UOL Notícias Internacional
 

11/11/2008

Um presidente 'cortês' recebe o presidente eleito

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg e Jeff Zeleny
Em Washington
Michelle Obama beijou levemente Laura Bush no rosto. O presidente eleito Barack Obama deu um tapinha atlético no ombro do presidente Bush. Com estes gestos simples, na tarde de segunda-feira no Pórtico Sul da Casa Branca, um antigo ritual da democracia americana - a transferência pacífica do poder - teve início oficialmente.

Para o país, era uma óbvia primeira vez que um afro-americano visitava a Casa Branca como presidente eleito. Mas para Barack Obama, a visita marcou uma série de primeiras vezes: sua primeira viagem de volta à capital do país desde sua vitória sobre o senador John McCain, na semana passada; sua primeira viagem de limusine em Washington - durante a campanha, Obama costumava viajar em um utilitário esportivo bem mais simples; sua primeira vez dentro do Escritório Oval, apesar de Obama já ter estado na Casa Branca antes, ele nunca colocou os pés dentro do gabinete que simboliza o poder americano ao redor do mundo.

A visita foi cuidadosamente coreografada para fornecer imagens de uma transição tranqüila e de uma recepção amistosa e calorosa à nova primeira-família, e os dois casais fizeram sua parte. Mas havia tanto conteúdo quanto estilo; a sessão ocorreu em meio a uma crise financeira que deixa Washington repleta de conversas sobre um segundo pacote de estímulo, um novo resgate à seguradora AIG e ajuda para os fabricantes de automóveis em dificuldades.

Por uma hora e cinco minutos, Bush e Obama se sentaram no Escritório Oval sem assessores ou secretários, e discutiram a crise econômica e os desafios de segurança diante do país. Antes do encontro, assessores de Obama disseram que ele provavelmente pressionaria Bush a oferecer ajuda imediata aos fabricantes de automóveis.

Mas depois, ambos os lados estavam cautelosos e se recusavam a revelar detalhes sobre a conversa, preferindo deixar as imagens falarem por si só.

"Boa, construtiva, relaxada e amistosa", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Dana Perino, resumindo as impressões de Bush.

"Foi um dia importante", disse o secretário de imprensa de Obama, Robert Gibbs, aos repórteres durante o vôo de volta a Chicago, acrescentando que Obama considerou o presidente "cortês".

"Não acho que o caracterizaria como boquiaberto", disse Gibbs sobre Obama. "O que ele me disse foi: 'É realmente um bom escritório'."

Os Obamas iniciaram o dia em Chicago, viajando separadamente para Washington para que Michelle Obama pudesse permanecer na cidade para procurar uma escola para as filhas do casal, Malia, 10 anos, e Sasha, 7. (Após a visita à Casa Branca, Michelle Obama foi vista na Georgetown Day School, uma das mais renomadas escolas particulares de Washington.)

Enquanto o avião de Barack Obama sobrevoava o Aeroporto Nacional Ronald Reagan, ele ofereceu um rápido vislumbre de sua nova residência do lado direito da aeronave. Mas o presidente eleito não pôde vê-la; ele estava sentado no lado esquerdo.

A visita à Casa Branca estava marcada para as 14 horas, mas o casal chegou 10 minutos mais cedo, sem dúvida agradando o sempre pontual Bush. Os homens estavam vestindo ternos azul-escuros, camisas brancas e gravatas azul-celeste; após os casais posarem para fotos no Pórtico Sul, os dois líderes puderam ser vistos caminhado ao longo da Colunata, além do Jardim das Rosas da Casa Branca, fazendo uma pausa por alguns momentos antes de passarem pelas portas de vidro do Escritório Oval para o primeiro de dois encontros privados.

Bush tem prazer em contar aos visitantes sobre o escritório, e assessores disseram que o presidente deu a Obama sua visita padrão, falando sobre as peças históricas - incluindo a mesa usada pelo presidente Kennedy, que ficou famosa quando o jovem John F. Kennedy Jr. foi fotografado espiando por debaixo dela- assim como as obras de arte inspiradas pelo Texas. Depois, os homens se juntaram às suas esposas, que nunca tinham se encontrado antes da segunda-feira, para uma visita à residência.

Para Michelle Obama, a visita foi uma chance de começar a organizar a logística da mudança de sua família - incluindo sua mãe, que ajuda a olhar as crianças. Para isso, ela se encontrou com uma das pessoas mais importantes da Casa Branca, o administrador Stephen W. Rochon, o funcionário chefe e diretor da residência executiva, que é responsável por tudo, dos jantares de Estado até a redecoração.

Laura Bush mostrou a Michelle Obama todos 33 cômodos do segundo e terceiro andares, disseram funcionários da Casa Branca, incluindo os quartos onde Malia e Sasha provavelmente morarão - os mesmos usados pelos filhos de Kennedy e Amy Carter, e pelas gêmeas de Bush durante as visitas de fim de semana quando o avô delas, o primeiro presidente Bush, ocupou a Casa Branca.

A visita passou a sensação de uma mudança de guarda política, com os assessores de Bush presentes no Gramado Sul se apresentando aos seus pares do governo Obama.

Perino, a secretária de imprensa, levou Gibbs, um assessor de longa data de Obama, ao seu escritório para discutir seu futuro posto como substituto dela. Reggie Love, o guarda-costas de Obama, também fez uma visita guiado por um assistente de Bush e vários outros jovens assessores foram apresentados à Ala Oeste.

O clima de expectativa não se restringiu ao Nº 1600 da Pennsylvania Avenue; enquanto a limusine preta dos Obamas seguia para a Casa Branca, centenas de pessoas se juntaram nas calçadas das ruas de Washington, esticando seus pescoços para ver. Quando a porta do carro abriu e o casal desceu para cumprimentar o casal Bush, ocorreu um som não familiar: vivas e aplausos do lado de fora do portão da Casa Branca. George El Khouri Andolfato

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