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25/10/2008

Piso cinético ajuda a iluminar clube noturno holandês

The New York Times
Elisabeth Rosenthal
Roterdã
Se você achar o ambiente do novo Club Watt meio elétrico, estará certo: o Watt tem um novo tipo de piso que colhe a energia gerada pelos pulos e piruetas das pessoas e a transforma em eletricidade. Faz parte de um pequeno grupo de meia dúzia de pisos no mundo que geram energia, a maior parte ainda experimental.

Com sua engenharia humana, o Watt parcialmente gera sua própria energia: quanto melhor a música, mais as pessoas dançam e mais eletricidade é gerada pelo piso.

No Watt, que se descreve como o primeiro clube noturno sustentável, essa eletricidade é usada para iluminar o show de luzes na pista. "Para esta primeira boate, achamos que seria útil as pessoas verem os resultados. Contudo, se o próximo proprietário quiser usar a eletricidade para ligar sua torradeira, pode fazer isso também", disse Michel Smit, consultor do projeto.

O Watt, em grande parte, é uma criação da empresa formada no ano passado por um grupo de inventores, engenheiros e investidores ecológicos holandeses, encabeçados por Smit. O Watt demorou um ano para ser construído, tem um espaço enorme para apresentações e não apenas um piso de dança sustentável, mas também banheiros alimentados pela água da chuva e bares sem desperdício (tudo é reciclado). Seu aquecimento é colhido dos amplificadores e de outros equipamentos musicais.

"Nossa idéia é que há energia suficiente neste mundo, você apenas tem que usá-la da forma certa", disse Smit. "Em uma boate cheia, há muita (energia), você só tem que torná-la em um produto que pode ser utilizado".

Boates mais verdes obviamente não resolverão o problema das crescentes emissões de gases de efeito estufa, que os cientistas dizem ser responsáveis pelo aquecimento global. Os clubes noturnos, com seus amplificadores e estroboscópios, são altos consumidores de energia que dificilmente se tornarão neutros em carbono, mesmo que os cientistas consigam colher a energia de um "mosh pit". (A boate usa lâmpadas econômicas, entretanto.)

Ainda assim, a energia produzida por uma pessoa dançando é de em média 20 watts, então, duas pessoas podem acender uma lâmpada, segundo os consultores científicos do Club Watt. Aryan Tielemen, proprietário do clube, espera que seu piso de dança sustentável produza 10% da eletricidade que utiliza. Inovações verdes no local reduziram o uso de energia em 50% e o uso de água em 30%, comparado com a boate que funcionava anteriormente naquele espaço, disse ele.

A Organização das Nações Unidas disse que o mundo precisa reduzir os gases de efeito estufa de 25 a 40% até 2020 para impedir um aquecimento perigoso. Parte dessa redução pode vir de mudanças grandes, como o fechamento de usinas de carvão e maior proteção das florestas tropicais. Entretanto, especialistas em sustentabilidade enfatizam que grande parte do ganho deve vir das coisas que todo mundo faz atualmente, mas de formas um pouco mais eficientes e verdes.

"O conceito é que você se diverte como sempre, mas será melhor para a Terra", disse Smit.

O Club Watt é o equivalente em boate a um carro híbrido.

Os clientes costumam gostar. "Claro, eu me preocupo com o meio-ambiente e fico feliz de fazer minha parte desta forma", disse o estudante Bas Muller, ao sair do banheiro com urinóis sem água e vasos sanitários com água de chuva, com tanques que mostram quantos litros são usados para cada descarga. Muller estava assistindo um concerto da banda norueguesa Psychomotor, mas já estivera na boate em setembro.

O Club Watt, com capacidade para 1.400 pessoas, é em parte um experimento para aumentar a consciência e poupar energia - e em grande parte é simples entretenimento. (De fato, Tielemen ofereceu à cantora pop britânica Amy Winehouse centenas de milhares de dólares para se apresentar na inauguração do clube. Inaugurou sem ela.)

Tielemen gastou cerca de US$ 257.000 (em torno de R$ 514 mil reais) no piso, um investimento que não será recuperado com a energia que economizará, disse, porque, como modelo de primeira geração, é bastante ineficiente. Ele empresta partes do piso de aproximadamente 25 metros quadrados para demonstrações. (Parte dele será levada para na Nova York em dezembro.)

"A primeira coisa, é que eu queria fazer algo pelo planeta", disse Tielemen, que decidiu construir uma boate inteiramente verde depois de ver uma apresentação do Sustainable Dance Club sobre o piso de dança, que funciona com uma tecnologia chamada piezoeletricidade.

Entretanto, acrescentou: "Ficarei feliz com toda a energia que o piso produzir. E, como empresário, sei que chama a atenção."

Talvez seja natural que esse conceito tenha decolado em Roterdã, uma cidade portuária cinzenta, com uma vida noturna próspera onde os jovens têm razão em se preocupar com o aquecimento global. Localizada ao nível do mar, Roterdã seria uma das primeiras cidades a submergir se o gelo global derreter e os níveis do mar elevarem-se significativamente. E a Holanda - que ocupou trechos substanciais de território do mar - ficou famosa por sua inovação ambiental.

Em 2006, um grupo de arquitetos, acadêmicos e engenheiros locais foi reunido pelos arquitetos Doell e Enviu, um grupo de pesquisa ambiental, para criar boates ecológicas. Afinal, criaram a empresa Sustainable Dance Club para desenvolver um modelo de salão de festas mais verde que incluísse características que eles chamam de "espetaculares" (elementos como os bares sem desperdícios que os clientes podem ver), assim como elementos escondidos, como uma promessa de considerar a sustentabilidade nas compras.

É claro que a característica mais espetacular é o piso de dança. Ele tira vantagem de um fenômeno conhecido como efeito piezoelétrico: certos materiais, quando espremidos, desenvolvem uma carga e produzem eletricidade. Quando as pessoas estão dançando, o piso sustentável cede cerca de um centímetro, comprimido células contendo o material piezoelétrico. Em teoria, o piso piezoelétrico pode recuperar a energia de qualquer passo ou pulo e convertê-lo em eletricidade, apesar de esse processo ser caro e ineficiente, convertendo apenas uma fração da energia humana em energia sustentável. A tecnologia, contudo, está evoluindo, e o primeiro piso de dança sustentável está sendo reprogramado e eletronicamente ajustado para melhorar o resultado.

A empresa espera vender a tecnologia do piso para outras boates e está oferecendo certificação verde para as que reduzirem as emissões em 30%. O Sustainable Dance Club recebe indagações diárias de outros clubes noturnos interessados no piso. "Você pode usar em qualquer lugar onde há movimento, mas a questão agora é em que ponto se tornam eficientes em relação ao custo", disse Smit, observando que a empresa estava trabalhando para desenvolver materiais mais baratos e eficazes.

Calçadas que geram energia? Plataformas de metrô? Recentemente, a empresa identificou a próxima fronteira: academias de ginástica. Deborah Weinberg

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