UOL Notícias Internacional
 

08/11/2008

Economia chinesa dá sinais de rápida desaceleração

The New York Times
David Barboza*
Em Xangai (China)
Cada nova avaliação da situação econômica da China prevê um crescimento mais lento do que o previsto na avaliação anterior.

No momento em que a China alcançou um crescimento vertiginoso que impressionou grande parte do mundo, o país parece estar sofrendo uma desaceleração econômica mais acentuada e rápida do que era possível antecipar.

"É difícil ser otimista", diz Stephen Green, economista do Standard Chartered Bank, em Xangai. "Os três motores do crescimento da China - exportação, investimento e consumo - perderam velocidade".

Os sinais são tão perturbadores que na semana passada o primeiro-ministro Wen Jiabao advertiu: "Este ano poderá ser o pior dos últimos anos para o nosso desenvolvimento econômico".

Uma série de relatórios governamentais divulgados nas últimas semanas indica que o ritmo das exportações da China está caindo. Projetos de construção de imóveis estão sendo cancelados. A confiança do consumidor está em declínio. E várias fábricas no sul da China têm fechado as portas, fazendo com que dezenas de milhares de trabalhadores migrantes vejam-se desempregados.

Algumas companhias chinesas chegaram a anunciar que as encomendas para o Natal - que deveriam ter sido feitas no final do verão ou no início do outono - caíram 20% neste ano, já que as grandes lojas e comerciantes de brinquedos estão cada vez mais pessimistas em relação à temporada de festas de fim de ano.

Até recentemente, muitos economistas insistiam que a China estava protegida da crise financeira que assola os Estados Unidos e a Europa, e que o Partido Comunista Chinês contava com os instrumentos para manter a economia funcionando a todo vapor. Mas dados recém-divulgados sugerem que quase todos os setores da economia chinesa estão sofrendo uma desaceleração e que o crédito ficou mais difícil em uma nação que se acostumou a crescer com uma velocidade estonteante.

Embora poucos economistas esperem que a China entre em uma recessão, analistas prevêem o pior crescimento em mais de uma década. Eles acreditam que a economia chinesa terá uma expansão de apenas 5,8% no quarto trimestre deste ano, contra os cerca de 11% registrados no mesmo período de 2007.

Os analistas temem que uma desaceleração drástica possa prejudicar a já debilitada disposição para investimentos no país, e atingir os maiores bancos da China, que têm financiado grande parte do boom econômico.

Pequim teme que, caso o crescimento caia para 8% ou menos, não sejam criados empregos suficientes em um país que se urbaniza rapidamente - e que isso possa provocar convulsões sociais.

Para evitar tal coisa, o governo está preparando um grande pacote de estímulo econômico, implementando novos projetos de infra-estrutura, oferecendo auxílio aos exportadores e procurando novas maneiras de incentivar os bastante deprimidos mercados acionários e imobiliários do país.

Há menos de seis meses, as principais preocupações do governo eram a inflação galopante e uma economia que crescia com rapidez exagerada.

Agora, as reservas de mercadorias formam pilhas em todo o país, à medida que cai a demanda doméstica e internacional pelos produtos chineses. No sul da China, o governo teve que intervir para auxiliar os trabalhadores migrantes após o fechamento de fábricas.

Quando a Exposição Comercial de Cantão terminou nesta semana, na cidade de Guangzhou, as encomendas em um dos maiores eventos envolvendo produtos chineses tinham diminuído significativamente. Segundo os participantes, o número de visitantes também caiu.

Mas não são apenas as fábricas voltadas para a exportação que estão sofrendo. Companhias que vendem os seus produtos na China também têm sido atingidas porque os projetos de investimentos têm sido adiados e os consumidores evitam fazer grandes compras.

Após cinco anos de crescimento superior a 10%, o índice de crescimento da China desacelerou-se por cinco trimestres consecutivos, caindo de 12,6% no segundo trimestre de 2007 para cerca de 9% no terceiro trimestre deste ano.

Este índice de crescimento ainda é forte, mas os economistas dizem que o desaquecimento começou a agravar-se nos últimos dois meses. Em muitas fábricas, grandes encomendas para o Natal foram canceladas.

No início desta semana, o governo anunciou que o índice de administração de compras da China, que é usado para medir o desempenho econômico do país, caiu em outubro para o seu patamar mais baixo desde o início da compilação dos dados em 2005, indicando que as encomendas de todos os tipos caíram drasticamente.

Neste ano as vendas de automóveis na China despencaram. As viagens aéreas estão em declínio. As vendas de imóveis paralisaram-se, e a debilidade no mercado imobiliário tem atingido duramente os fabricantes de aço, cimento e vidro.

"O setor de construção de imóveis está em queda livre no sul e no leste da China, as duas áreas de boom desse setor", afirma Yang Dongsen, analista da indústria de cimento que trabalha para a Merchant Securities.

Acredita-se que o esfriamento do mercado imobiliário afetará as vendas de produtos domésticos, que nos últimos anos foram alavancadas por compradores de casas novas que adquiriram eletrodomésticos, objetos de decoração e outros produtos domésticos.

E o fato de as bolsas de valores da China terem entrado em colapso, após um crescimento surpreendente em 2006 e 2007, também não tem ajudado. Os preços das ações em Hong Kong caíram cerca de 50%, e o índice composto de Xangai despencou 67% neste ano, anulando quase todos os ganhos obtidos nos dois anos anteriores.

Muitos economistas dizem acreditar que os pacotes governamentais de estímulo estabilizarão a economia chinesa e impedirão uma queda ainda mais acentuada do crescimento. Eles acreditam também que a economia poderá começar a recuperar-se na segunda metade de 2009.

Mesmo assim, muitos economistas dizem que a situação mudou, e permanecerá neste estado por algum tempo.

"Não esperem que a China volte a exibir índices de crescimento de dois dígitos nos próximos anos", diz Dong Tao, economista do Credit Suisse em Hong Kong.

* Keith Bradsher, em Guangzhou, contribuiu para esta matéria. Chen Yang contribuiu com pesquisas. UOL

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