UOL Notícias Internacional
 

04/11/2008

Krugman: o restolho republicano

The New York Times
Paul Krugman
Colunista do The New York Times
Talvez as pesquisas estejam erradas, e John McCain esteja prestes a conseguir a maior reversão eleitoral da história norte-americana. Mas, neste instante, os democratas parecem estar em vias tanto de conquistar a Casa Branca quanto de expandir grandemente sua maioria nas duas câmaras do Congresso.

A maior parte da discussão pós-eleições presumivelmente será sobre o que os democratas devem fazer com o mandato. Entretanto, deixe-me propor uma questão diferente, que também será importante para o futuro da nação: o que a derrota fará aos republicanos?

Talvez você pense, talvez espere, que os republicanos entrem em uma espécie de questionamento de alma, que se perguntem se perderam o contato com a maioria nacional e como isso aconteceu. Entretanto, minha previsão é que isso não acontecerá tão cedo.

Em vez disso, o remanescente republicano, aquilo que restará após as eleições, será o partido que freqüenta os comícios de Sarah Palin, onde as multidões gritam "vote em McCain, não em Hussein". Será o partido de Saxby Chambliss, senador da Geórgia que, observando as eleições antecipadas em grande escala de afro-americanos, adverte seus partidários que "aqueles outros estão votando". Será o partido que abriga fantasias ameaçadoras sobre as origens marxistas - ou seriam islâmicas? - de Barack Obama.

Por que o Partido Republicano vai se tornar mais extremo, e não menos? Para começar, as pesquisas sugerem que esta eleição tirará muitos moderados republicanos remanescentes do Congresso, deixando apenas a direita radical.

Por exemplo, Larry Sabato, que faz pesquisas eleitorais, prevê que sete assentos do Senado atualmente nas mãos do Partido Republicano irão para os democratas na terça-feira (4). De acordo com as classificações entre liberais e conservadores dos cientistas políticos Keith Poole e Howard Rosenthal, cinco dos senadores que devem partir em breve são mais moderados do que o senador republicano médio. Então, o remanescente, a cúpula republicana restante, terá movido mais para a direita. A mesma coisa parece que acontecerá na Câmara.

Além disso, a base republicana já parece estar tendendo a ver a derrota não como um veredicto sobre as políticas conservadoras, mas como resultado de uma conspiração diabólica. Uma recente pesquisa do Democracy Corps revelou que os republicanos, por uma margem de mais de dois para um, acreditam que McCain está perdendo "porque a mídia é parcial" e não "porque os americanos estão cansados de George Bush".

McCain, ademais, estabeleceu a base para acusações febris que a eleição está sendo roubada e vem declarando que o grupo ativista comunitário Acorn - que, como salienta o Factcheck.org, nunca foi "considerado culpado, nem mesmo acusado de" provocar votos fraudulentos- "agora está em vias de talvez perpetrar uma das maiores fraudes da história eleitoral deste país, talvez destruindo o tecido da democracia". Não é preciso dizer que os potenciais eleitores que o Acorn tenta atingir são na maioria "aqueles outros", como diria Chambliss.

De qualquer forma, a base republicana, atiçada pelo comitê de campanha de McCain-Palin, acha que as eleições devem refletir as opiniões dos "verdadeiros americanos" - e a maior parte das pessoas que lêem esta coluna provavelmente não se qualificaria como tanto.

Assim, diante das pesquisas sugerindo que Obama vencerá na Virgínia, um alto assessor de McCain declarou que "a verdadeira Virgínia" - a parte Sul do Estado, excluindo os subúrbios Washington, D.C.- favorece McCain. A maioria dos americanos hoje vive em grandes regiões metropolitanas, mas, ao visitar uma pequena cidade na Carolina do Norte, Palin disse: Isso é "o que eu chamo de América verdadeira", uma das partes "pró-América" da nação. A verdadeira América, aparentemente, é de cidade pequena, sulista e, acima de tudo, branca.

Não estou dizendo que o Partido Republicano esteja prestes a se tornar irrelevante. Os republicanos ainda estarão em posição de bloquear algumas iniciativas democratas, especialmente se os democratas não conseguirem alcançar a maioria à prova de estratégias de adiamentos no Senado.

Essa capacidade de bloquear garantirá ao Partido Republicano muitos dólares corporativos: neste ano, a Câmara de Comércio dos EUA fez jorrar dinheiro nas campanhas de republicanos do Senado, como Norm Coleman de Minnesota, precisamente na esperança de negar aos democratas uma maioria grande o suficiente para aprovar legislações em prol do trabalho.

Entretanto, a longa transformação do Partido Republicano em um partido de direita pouco razoável e um porto seguro para racistas e reacionários deve se acelerar como resultado da derrota iminente.

Dessa forma, se criado um dilema para os conservadores moderados. Muitos deles passaram os anos Bush fazendo vista grossa, fechando os olhos para a desonestidade do governo e o desrespeito ao Estado de direito. Alguns deles tentaram manter essa ilusão durante a temporada eleitoral deste ano, mesmo quando as táticas eleitorais de McCain-Palin ficaram cada vez mais feias. Entretanto, num desses dias, eles vão ter que compreender que o Partido Republicano tornou-se o partido da intolerância. Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,68
    3,173
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,44
    64.861,92
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host