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05/11/2008

Grande comparecimento de eleitores em Nova York e urnas quebradas causam longas esperas

The New York Times
Sewell Chan
Em Nova York
O antiquado sistema de votação desta cidade trabalhou, rangeu e ocasionalmente quebrou na terça-feira, à medida que milhões de pessoas se amontoaram nas seções eleitorais para votar na eleição presidencial. Os problemas persistentes de eleições anteriores -urnas quebradas, longas esperas e confusão entre os mesários- estavam ainda piores, disseram eleitores e observadores eleitorais, por causa do comparecimento excepcionalmente alto.

As urnas mecânicas da cidade, em uso desde 1962, quebraram nos bairros de Washington Heights, Harlem e Upper West Side, em Manhattan, até Cobble Hill e Crown Heights, no Brooklyn, e Long Island City, Queens. Apesar da Junta Eleitoral ter enviado equipes de técnicos para toda a cidade, os eleitores que já aguardavam horas tiveram que esperar ainda mais para preencher as cédulas de papel de emergência.

"Está uma confusão", disse Marjorie Press Lindblom, uma sócia do escritório de advocacia Kirkland & Ellis, responsável por uma das linhas telefônicas de emergência de Nova York do Proteção Eleitoral, um programa nacional não-partidário de proteção ao eleitor. "Pessoas tiveram que esperar por horas. As urnas estão quebrando. Há confusão quanto ao uso das cédulas de emergência e juramentadas. Eleitores estão faltando nas listas de registro. E os mesários não estão treinados apropriadamente."

No final da tarde, o Proteção Eleitoral tinha recebido cerca de 3 mil queixas de eleitores de todos os cinco distritos, com Brooklyn e Manhattan responsáveis por cerca de dois terços do total.

Apesar dos problemas, não ocorreram queixas de negação do direito de votar ou de fraude.

Valerie Vazquez-Rivera, uma porta-voz da Junta Eleitoral, reconheceu as queixas, que ela atribuiu em parte "ao número sem precedente de eleitores presentes nos locais de votação". Os 34 mil trabalhadores eleitorais, que recebem US$ 200 a US$ 300 por dia de trabalho, se esforçaram ao máximo para ajudar os eleitores nos 1.351 postos de votação, ela disse.

Nova York tem mais de 4,6 milhões de eleitores registrados na cidade, um aumento de quase 125 mil em comparação a 2004. Por toda a cidade, era comum ver filas que saíam pela porta e dobravam a esquina. "Nós nos mudamos para cá em 67 e nunca vimos uma fila tão longa saindo pela porta -nunca", disse Louis Zamora, 73 anos, que aguardou por uma hora com sua esposa, Laura, 70 anos, para votar na Escola Pública 163, no Upper West Side.

Na Escola Pública 189, em Flatbush, Brooklyn, um eleitor sofreu convulsão e outro teve problemas cardíacos. Ao ser perguntado se os eleitores tiveram males semelhantes em eleições anteriores, Andres Burgos, um mesário desde 1999, respondeu: "Não, porque não tinham que esperar tanto".

Tim Jensen, um professor de 53 anos que votou na Escola Pública 29, em Cobble Hill, Brooklyn, foi um dos muitos que acordaram antes do amanhecer para votar. "Eu cheguei aqui às 6h02 e não estava aberto", ele disse. "Os trabalhadores eleitorais disseram que a polícia não chegou no horário, então tiveram que iniciar o trabalho mais tarde. Eles só abriram as portas para as pessoas entrarem entre 6h15 e 6h20."

Provavelmente o maior problema citado pelos eleitores foi a quebra das urnas mecânicas em vários distritos.

Christa Rose Avampato, 32 anos, entrou na fila às 5h45 na Escola Pública 75, no Upper West Side, apenas para descobrir que a urna mecânica de seu distrito eleitoral estava quebrada. "Eu tive que preencher uma cédula de papel de emergência e depositá-la em uma caixa de papelão sem nenhuma marca -semelhante as que servem de embalagem para produtos encontrados nos mercados", ela disse. "Ele fizeram um corte no topo da caixa. Foi uma loucura."

Vazquez-Rivera não soube dizer quantos eleitores usaram as cédulas de papel, que são usadas quando as urnas mecânicas quebram e são apuradas no dia da eleição, ou quantos usaram cédulas provisórias ou juramentadas, que são usadas quando há dúvidas sobre se o eleitor está habilitado a votar e são contadas dias depois.

Ela disse que um número incomum de eleitores procurou as repartições da junta para verificar seus registros e apresentar petições aos juízes -que estavam de plantão- para ordenarem à junta que os autorizasse a votar. Um desses eleitores foi o ator Tim Robbins, que disse que queria uma ordem judicial porque não confiava que a cédula juramentada seria contada.

Este foi o primeiro ano em que novas urnas mecânicas projetadas para ajudar eleitores com deficiências a votar sem ajuda estavam disponíveis em todos os locais de votação da cidade. Na Escola Pública 62, em Richmond Hill, Queens, Raymond Baksh, um cego de mais de 40 anos, seguia as instruções em um fone de ouvido e fez sua escolha usando Braille. No passado, seu pai o ajudava a votar, mas "neste ano eu votei sozinho", disse Baksh.

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