UOL Notícias Internacional
 

19/10/2008

Ainda é verdade: viva de acordo com seus meios

The New York Times
M.P. Dunleavey
Já é bastante devastador ouvir sobre a crise financeira mundial, e assistir às instituições ruírem e aos investidores em pânico daqui da arquibancada não é exatamente um piquenique.

Inúmeros americanos estão agora lidando com uma crise de natureza pessoal. Eles estão pasmos com a rapidez com que a crise em Wall Street está se derramando sobre suas próprias vidas e carteiras. E muitos não têm a menor idéia sobre como lidar com isso, agora que as medidas habituais parecem não funcionar.

"É assustador", disse Andrew Hamersley, pastor espiscopal em Westfield, Nova Jersey. "Ouço muitas pessoas dizerem que não podem se aposentar quando querem". Ele se preocupa com os fiéis que estão perdendo o emprego, e com as pessoas que tiram dezenas de milhares de dólares dos bancos e escondem em casa.

A ansiedade chegou ao pico - e parece ser contagiosa. "Conscientemente evito abrir o e-mail", admitiu Hamersley, para não ver seus próprios depósitos de aposentadoria. "Não quero olhar".

Em pequenas doses, a ansiedade pode atuar como um empurrão, um toque de despertar que impulsiona as pessoas a superarem a inércia e agirem.
Mas essa crise é tão complexa e confusa que parece ter pressionado muitos para além do limite, num estado semelhante à desesperança. "É como o 12 de setembro", diz Amanda Clayman, terapeuta financeira de Nova York. "As pessoas sabem que o mundo mudou, mas ninguém sabe exatamente como."

"Sinto-me nervosa", diz Robin Bruck-Tanner, ex-diretora assistente no Departamento de Educação da Cidade de Nova York. Bruck-Tanner, de 55 anos, estava planejando retirar sua pensão no ano que vem, mas agora ela questiona se essa é a atitude correta.

Ela e o marido se aposentaram cedo para mudar para o norte do Estado.
O casal começou um negócio de cerâmica chamado Loving Earth Studio, em Arkville. Seus investimentos eram de um montante que tornava a mudança viável, desde que eles vivessem de forma modesta. "Agora estamos nos perguntando, será que fomos tontos de deixar nossos empregos tão cedo?", diz Bruck-Tanner.

Ela disse que eles estão tentando restaurar sua estabilidade financeira, mas ela não tem certeza se vale à pena juntar uma grande poupança - um seguro financeiro pessoal. "Estou estocando comida e outras coisas", diz ela. "Sinto que o dinheiro está perdendo o valor.

Prefiro usar o meu dinheiro para comprar coisas de que precisamos". É estranho que numa época de tamanho caos financeiro e emocional, algumas das regras de ouro das finanças pessoais - guarde mais, gaste menos, invista a longo prazo - sejam aparentemente subestimadas.

John Hoina, podólogo de Bethpage, Nova York, disse que não vê nenhuma razão para guardar dinheiro. "Eu gostaria de ter mais reservas. Mas eu olho para meus investimentos e penso, meu Deus, todo o dinheiro guardado se foi". Apesar de querer tirar seu dinheiro do mercado, isso parece ainda mais sem sentido. "Se eu retirar, vou ter prejuízo e além de tudo serei penalizado. Então sou obrigado a esperar."

Eu simpatizo com ele. Estou paralisado (e descrente) como todo mundo nesse momento - e lutei contra alguns impulsos não tão nobres de retirar o dinheiro de minha Roth IRA [conta de aposentadoria individual] e abrir uma linha de crédito para minha casa, enquanto ainda posso conseguir uma. Mas estou preocupado com o declínio aparente das regras financeiras básicas.

Se eu aprendi alguma coisa, é que quando qualquer tipo de névoa fiscal-emocional nos atinge, você pode se tornar o seu pior inimigo.

Há evidências demais, comportamentais e até mesmo neurológicas, de que nós humanos somos os agentes econômicos mais irracionais, um fato que não está ajudando ninguém nesse momento.

Então se você estiver sentado na arquibancada durante a Grande Espera, como um amigo chama esse limbo do mercado, faça um favor a si mesmo e ao seu dinheiro. Ignore o medo; ele não ajuda em nada. Reexamine as máximas das finanças; há uma razão porque a afirmação "viva de acordo com os seus meios" permanece.

Torne-se um melhor administrador do seu dinheiro. Ele ainda é seu, não é mesmo? Eloise De Vylder

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