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29/10/2008

Ganhando ou perdendo, muitos vêem Palin como o futuro do Partido Republicano

The New York Times
Kate Zernike e Monica Davey
Quer a chapa presidencial republicana vença ou perca na próxima terça-feira, um grupo de proeminentes conservadores está planejando reunir-se no dia seguinte à eleição para discutir o que fazer a seguir, e, qualquer que seja ou resultado, a governadora Sarah Palin será parte importante da agenda.

Palin, do Alasca, tem enfrentado um período conturbado desde que foi escolhida para ser a companheira de chapa do senador John McCain, mas para muitos conservadores o futuro dela continua brilhante. Se McCain vencer, ela dará ao movimento social conservador um assento dentro da Casa Branca. E, se ele perder, ela poderá emergir como a líder do movimento conservador e uma potencial candidata presidencial em 2012, embora, em tal caso, será necessário avaliar o considerável estrago sofrido pela sua carreira política.

As suas perspectivas, dentro ou fora do governo, são objeto de conversações intensas entre os líderes conservadores, incluindo o grupo que irá se reunir na próxima quarta-feira na zona rural do Estado de Virgínia para analisar questões sociais, econômicas e de política externa, bem como o cenário político e a próxima eleição presidencial.

Os assessores de Palin insistem que, nesta eleição, o único objetivo dela é ganhar. Mas há sinais de que Palin, também, está garantindo que ficará bem posicionada para o futuro caso ela e McCain percam.

Em uma semana na qual a maioria dos candidatos dedicou-se a grandes comícios e argumentações finais, ela está fazendo discursos sobre políticas de governo, como aquele proferido na quarta-feira sobre segurança energética, uma medida que, de acordo com os assessores, tem como objetivo ajudá-la a ser vista pelo eleitorado como tendo mais substância.

Na última segunda-feira, Palin teve um rápido encontro com o embaixador israelense, refletindo um interesse que, segundo os assessores, ela expressa por orientações intensas no setor de política externa. Palin tem separado cada vez mais das posições de McCain, e nesta semana ela procurou proteger-se do estrago provocado pela notícia de que o Comitê Nacional Republicano desembolsou US$ 150 mil em roupas e acessórios para a candidata e sua família.

Cada vez mais, Palin tem saído do claustro político que lhe foi imposto pelos assessores de McCain, tendo concedido mais entrevistas a estações de televisão e jornais regionais, e falado de improviso aos repórteres qeu viajam com ela.

Apesar de todas as críticas, ela conta com muitos apoiadores entre os republicanos que a vêem como brilhante, dura e uma estrela em um partido que tem relativametne poucas oportunidades no horizonte.

"Ela é dinamite", afirma Morton C. Blackwell, que foi o elemento de ligação entre o presidente Ronald Reagan e o movimento conservador. Blackwell descreveu como tentou ficar perto de Palin em um evento para arrecadação de verbas no Estado de Virgínia, e lamentou só ter conseguido chegar a uma distância de 1,5 metro da candidata.

"Fiz um grande esforço para me posicionar bem nesta recepção", diz ele, acrescentando que está ansioso para sentar-se com Palin após a eleição para discutir o futuro. Quando lhe perguntam se as semanas de revelações prejudiciais e entrevistas desastrosas a deixaram maculada perante os conservadores, Blackwell responde: "Nem um pouco".

Brent Bozell, presidente do Centro de Pesquisas de Mídia, um grupo conservador, afirma que determinar o futuro papel de Palin é "uma prioridade".

"Os conservadores vinham procurando uma liderança, e ela mostrou que é capaz de mobilizar as bases como poucas pessoas fizeram nos últimos 20 anos", diz Bozell. "Independentemente do que Palin decida fazer, ela terá atrás de si uma pequena fonte de apoio financeiro".

A campanha presidencial permitiu que Palin desenvolvesse-se como candidata, e cultivasse diversas contatos úteis enquanto viajava pelo país. Na campanha, ela aproximou-se de indivíduos com ampla experiência em política republicana, incluindo Steve Biegun e Randy Scheunemann, dois conservadores da área de política externa.

