UOL Notícias Internacional
 

30/10/2008

Na rodada final de apelos, a economia domina

The New York Times
Peter Baker e Jeff Zeleny
Em Sunrise, Flórida
Enquanto corre pelo país no clímax de uma campanha-maratona, o senador Barack Obama preparou uma mensagem final pedindo aos americanos para "virar a página" de uma era de "ganância e irresponsabilidade", explorando um sentimento populista e ao mesmo tempo tranqüilizando os eleitores de que não é um radical.

Seu argumento final de "hora de mudança", neste momento de ansiedade nacional, se concentra em peso nas questões econômicas que agora estão no centro das preocupações dos eleitores, deixando de lado as questões de guerra e paz que animaram sua campanha quando ela começou há quase dois anos.

"Nós tentamos do modo de John McCain, nós tentamos do modo de George Bush, e não funcionou", disse Obama, o candidato presidencial democrata, para milhares de simpatizantes na quarta-feira em Raleigh, Carolina do Norte, sua primeira parada do dia. "Este é o motivo para estar concorrendo para presidente. No fundo, John McCain sabe que suas teorias econômicas não funcionam. É por isso que sua campanha diz: 'Se continuarmos falando sobre a economia, nós vamos perder'. Este é o motivo por que continuo falando sobre a economia."

Obama acrescentou: "Como ele sabe que suas teorias econômicas não funcionam, ele passou os últimos dias me chamando de tudo o que é nome. Ultimamente, ele tem me chamado de socialista por querer reverter as reduções de impostos de Bush para os americanos mais ricos, para podermos finalmente dar algum alívio fiscal para a classe média. No final da semana, ele estará me acusando de ser um comunista enrustido porque eu compartilhava meus brinquedos no jardim de infância".

Enquanto ele dedica os últimos dias de campanha às fortalezas republicanas no Sul e no Oeste, Obama buscou exibir unidade partidária ao convidar o ex-presidente Bill Clinton para aparecer ao seu lado em um comício de fim de noite em Orlando, na quarta-feira, a primeira vez que os dois apareceram juntos sozinhos na campanha. A sugestão visual era de uma simbólica passagem da tocha do último presidente democrata para o homem que espera ser o próximo.

O discurso de encerramento de Obama foi cauteloso, calibrado para consolidar os avanços que obteve junto a eleitores que passaram a se sentir mais à vontade com ele. Enquanto resumia o argumento em prol de sua candidatura, Obama buscou desarmar qualquer incerteza restante em relação a eleger um senador em primeiro mandato ainda não testado e afastar a descrição dele feita por seus críticos de um líder não provado, inexperiente, que aumentaria impostos, redistribuiria a riqueza e seria brando com terroristas.

Apesar de Obama ainda buscar uma oratória elevada nestes comícios três-por-dia, ele também dedica tempo para explicar detalhadamente suas políticas fiscais para rebater McCain. Apesar de sua intenção de aumentar os impostos para os americanos mais ricos, ele diz que qualquer família que ganha menos que US$ 250 mil por ano não pagará um centavo a mais segundo seu plano, e que 95% dos americanos na verdade pagariam menos.

Para reforçar o argumento, ele freqüentemente pede que levantem a mão aqueles que ganham menos de US$ 250 mil, o que geralmente significa quase todo o público presente. Ele às vezes prossegue, como fez na terça-feira em Harrisonburg, Virgínia, notando que isso inclui "98% das pequenas empresas e 99,9% dos encanadores", uma referência às preocupações com impostos de um homem, citado com freqüência por McCain e apelidado por ele de Joe, o Encanador.

Obama retorna regularmente aos temas de unidade que lhe deram proeminência em seu discurso à Convenção Nacional Democrata em 2004. Mas ao dizer à platéia que é hora de "nos unirmos como uma só nação" de novo, ele deixa claro que a unidade não necessariamente se estende àqueles que ele chama de vilões em um tempo de turbulência - banqueiros gananciosos de Wall Street, lobistas em Washington, bilionários, financiadores hipotecários inescrupulosos e, acima de tudo, seus criados, Bush e McCain.

"Por oito anos, nós vimos Washington cuidar dos extremamente abastados e dos extremamente bem-relacionados, e agora meu adversário faz exatamente os mesmos argumentos para justificar as mesmas políticas antigas que foram um fracasso completo para a classe média", disse Obama. "Quero dizer, os argumentos que ele está apresentando agora são os mesmos argumentos feitos por George Bush todos estes anos."

Ele acrescentou: "John McCain deseja dar mais aos bilionários, mais para as corporações que transferem empregos para o exterior, mais para as mesmas pessoas cuja ganância e irresponsabilidade nos colocaram nesta crise. Nós estamos aqui porque sabemos que não devem mais escapar impunes disso".

Ao final de seu discurso aos eleitores, Obama repreendeu Bush por não pedir sacrifícios aos americanos após os ataques terroristas do 11 de setembro de 2001. "Mesmo após o maior ataque em solo americano desde Pearl Harbor, só o que nos foi pedido por nosso presidente foi para sairmos às compras", ele disse.

Mas sua mensagem também exige pouco sacrifício específico dos americanos, com exceção da pequena fatia daqueles que ganham mais de US$ 250 mil. Em vez disso, ele promete lhes dar mais: impostos mais baixos, planos de saúde mais baratos, mais empregos, mais carros eficientes em consumo de combustível, melhores escolas, salários maiores para os professores, assistência contra execução hipotecária, ensino superior mais acessível. A única referência detalhada que faz sobre como pagar tudo isso neste momento de déficits orçamentários recordes é sua promessa de "parar de gastar US$ 10 bilhões por mês no Iraque".

"Eu sei que meu adversário está preocupado em perder a eleição, mas eu estou preocupado com os americanos que estão perdendo suas casas, perdendo seus empregos e perdendo as economias que juntaram ao longo de suas vidas", disse Obama. "Eu estou preocupado com a classe média. E não vou lutar pelos seus votos apenas nos últimos dias da eleição, eu vou lutar por vocês todo dia enquanto estiver na Casa Branca."

A referência aos gastos no Iraque é quase tudo o que ele diz a respeito das duas guerras que os Estados Unidos estão travando, apesar de sua oposição à guerra ter tido um papel considerável em seu apelo aos democratas durante as primárias.

Medida em volume de palavras, a política externa ocupa menos de 5% dos discursos de Obama nesta última semana de campanha. Ele promete "finalmente chegar ao fim na luta contra Bin Laden e a Al Qaeda" e "retirá-los de circulação" sem mencionar as palavras Afeganistão ou Paquistão. Ele também não menciona o Irã, a Coréia do Norte, Rússia ou outros países que representam grandes desafios políticos.

No entender de Obama, esta é uma eleição a respeito dos Estados Unidos e sobre se eles conseguirão se reerguer após tanto tumulto. "Não será fácil", ele disse. "Não será rápido. Mas vocês e eu sabemos que podemos nos unir e mudar este país." George El Khouri Andolfato

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