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08/11/2008

Com resultado pior que o esperado, economia americana perde 240 mil empregos

The New York Times
Peter S. Goodman e Michael M. Grynbaum
Sufocada pela redução de crédito e a queda do poder de compra, a economia norte-americana está perdendo empregos no ritmo mais rápido desde 2001, e as perdas poderão acelerar-se, chegando a níveis nunca vistos desde a recessão profunda do início da década de 1980.

Na manhã da sexta-feira (07/11) o governo anunciou que os patrões cortaram mais 240 mil empregos em outubro. Isso representa o décimo declínio consecutivo do nível de emprego e é um claro sinal de que uma queda acelerada da atividade econômica está afligindo domicílios e empresas.

Desde agosto último, a economia perdeu 651 mil empregos - mais do que o triplo do número registrado de maio a julho deste ano. Até o momento, 1,2 milhão de empregos desapareceram neste ano.

"Sem dúvida, estes são números ruins", afirma Nigel Gault, economista da IHS Global Insight. "As empresas reduziram o ritmo de produção na maior parte do ano, mas acredito que elas optaram por ter mais cautela na hora de contratar mais empregados, em vez de demitir os já existentes. Mas, em setembro, elas decidiram, 'Ok, vejam, isto não é apenas uma mini-recessão, e sim uma recessão enorme. É melhor tomarmos alguma providência'. E foi isso o que elas fizeram".

O índice de desemprego subiu de 6,1% no mês anterior para os atuais 6,5%, o maior nível desde 1994.

O Departamento do Trabalho também fez uma reavaliação profunda, ajustando para baixo os seus números relativos ao desemprego no terceiro trimestre deste ano. Os patrões despediram 284 mil funcionários em setembro, o que é muito mais do que os 159 mil inicialmente anunciados. Em agosto último, a redução foi de 127 mil empregos, contra a estimativa anterior de 73 mil.

"O consumidor dos Estados Unidos, que durante tantos anos foi o motor do crescimento global, é agora o calcanhar de Aquiles da economia mundial", afirma Joshua Shapiro, economista da empresa de pesquisas MFR.

Os últimos sinais de turbulências na economia parecem sem dúvida tornar mais urgente o debate a respeito de mais uma rodada de estímulos governamentais para estimular os gastos, e são mais uma evidência de que o presidente eleito Barack Obama herdará uma economia profundamente problemática.

Nos últimos meses Obama pediu mais um pacote das chamadas iniciativas de estímulo ao consumo. Líderes democratas na Câmara sugeriram nesta semana que poderão tentar aprovar rapidamente as medidas no valor total de US$ 60 bilhões para ampliar os benefícios do seguro-desemprego e os vales-alimentação, bem como ajudar os Estados que viram as suas arrecadações tributárias despencar. A seguir, eles procurarão implementar um pacote mais amplo que poderia implicar em gastos de US$ 200 bilhões assim que Obama tomasse posse.

O governo Bush criticou as propostas democratas para auxílio imediato, ameaçando com a possibilidade de veto.

Acima de tudo, os últimos números mensais referentes ao mercado de empregos evidenciou ainda mais como a economia continua paralisada por uma poderosa combinação de problemas - queda vertiginosa dos preços dos imóveis, contração do crédito e redução salarial. Os três fatores atuam ao mesmo tempo, provocando uma espiral de queda econômica.

No decorrer do ano as companhias contrataram pouco e despediram empregados, à medida que os negócios sofriam desaceleração, e ao mesmo tempo reduziam as horas de trabalho dos funcionários. Milhões de norte-americanos acostumados a tomar dinheiro emprestado para financiar os seus gastos, usando as suas casas como garantia, perderam esta fonte de dinheiro quando os preços das moradias caíram. Os salários efetivamente encolheram para a maioria dos trabalhadores, à medida que os preços dos alimentos e dos combustíveis anularam os modestos aumentos salariais. Isto reduziu ainda mais a propensão dos norte-americanos a gastar.

Em outubro, os salários semanais dos funcionários em funções de supervisão ou gerência aumentaram apenas 2,9% em relação a outubro de 2007, um índice bem inferior à inflação.

A indústria de saúde e as escolas públicas foram os únicos setores da economia que apresentaram um crescimento real no mês passado. Nos outros setores as perdas foram amplas e profundas. Os problemas na indústria automobilística provocaram milhares de demissões em revendedoras e produtoras de autopeças. Milhares de trabalhadores em fábricas e companhias de construção perderam o emprego.

Zeladores de prédios, funcionários administrativos e trabalhadores temporários foram atingidos duramente, já que, nestes setores, 57 mil empregos desapareceram em outubro. Até mesmo as lojas de mercadorias gerais, que experimentaram um aumento dos negócios devido aos preços baixos e ao fato de serem as preferidas pelo consumidor mais consciente em relação ao orçamento, despediram 18 mil funcionários no mês passado.

Os 284 mil empregos perdidos em setembro constituíram-se na maior redução desde novembro de 2001, pouco após os ataques terroristas em Nova York e Washington.

Tudo isso influiu no poder de compra. Os gastos dos consumidores caíram de julho a setembro, no maior declínio trimestral em 17 anos, reduzindo ainda mais a motivação dos empresários para contratar.

O relatório de sexta-feira indica que as pressões sobre os trabalhadores intensificam-se rapidamente. De janeiro a agosto, a economia perdeu cerca de 75 mil empregos por mês, segundo números preliminares do Departamento de Estatísticas Trabalhistas. Desde então, este ritmo mais do que dobrou.

Atualmente, muitos economistas esperam que o índice de desemprego chegue a 8% até meados do ano que vem, um nível nunca presenciado nos últimos 25 anos. Muitos analistas prevêem que a economia continuará encolhendo durante grande parte do ano que vem, e talvez até 2010.

Nos últimos dias surgiram novas indicações de problemas. O ritmo anual de vendas de automóveis caiu drasticamente em outubro, sofrendo uma redução de 15% em relação a setembro, segundo análise do Goldman Sachs.

A bastante observada pesquisa do Instituto para Gestão de Suprimentos acusou em outubro uma queda para patamares nunca vistos nos últimos 26 anos, refletindo uma redução da atividade industrial e sugerindo o enfraquecimento da demanda por produtos à medida que a economia sofre uma desaceleração.

Esta debilidade adquire um caráter global, conforme outras economias também sucumbem ao desaquecimento econômico - da Espanha ao Reino Unido, do Japão ao Brasil - e à medida que a crise prejudica a atividade econômica em grande parte do mundo.

Ao mesmo tempo, os bancos continuaram fechando as portas dos seus cofres em outubro, segundo uma pesquisa com gerentes de finanças realizada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Os economistas viram nos resultados da pesquisa uma indicação de que até mesmo as companhias saudáveis e muitos domicílios estão enfrentando dificuldades para a obtenção de capital, o que freia ainda mais a economia e torna as perspectivas para os trabalhadores norte-americanos ainda mais sombrias.

Muitos economistas acreditam que o quadro piorará à medida que as conseqüências da crise financeira global atingirem mais empresas e domicílios. Embora o pacote de socorro no valor de US$ 700 bilhões, e financiado pelo contribuinte, tenha controlado os temores de um colapso iminente e recolocado alguma ordem no sistema financeiro, ele não convenceu os bancos a emprestar generosamente. O crédito continua apertado para empresas e proprietários de imóveis. UOL

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