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04/11/2008

Friedman: Vote em ( )

The New York Times
Thomas L. Friedman
Eis o que me chama a atenção nesta véspera de eleição: eu não consigo me lembrar de uma campanha eleitoral que esteve tão desconectada dos desafios de fato com os quais o vencedor terá que lidar na manhã seguinte. Quando esta campanha eleitoral teve início há dois anos, a grande questão era como e por quanto tempo continuaríamos a construção de nação no Iraque. À medida que a campanha chega ao fim, a grande questão é como e a que sacrifícios realizaremos a construção de nação nos Estados Unidos.

Infelizmente, você mal sabe disso com base nos debates presidenciais. Assisti-los no contexto do colapso do sistema financeiro foi como assistir a um game show onde dois concorrentes são mantidos em uma cabine à prova de som e levados a discursarem para uma platéia sem saber o contexto.

Desde o último debate, John McCain e Barack Obama apresentaram idéias gerais sobre como restaurar a saúde financeira do país. Mas eles continuam sugerindo que isso ocorrerá sem dor. McCain diz que dar a todos uma redução de impostos salvará o dia; Obama nos diz que apenas os ricos terão que pagar para nos ajudar a sair deste buraco. Nada disso é verdadeiro.

Nós todos teremos que pagar, porque este colapso ocorreu no contexto daquela que foi "talvez a maior transferência de riqueza desde a Revolução Bolchevique na Rússia, em 1917", disse Michael Mandelbaum, autor de "Democracy's Good Name". "Não é por uma transferência de riqueza do rico para o pobre que o governo Bush será lembrado. É por uma transferência de riqueza do futuro para o presente."

Nunca uma geração gastou tanto da riqueza de seus filhos em um período tão curto de tempo com tão pouco resultado para mostrar quanto nos anos Bush. Sob George W. Bush, os Estados Unidos impingiram a gerações futuras um imenso ônus financeiro para custear nossas atuais reduções de impostos, guerras e agora resgates. O simples pagamento dessas dívidas exigirá sacrifícios significativos. Mas quando você adiciona a destruição da riqueza que ocorreu nos dois últimos meses nos mercados, e a necessidade de mais resgates, você entende por que esta não será uma recuperação indolor.

A equipe Bush nos deixa com outra dívida - uma com a Mãe Natureza. Nós adicionamos mais toneladas de CO2 na atmosfera nos últimos oito anos, sem qualquer esforço de redução. Em conseqüência, a desaceleração da mudança climática nos próximos oito anos exigirá mudanças e investimentos ainda maiores no uso de energia.

Dado que colunistas do "New York Times" não são autorizados a apoiar "formalmente" candidatos e dado que o contexto desta eleição mudou muito as posições políticas com as quais os candidatos começaram, tudo o que posso sugerir é que você vote no candidato com estas características:

Primeiro, nós precisamos de um presidente que saiba falar inglês e desconstruir e navegar as questões complexas de forma que os americanos possam fazer escolhas informadas. Nós pagamos um preço enorme por termos um presidente que não sabia explicar e nos tranqüilizar durante este colapso financeiro. Nós desperdiçamos um tempo imenso fingindo que podíamos punir Wall Street sem punir a economia real - quando, na verdade, elas estão altamente interligadas.

Um grande fundo de mercado monetário -o Reserve Primary- faliu em setembro porque a remuneração extra que oferecia aos seus clientes derivava, em parte, dos US$ 785 milhões em papéis comerciais e notas de alto rendimento do Lehman Brothers que possuía. Os depositantes que disseram aos seus congressistas que deixassem o ganancioso Lehman Brothers falir ficaram chocados ao descobrir que isso significava que seu próprio investimento ficaria congelado. Não, nós não precisamos de um presidente que defenda a ganância de Wall Street, mas precisamos de um que possa explicar que estamos todos no mesmo barco, que um vazamento em um ponta pode afundar todos e que apesar da necessidade de regulamentação, nós não queremos eliminar o risco e as recompensas que o acompanham - que são necessários para o crescimento de nossa economia.

Segundo, nós precisamos de um presidente que possa energizar, inspirar e manter o país unido durante aquela que será uma recuperação muito estressante. Nós temos que sair desta crise financeira em um momento em que os "baby boomers" (a geração pós-Segunda Guerra Mundial) estão prestes a se aposentar e precisarão de seu Seguro Social e posteriormente do Medicare (o seguro-saúde público para idosos). Nós todos vamos ter que pagar mais ao governo e receber menos até sairmos deste buraco.

Terceiro, nós precisamos de um presidente que possa mobilizar o mundo ao nosso lado. Nós não podemos sair desta crise a menos que a China comece a consumir mais e a menos que a Europa continue reduzindo suas taxas de juros. Todos estão interligados e todos ainda procuram pela liderança americana.

Resumindo: por favor, não vote no candidato com o qual mais gostaria de tomar uma cerveja (a menos que seja para ficar tão bêbado para não ter que pensar na encrenca em que nos metemos). Vote na pessoa em que você preferiria ter ao seu lado quando fosse pedir ao gerente do banco por um adiamento do vencimento da sua hipoteca.

Vote no candidato que achar que tem a inteligência, temperamento e capacidade de inspirar a união do país e conduzir nosso barco pelas águas rasas mais rochosas com que nossa geração já se deparou. Seus filhos vão lhe agradecer. George El Khouri Andolfato

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