UOL Notícias Internacional
 

28/10/2008

Nova em campanhas, mas não mais uma novata

The New York Times
Patrick Healy
Em Akron, Ohio
Em uma visita ao escritório de campanha de seu marido aqui outro dia, foi entregue para Michelle Obama um telefone e um roteiro de temas de discussão, e ela então realizou algumas chamadas para alguns eleitores indecisos. Ela misturou política tributária e saúde com bate-papo sobre Ohio, risos sobre sua vida na política e um pouco de informação sobre sua família.

Após alguns telefonemas, Michelle Obama percebeu que não estava seguindo as notas preparadas que lhe foram entregues. "Eu não olhei para o roteiro", ela disse, falando mais para si mesma do que para os voluntários nos telefones vizinhos.

Mas não importava. Apesar de alguns dos assessores do senador Barack Obama antes considerarem Michelle Obama como uma força imprevisível que às vezes falava um pouco demais o que pensava, ela agora é considerada dentro da campanha como uma defensora disciplinada e eficaz de seu marido. Os assessores também acreditam que ela progrediu muito no sentido de tratar de seu maior desafio não declarado: deixar mais eleitores à vontade com a idéia de uma primeira-dama negra.

Michelle Obama e seus assessores também escolheram cuidadosamente suas aparições no cenário nacional nas últimas semanas, selecionando os ambientes de maior destaque que são politicamente mais seguros.

Brincando na noite de segunda-feira com Jay Leno no programa "The Tonight Show", ela contou sobre sua filha mais velha ordenando a Barack Obama que não "estragasse minha programação de TV", por causa de sua propaganda de 30 minutos na noite de quarta-feira, que impediria a exibição de alguns programas. Ela também expressou certa simpatia pela governadora Sarah Palin por causa da controvérsia do guarda-roupa, mas notando que os Obamas compraram suas próprias roupas.

Segundo os padrões de uma campanha política nacional, Michelle Obama mantém uma agenda um tanto limitada. (Ela apareceu em palanques fora de Chicago em 20 dos 57 dias desde o Dia do Trabalho, na primeira segunda-feira de setembro, a data tradicional de início da temporada eleitoral de outono nos Estados Unidos.) Ela passa grande parte do tempo em casa, cuidando das filhas de 10 e 7 anos do casal, uma escolha que os assessores esperam que lhe renda dividendos entre mulheres de todas as raças que se solidarizam com suas prioridades.

Mas quando Obama está em eventos políticos - ocasionalmente com seu marido, apesar de que com mais freqüência por conta própria - ela tem atraído grandes públicos, falando com uma nova confiança e geralmente evitando gafes, à medida que lida com uma das tarefas mais delicadas da campanha. Muitos eleitores vêem a primeira família como símbolo da nação, e Obama está vendendo um pacote que para muitos americanos representa uma verdadeira mudança.

Se dirigindo a uma platéia ruidosa em um ginásio daqui na sexta-feira, Obama fez o público - uma mistura de alguns poucos milhares de eleitores negros e brancos - rir e vibrar o tempo todo.

"Tantos bebezinhos preciosos como aquele!" ela disse após notar um bebê perto do palco. "Absolutamente delicioso!"

A platéia vibrava de encanto. E muitos aplaudiram quando ela disse: "Eu também vim aqui como mãe; este é meu título principal, mamãe-em-chefe. Minhas filhas são a primeira coisa em que penso quando acordo pela manhã e a última coisa em que penso quando vou para cama. Quando as pessoas me perguntam como estou me saindo, eu digo, 'apenas tão bem quanto minha filha mais triste'".

Em um sinal da confiança da campanha nela, Michelle Obama está sendo enviada para onde mais importa. Desde o Dia do Trabalho, ela passou três dias fazendo campanha na Flórida e dois dias em cada um destes Estados: Indiana, Michigan, Carolina do Norte, Ohio e Pensilvânia, assim como dias em outros Estados indefinidos (às vezes dois em um dia).

Ela geralmente realiza comícios (seu maior contou com 11 mil pessoas em Gainesville, Flórida, na semana passada) ou pequenas mesas redondas sobre as necessidades das mulheres que trabalham fora e das famílias de militares, os dois grupos com os quais mais fala. No sábado, ele fez o discurso semanal de rádio do Partido Democrata, pedindo aos simpatizantes de seu marido não deixem de votar no Dia da Eleição.

Como primeira-dama, disseram os assessores de Obama, Michelle Obama se concentraria primeiro em sua família e então nas questões enfrentadas pelas mulheres e cônjuges militares à medida que estes grupos lidam com a crise econômica e com a volta das tropas do Iraque. Ela também planeja tratar da questão do serviço nacional, disseram assessores. Ela não terá um grande papel na condução de políticas e não planeja ter um gabinete na Ala Oeste da Casa Branca.

Assessores de antigas esposas de candidatos democratas - Teresa Heinz Kerry em 2004, Tipper Gore em 2000, Hillary Rodham Clinton em 1992 - disseram que elas passaram mais tempo fazendo campanha no outono do que Michelle Obama. Mas os filhos delas eram mais velhos e Kerry e Clinton eram freqüentemente enviadas a mercados de mídia secundários, por serem impopulares junto aos eleitores indecisos e independentes.

