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11/11/2008

Krugman - Franklin Delano Obama?

The New York Times
Paul Krugman
Colunista do The New York Times
De repente, tudo velho é novamente New Deal. Reagan está fora; FDR está dentro. Mas quanta orientação a era Roosevelt realmente oferece ao mundo de hoje?

A resposta é: muita. Mas Barack Obama deveria aprender com os fracassos de FDR assim como com suas realizações: a verdade é que o New Deal não teve tanto sucesso em curto prazo quanto em longo. E o motivo para o sucesso limitado de FDR em curto prazo, que quase desfez todo o seu programa, foi o fato de que suas políticas econômicas eram cautelosas demais.

Sobre as realizações do New Deal em longo prazo: as instituições que FDR construiu se mostraram tão duradouras quanto essenciais. Na verdade, aquelas instituições continuam sendo o alicerce da estabilidade econômica de nosso país. Imagine como a crise financeira seria pior se o New Deal não tivesse garantido a maioria dos depósitos bancários. Imagine quão inseguros os americanos mais velhos se sentiriam neste momento se os republicanos tivessem conseguido desmantelar a Previdência Social.

Obama pode realizar algo comparável? Rahm Emanuel, o novo chefe de gabinete de Obama, declarou que "você jamais quer que uma crise piore". Os progressistas esperam que o governo Obama, assim como o New Deal, reaja à atual crise econômica e financeira criando instituições, especialmente um sistema de saúde universal que mude a forma da sociedade americana nas próximas gerações.

Mas o novo governo não deve tentar imitar um aspecto menos bem-sucedido do New Deal: sua reação inadequada à Depressão em si.

Hoje existe toda uma indústria intelectual, operando principalmente nos bancos de cérebro da direita, dedicada a propagar a idéia de que FDR realmente piorou a Depressão. Por isso é importante saber que a maior parte do que vocês ouvem nesse sentido se baseia em interpretação deliberadamente enganosa dos fatos. O New Deal trouxe alívio real para a maioria dos americanos.

Dito isso, FDR na verdade não conseguiu formular uma plena recuperação econômica durante seus primeiros dois mandatos. Esse fracasso é muitas vezes citado como evidência contra a economia keynesiana, que diz que o aumento de gastos públicos pode pôr em movimento uma economia estagnada. Mas o estudo definitivo da política fiscal da década de 1930, pelo economista E. Cary Brown, do MIT, chegou a uma conclusão muito diferente: o estímulo fiscal não foi bem-sucedido "não porque não funciona, mas porque não foi experimentado".

Isso pode parecer difícil de acreditar. O New Deal famosamente colocou milhões de americanos na folha de pagamento pública através do Works Progress Administration e do Civilian Conservation Corps. Até hoje dirigimos em estradas construídas pelo WPA e mandamos nossos filhos para escolas construídas pelo WPA. Todas essas obras públicas não representaram um grande estímulo fiscal?

Bem, mas não foi tão grande quanto você poderia pensar. As conseqüências dos gastos com obras públicas federais foram amplamente superadas por outros fatores, notadamente um grande aumento de impostos aplicado por Herbert Hoover, cujos efeitos plenos só foram sentidos depois que seu sucessor assumiu o cargo. A política expansionista em nível federal também foi minada por cortes de gastos e aumentos de impostos em nível estadual e local.

E FDR não apenas relutava em seguir uma expansão fiscal completa - ele estava ávido para voltar aos princípios orçamentários conservadores. Essa avidez quase destruiu seu legado. Depois de uma vitória esmagadora na eleição de 1936, o governo Roosevelt cortou os gastos e aumentou os impostos, precipitando um relapso econômico que levou o índice de desemprego de volta para os dois dígitos e causou uma grande derrota nas eleições de meio de mandato de 1938.

O que salvou a economia e o New Deal foi o enorme projeto de obras públicas conhecido como Segunda Guerra Mundial, que finalmente se mostrou um estímulo fiscal adequado às necessidades da economia.

Essa história oferece lições importantes para o próximo governo.

A lição política é que os erros econômicos podem rapidamente minar um mandato eleitoral. Os democratas ganharam com folga na semana passada - mas ganharam com folga ainda maior em 1936, só para ver seus ganhos evaporar depois da recessão de 1937-38. Os americanos não esperam resultados econômicos instantâneos do próximo governo, mas esperam resultados, e a euforia dos democratas vai durar pouco se eles não produzirem uma recuperação econômica.

A lição econômica é a importância de fazer bastante. FDR pensou que estivesse sendo prudente ao conter seus planos de gastos; na verdade, estava assumindo grandes riscos com a economia e com seu legado. Meu conselho ao pessoal de Obama é descobrir de quanta ajuda eles acham que a economia precisa e então acrescentar 50%. Em uma economia deprimida, é muito melhor errar por excesso de estímulo do que por escassez. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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