodadas de sanções pesando sobre o Irã. Ninguém queria repetir a experiência da Ruanda no início dos anos 90, quando usou seu assento para impedir resoluções contra a violência no país.

O Irã fez uma campanha discreta. Apesar da probabilidade de uma derrota humilhante, o país recusou-se a retirar-se da cédula por insistência do presidente Mahmoud Ahmadinejad, disseram diplomatas.

A intenção de concorrer a uma vaga é freqüentemente anunciada uma década antes. É um pouco como candidatar-se para uma escola de prestígio: você tem que provar que é um bom candidato. Na ONU, isso significa, em primeiro lugar, demonstrar um interesse ativo na paz e em questões de segurança. (A Turquia contribui com pessoal para operações de paz em quatro países.)

Em segundo lugar, o país precisa mostrar que está trabalhando para melhorar o ambiente e aliviar a pobreza. (O material da Islândia tinha retratos de estudantes do terceiro mundo que freqüentam seu programa de treinamento e geotermal).

No entanto, eventos inesperados podem criar turbulências em torno de campanhas cuidadosamente orquestradas. Veja o caso da Islândia e sua crise financeira. Ele entrou para ONU em 1946, mas somente decidiu entrar para a votação dos estados nórdicos no Conselho de Segurança em 1998.

Os outros candidatos também tiveram problemas. Partidos de extrema-direita anti-imigrantes da Áustria conquistaram quase um terço dos votos nas eleições parlamentares de setembro. O embaixador Gerhard Pfanzelter tinha tentado combater os questionamentos observando que Áustria tem um compromisso histórico com a ONU, hospedando organizações importantes, como a Agência de Internacional Energia Atômica, e servindo como ponte entre nações combativas desde a guerra fria.

A última vez que a Turquia participou do Conselho de Segurança foi em 1961. O embaixador Baki Ilkin argumentou que era a hora da Turquia e que sua posição geográfica e sua interseção entre o Oriente Médio turbulento, o Cáucaso turbulento e os Bálcãs turbulentos a tornava ideal para dar sensibilidade regional às importantes deliberações do conselho.

Todos os países têm direito a voto, portanto nenhum foi considerado pequeno demais para fazer lobby. Nauru, Tuvalu e Palau tiveram o mesmo peso que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, China, Rússia, Reino Unido e França - que nunca têm que concorrer. Deborah Weinberg

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