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06/11/2008

Uma família que deverá equilibrar jantares de Estado com pernoites de crianças

The New York Times
Jodi Kantor
Quando Verna Williams telefonou para parabenizar Michelle Obama na manhã de quarta-feira, ela disse mais ou menos brincando que deixaria de chamar sua velha amiga da faculdade de direito de "Meesh" e passaria a chamá-la de "sra. Obama".

Michelle Obama, a futura primeira-dama, caiu na risada e completou com algumas idéias próprias de títulos - bobos demais para serem mencionados a uma repórter de jornal, disse Williams.

Um dia após a eleição presidencial, a família Obama do Hyde Park de Chicago está apenas começando a descobrir como se tornar a primeira-família dos Estados Unidos.

Como primeiro presidente negro e sua família, eles serão um quadro vivo de progresso racial, e os amigos dizem que eles estão altamente cientes de que tudo o que disserem e fizerem - a forma como se vestem, onde Malia, 10 anos, e Sasha, 7, estudam, até mesmo que tipo de animal de estimação eles adotarem - estará repleto de valor simbólico.

"Aqui está uma família negra intacta, uma família feliz, com crianças bonitas e uma amorosa família estendida", disse Williams, "e por acaso ela mora na mansão executiva".

Para o presidente eleito Barack Obama e sua família, deixar Chicago significa desmontar o casulo protetor que construíram ao redor deles.

Por toda a campanha, Malia e Sasha, que se tornarão as mais jovens ocupantes da Casa Branca em décadas, passaram muitas horas no minúsculo apartamento da avó delas em South Side, no mesmo prédio onde a mãe delas foi criada. A escola particular delas na Universidade de Chicago é cercada de vizinhos e aliados que olham as meninas com vigilância amorosa.

Quando as meninas e sua mãe precisavam de uma escapada, elas podiam se refugiar no quintal de velhos amigos, onde pulavam corda ou aumentavam o volume de seus iPods e dançavam à vontade ao som de Soulja Boy e Beyoncé. Michelle Obama, uma criatura do South Side e de hábito, passou quase todo sábado dos últimos 10 anos com os mesmos amigos e seus filhos, mais recentemente em uma California Pizza Kitchen local, onde o grupo coloca o papo da semana em dia.

Agora, tudo isso deve mudar.

Na tarde de quarta-feira, Michelle Obama conversou com a primeira-dama, Laura Bush, que convidou ela e suas filhas para visitarem a Casa Branca em breve. A procura por uma nova escola começa agora, disse Michelle Obama aos amigos na quarta-feira. Em Hyde Park, ela tem a reputação de ser uma mãe altamente dedicada, uma que fica de olho nos passes e dribles de Malia nos jogos de futebol enquanto os outros pais fofocam bebendo café. Os amigos dizem que ela aplicará a mesma vigilância à transição de suas filhas para Washington.

"Como é a Michelle, ela administrará isso, ela dirigirá isso", disse Sandra Matthews, em vez de delegar a outros a procura por escolas.

Como pais, os Obamas acreditam em dar a suas filhas alguma influência nas decisões que as afetam, ela disse. Logo, uma nota aos diretores: as preferências de Malia, uma fã séria de Harry Potter, e Sasha, a atriz da família, podem ter um peso enorme. (Apesar dos Obamas poderem enviar suas filhas para uma das escolas públicas da capital, que estão passando por uma grande reforma, muitos washingtonianos esperam que eles olhem atentamente para a Georgetown Day School ou a Sidwell Friends, que foram freqüentadas por Chelsea Clinton.)

Certamente a Casa Branca de Obama receberá os habituais dignitários e chefes de Estado estrangeiros, mas os convidados mais importantes poderão ser os amigos das meninas. "Poderemos ver pernoites na Casa Branca, grupos de meninas com sacos de dormir andando com Sasha e Malia", disse Williams.

Em vez de tentar criar um mundo social totalmente novo em Washington, amigos prevêem que os Obamas transportarão parte de seu mundo de Hyde Park para a capital. Durante a campanha, eles eram acompanhados por grupos de amigos e parentes: Craig Robinson, o irmão de Michelle Obama; Martin Nesbitt, o tesoureiro de campanha; Eric Whitaker, um executivo de hospital; e outros. Em parte, para que as meninas de Obama pudesse ter coleguinhas conhecidos, todos também traziam suas famílias.

A postura dos Obamas é "junte-se a nós nesta aventura", disse John W. Rogers Jr., um fundador de uma financeira, que fez isso algumas vezes.

"Eu não vou me afastar dessa família", disse Yvonna Davila, cujas filhas são duas das melhoras amigas das meninas de Obama.

Os Obamas chegarão em Washington com um quinto membro da família, um que até aqui ficou em grande parte fora dos holofotes. Marian Robinson, a mãe de Michelle Obama, é uma viúva e secretária de banco aposentada que costuma cuidar das meninas durante as ausências freqüentes da mãe. Os assessores ainda não sabem se Robinson se mudará formalmente para a Casa Branca, mas é certo que a avó de Malia e Sasha estará por perto e disponível quando seus pais tiverem que viajar.

"Elas são extremamente ligadas à avó", disse Matthews. "Este é o motivo para Michelle poder se ausentar com facilidade e tranqüilidade."

Assim que Michelle Obama resolver as questões envolvendo suas filhas, ela passará ao assunto sobre que tipo de primeira-dama deseja ser. Apesar de se vestir com cuidado incomum -usando roupas prontas e de grife- os amigos dizem que ela tem apenas uma paciência limitada para as prendas domésticas. Ela é do tipo que faz as coisas de forma eficiente, não dada a esforços elaborados do tipo Martha Stewart.

Como primeira-dama, disse Michelle Obama, ela planeja defender os pais que trabalham fora, particularmente as famílias militares, pedindo melhor acesso a creches para todos. Como uma primeira-dama tentando equilibrar os deveres públicos com a criação de duas crianças, ela será um exemplo da questão que descreve.

"Ela própria estará envolvida no ato de equilibrismo", disse Doris Kearns Goodwin, a historiadora presidencial.

Mas em um aspecto, a vida da família Obama se tornará muito mais fácil. Desde 1996, quando ele foi eleito ao Senado Estadual de Illinois, Barack Obama passou longos períodos longe de casa, e como ele próprio reconheceu, ele é quanto muito um pai por meio período. Os últimos seis anos foram uma série de maratonas particularmente punitivas, enquanto concorria à cadeira no Senado federal, depois passava os dias da semana em Washington e depois dois longos anos viajando na campanha presidencial.

Sua eleição ajudará a realizar um sonho familiar há muito acalentado: pelos próximos quatro anos, os Obamas finalmente jantarão juntos. George El Khouri Andolfato

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