UOL Notícias Internacional
 

20/10/2008

Em tempos difíceis para os humanos, animais domésticos também sofrem

The New York Times
Tina Kelley
Nova York
Com todas as discussões recentes sobre touros e ursos [em inglês, um "mercado de touro" significa um mercado financeiro em alta e o "mercado de urso", em baixa], o que está acontecendo com os cães e gatos?

No principal abrigo de animais da cidade de Nova York, o número de telefonemas mensais para os voluntários que ajudam as pessoas a manterem seus bichos de estimação durante tempos financeiramente difíceis dobrou, de 115 para 225, entre janeiro e setembro.

"Sabíamos que o programa era importante, mas agora acontece algo assim, e as pessoas não podem pagar por cuidado veterinário", diz Richard P. Gentles, diretor dos serviços de Controle e Cuidado de Animais da cidade de Nova York, que administra o abrigo. "Alguns não conseguem nem mesmo comprar comida."

Os voluntários que trabalham para o "Rede de Segurança", programa do abrigo que já dura quatro anos, oferecem aos donos com situação financeira ruim: alojamento de animais a baixo custo, serviços de treinamento, doações de comida, listas de prédios que permitem animais, e até mesmo auxílio legal se um locatário tentar despejar ilegalmente um dono de animal.

Conforme a crise financeira do país piorou, mais donos de animais estão pedindo ajuda ao abrigo.

O serviço de Controle e Cuidado de Animais acolheu 9,4% mais animais de estimação na primeira metade de 2008 em comparação aos mesmos meses de 2007. Da mesma forma que entram mais animais, menos são adotados; nos 12 meses que terminaram em agosto, foram adotados 168 cachorros a menos do que nos 12 meses anteriores.

"É provável que, por conta da crise, menos pessoas possam assumir a responsabilidade de adotar", diz Gentles. "Se isso continuar, será um grande problema para nós."

Ele disse que a agência precisou recrutar três vezes mais lares provisórios para os bichos de estimação para atender à demanda, em parte porque muitas pessoas que serviam como donos provisórios acabaram adotando os animais e saindo do programa.

A situação é bem parecida em todos os abrigos do país.

Betsy Saul, fundadora do Petfinder.com, um site nacional de adoção de animais, disse que os pequenos abrigos simplesmente não têm comida suficiente, e as doações estão diminuindo. Uma pesquisa conduzida pelo site descobriu que 57% dos abrigos e grupos de resgate estão sofrendo uma queda no número de adoções.

"Ficamos sabendo que pessoas que tomam conta de populações de gatos de rua com seu próprio dinheiro e pequenos grupos de resgate estão alimentando os animais com pão molhado em água porque não têm ração suficiente", diz ela.

Os veterinários temem que os donos de bichos de estimação possam adiar tratamentos médicos, como cirurgias da articulação do quadril, que eram mais comuns durante os tempos mais prósperos, diz Saul. E como as pesquisas mostram que um dono de animal de estimação começa a considerar a eutanásia quando o custo de tratamento de um bicho doente supera os US$ 500, ele teme que mais donos façam essa escolha mais cedo do que no passado.

Kristen Levine, presidente da Fetching Communications, uma empresa de relações públicas da Flórida que trabalha com a indústria de animais de estimação, diz que os veterinários estão descobrindo que os donos de bichos de estimação estão mais propensos a evitar os exames de rotina anuais para economizar dinheiro, mesmo que um diagnóstico precoce possa detectar doenças cujo tratamento encarece com o tempo.

"Alguns veterinários oferecem incentivos especiais para visitas de rotina, como um microchip gratuito ou corte de unhas, para dar algo em troca aos donos que reconhecem a importância do cuidado preventivo", diz Levine.

No pior caso, os animais de estimação ficam sem lar. O número de animais de rua acolhidos pelo serviço de Controle e Cuidado de Animais em setembro aumentou em quase 300, para 2902, em relação ao ano passado. Como único abrigo de admissão livre da cidade, o serviço de Controle e Cuidado de Animais é obrigado a sacrificar os animais depois que os recursos de adoção e cuidado provisório se exaurem. No ano passado, ele sacrificou 15.768 animais, 55% a menos do que em 2000.

Este fim de semana, no Madison Square Garden, a Aliança da Prefeitura para os Animais da cidade de Nova York promoverá sua campanha anual "Adote um Gato", com centenas de gatos e filhotes em busca de novos lares. Os donos em potencial podem preencher uma pesquisa que combina suas personalidades com a dos animais disponíveis de acordo com código de cores.

Em média, cuidar de um gato custa US$ 1.000 dólares por ano, comparados com cerca de US$ 1.500 gastos com um cachorro, diz Levine.
Ter um animal de estimação pode trazer recompensas saudáveis, principalmente em tempos de "mercado de urso" [mercado em queda].

"Eles nos confortam; não ligam se hoje você perdeu dinheiro com seu plano de aposentadoria", diz Saul da Petfinder.com. "Eles são uma das poucas pessoas na família que não ficarão estressadas com o que você faz com seu dinheiro." Eloise De Vylder

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