Chris Lehane, um conselheiro e porta-voz da campanha de Gore, disse que Tipper Gore viajou constantemente no outono de 2000, e descreveu um roteiro de viagem maior do que o de Michelle Obama. (Michelle é acompanhada por um punhado de assessores e um contingente do Serviço Secreto, mas não há jornalistas em seu avião.)

Repetindo alguns comentários privados de alguns assessores de Obama, Lehane disse que acredita que a campanha de Obama inicialmente estava insegura em relação ao apelo potencial de Michelle Obama, em parte por causa de alguns tropeços iniciais e em parte pela novidade de uma mulher negra candidata ao papel de primeira-dama.

"Minha sensação era de que a campanha estava inicialmente apreensiva, porque reconhecia que ela seria tratada de forma injusta e avaliada segundo um padrão difícil de atender", disse Lehane.

De fato, por meses Michelle Obama foi um alvo político. Um âncora da "Fox News" se referiu ao carinhoso "fist bump" (gesto de batida dos punhos na horizontal) entre os Obamas como um "jab terrorista". Os republicanos, incluindo Cindy McCain, a criticaram por ter dito em janeiro que "pela primeira vez na minha vida adulta, eu estou realmente orgulhosa do meu país". (Eles omitiram as palavras que se seguiram: "E não apenas porque Barack esta se saindo bem, mas porque acho que as pessoas estão famintas por mudanças".) Um blogueiro que apoiava Clinton disseminou o rumor infundado de que Michelle Obama tinha empregado a palavra "whitey" (pejorativo para branco).

A necessidade dos Obama de lidar com a raça como um fator na campanha ganhou proeminência no primeiro semestre, quando Obama teve que lidar com os comentários incendiários de seu ex-pastor, o reverendo Jeremiah A. Wright Jr., que celebrou o casamento do casal e batizou seus filhos.

Como filho de uma mãe branca do Kansas e de um pai negro do Quênia, Barack Obama freqüentemente explora sua experiência birracial para ajudar a superar divisões raciais. Michelle Obama não conta com essa formação para explorar, tornando seu desafio político muito mais complexo.

David Axelrod, o estrategista-chefe de Barack Obama, disse em uma entrevista que Michelle Obama, por não ser política, passou por um período de "ambientação" com a campanha. Ela aprendeu muito por conta própria, disse Axelrod, notando que os assessores não precisaram dizer a ela para evitar gestos como os "fist bumps" ou comentários como "orgulhosa do meu país" no futuro.

"Eu não acho que ela precisou ser avisada", ele disse. "Ela é muito inteligente e sensível, e acho que ela aprendeu com a experiência que nesta atividade, é preciso ser muito preciso com as palavras para que as pessoas não as interpretem mal. Isso faz parte da experiência de aprendizado. Não há dúvida de que ela aprendeu."

Ainda assim, a campanha de Obama limitou as entrevistas para jornais nacionais e programas de notícias da TV a cabo que poderiam resultar em perguntas duras. "Ela não vai ganhar nenhum voto a mais participando do Wolf Blitzer", disse um assessor.

Em vez disso, ela apareceu várias vezes em programas diurnos das emissoras e em programas de entretenimento como "The View", "Ellen", "The Daily Show", "Rachael Ray" e, duas vezes em cada, "Access Hollywood" e "Entertainment Tonight".

Michelle Obama geralmente se concentra na mensagem nestas aparições. No "Larry King Live" neste mês, ela abriu mão de mais de uma dúzia de oportunidades para responder aos ataques republicanos ao seu marido, como quando lhe foi perguntado se tinha se incomodado quando John McCain chamou Obama de "aquele ali" no debate neste mês.

"Não, não, eu preciso dizer que, sabe como é, nesses debates eu fico muito concentrada no que Barack está dizendo, em como ele está usando as palavras. Eu não costumo registrar esses pequenos trechos isolados."

Se Michelle Obama não é tão contundente quanto antes (ao descrever alguns dos hábitos de seu marido, por exemplo), ela de forma alguma está escondendo sua personalidade. No "The Tonight Show", ela notou que ela e seu marido ainda discutem privativamente como os advogados que são, e acrescentou: "Você quer saber como Barack se prepara para um debate? E sai comigo e está pronto".

No comício em Akron, ela provocou risadas entre muitos na platéia quando, com sua voz ao mesmo tempo ficando mais apressada e subindo uma oitava, ela se referiu ao seu marido como "baby" ao contar um caso.

"Minha suposição é de que Barack Obama será tratado como azarão até o dia em que estiver sentado no Escritório Oval", ela disse. "Quando tudo isto começou, eu disse para ele: 'Olha, baby, você pode fazer muita coisa'. Ele acredita que pode fazer muita coisa. Se trabalhar arduamente, ele pode mudar o mundo."

Mas, ela acrescentou, para que ele possa vencer, ele precisa que aqueles que o apóiam de fato votem. O público explodiu em aplauso. George El Khouri Andolfato

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