Ela tem recebido bastante orientação sobre políticas de governo, e quase diariamente é informada sobre a política externa. Os assessores dizem que Palin adquiriu um interesse particular pelo Paquistão e Israel e pelas causas do extremismo islâmico, que ela compara ao desespero econômico que aflige partes do Alasca.

Pessoas leais a ela dizem que Palin está bem consciente da tarefa política que tem pela frente. Um assessor afirmou que ela "assumiu a ofensiva", fazendo pressões para incluir mais questões de políticas governamentais nos seus discursos. "É pessoalmente importante para ela, devido à forma como é vista, garantir que demonstre ter profundidade".

Em uma iniciativa que poderia estar indicando se terminará ou não como vice-presidente, ela tem também afirmado a sua independência em relação à campanha de McCain. Palin discordou publicamente da decisão de retirar a campanha do Estado de Michigan, e questionou o uso de telefonemas automáticos e a decisão de não trazer a tona a relação entre o senador Barack Obama e o seu controvertido ex-pastor. Palin afirmou que revelaria os seus registros médicos, depois que a campanha declarou que ela não faria isso, e na semana passada desviou-se do seu trajeto para falar com os repórteres que viajam com o seu comitê, obrigando membros da equipe a correr para encerrar tais comunicações.

Os comícios de Palin têm atraído bem mais eleitores do que os de McCain, e, em tais ocasiões, os seus eleitores portam cartazes com dizeres como: "Palin Power" ("O Poder Palin"), "Iowa is Palin Country" ("Iowa é um território de Palin"), "Super Sarah" e "You betcha!" (exclamação típica do interior dos Estados Unidos, usada com freqüência por Sarah Palin, e que significa algo como "Pode apostar!").

Mathew Dowd, ex-estrategista de Bush, diz que o desafio de Palin era exibir substância.

"Ela é uma mulher atraente, capaz de fazer um ótimo discurso, mas o povo norte-americano não via muita coisa nela além disso", afirma Dowd. "Ela é bastatne impopular entre os eleitores moderados e independentes, e embora tenha capacidade de ver-se popular em meio a um Partido Republicano cada vez menor, ela precisa descobrir como ir além disto e superar os seus pontos fracos".

E caso não se torne vice-presidente, Palin terá que navegar para um cenário diferente no Alasca, uma tarefa que, segundo o parlamentar estadual democrata Les Gara, poderá mostrar-se "uma estrada pedregosa". Revelações de que ela recebeu do Estado um auxílio financeiro elevado (geralmente obtido para custear viagens para longe da sua cidade) enquanto permanecia em casa e para que as filhas viajassem consigo, bem como as informações sobre o seu vestuário, prejudicaram a sua imagem pública e fizeram com que os seus índices de popularidade nas pesquisas de opinião caíssem.

E alguns democratas que no passado viam Palin como pessoa disposta a voltar-se contra o próprio partido, dizem ter ficado surpresos com os ataques dela, de cunho partidário, como parte da campanha nacional.

Em certos momentos, familiares e amigos de Palin parecem ficar abalados com toda a atenção. A irmã dela, Heather Bruce, descreveu os recentes meses como sendo "o período mais estressante" da sua vida, e o pai da candidata, Chuck Heath, disse ter ficado indignado ao ver as paródias e gozações envolvendo os netos.

Mas alguns elementos da base republicana já estão aguardando o dia, seja quando for, em que Palin esteja na cabeça de chapa.

"Eu espero que ela cogite disputar a presidência", afirma Marjorie Dannenfelser, presidente da organização Susan B. Anthony List, que arrecada dinheiro para os canditatos que opõem-se ao aborto.

Ela diz que as doações ao grupo triplicaram depois qeu Palin foi nomeada para a chapa republicana, e que na semana passada uma conferência chamada "Equipe Sarah", organizada entre as eleitoras contrárias ao aborto, atraiu 40 mil mulheres. O grupo está planejando um evento similar para após a eleição, quer os republicanos conquistem ou não a Casa Branca.

"A partir daqui temos que demonstrar concretamente de onde retiramos esta energia", afirma Dannenfelser. UOL

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