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12/11/2008

Crianças com obesidade ou colesterol alto apresentam sinais de alerta

The New York Times
Pam Belluck
Em Nova Orleans
Um novo estudo revela evidências notáveis de que as crianças que são obesas ou apresentam colesterol alto exibem os primeiros sinais de alerta de doença cardíaca.

O estudo, apresentado na terça na conferência da Associação Americana do Coração, em Nova Orleans, apontou que a espessura das paredes das artérias das crianças e adolescentes com obesidade ou colesterol alto lembra a espessura das paredes das artérias de uma pessoa de 45 anos.

Envolvendo 70 crianças com idades entre 6 a 19 anos, o estudo, ainda não publicado, foi pequeno e vários especialistas disseram que os resultados precisariam ser reproduzidos para serem considerados conclusivos. Mas eles disseram que o método usado para medir a espessura da parede da artéria é considerado um indicador confiável de risco de doença cardíaca, geralmente mais confiável do que os níveis de colesterol e outras medições. O método, que utiliza ultra-som, foi aplicado em crianças em outros estudos nos últimos anos, mas especialistas disseram que esta parece ser a primeira vez que resultados foram correlacionados com adultos.

"Eu acho que esta é uma bandeira vermelha", disse o principal autora do estudo, a dra. Geetha Raghuveer, uma cardiologista e professora associada de pediatria da Escola de Medicina da Universidade do Missouri, em Kansas City. "Estas crianças mais se assemelham a adultos de meia-idade."

Cientistas não envolvidos no estudo disseram que os resultados apóiam um crescente corpo de pesquisa sugerindo que a obesidade na infância nos Estados Unidos provavelmente resultará em doença cardíaca à medida que as crianças crescerem.

"Estes resultados são potencialmente consistentes com as previsões de que a obesidade e suas complicações resultantes transformariam doenças cardiovasculares em um mal pediátrico", disse o dr. David Ludwig, um professor associado de pediatria de Harvard, que foi co-autor de um estudo de 2005 prevendo que a obesidade poderia reduzir o tempo de vida médio de uma criança em dois a cinco anos.

"Há outros indicadores de que este pode ser o caso, mas grande parte deles são especulativos, de forma que estes podem ser dados significativos, que estavam fazendo falta. Isto está de fato apontando para o desenvolvimento da aterosclerose, o processo que sabemos que levará, se não tratado, a ataque cardíaco ou derrame."

A obesidade infantil é considera uma epidemia nos Estados Unidos, com cerca de 16% das crianças com idades entre 2 e 19 anos consideradas obesas, segundo os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Apesar do número de novos casos de obesidade infantil parecer estar estabilizando, alguns especialistas dizem que agora estão vendo um aumento da diabete tipo 2 em crianças, que acreditam ser uma conseqüência da maior obesidade.

O estudo de Kansas City foi um dos vários apresentados na conferência que se concentravam no elo entre obesidade infantil e doença cardíaca.

Outro estudo envolvendo 991 crianças australianas com idades entre 5 e 15 anos apontou que aquelas que eram obesas apresentavam uma maior dilatação do coração, medida pelo tamanho de seu átrio esquerdo, disse o líder do estudo, o dr. Julian G. Ayer, um pesquisador de cardiologia da Universidade de Sydney.

Outro estudo envolvendo 150 crianças de 10 anos, também na Austrália, apontou que no processo de bombeamento do coração, os ventrículos esquerdos se abriam mais lentamente nas crianças com maior índice de massa corporal, uma relação de peso e altura, disse um co-autor deste estudo, Walter Abhayaratna, um pesquisador da Universidade Nacional Australiana.

"Estes estudos são interessantes, um corolário imperfeito de algo que todos acreditamos ser verdadeiro", disse o dr. Lee Goldman, um cardiologista que é reitor das faculdades de saúde, ciências e medicina da Universidade de Colúmbia. "A epidemia de obesidade nos adolescentes é a maior bomba-relógio que temos em doenças coronárias. Estas são formas de alta tecnologia de adicionar mais evidência."

Goldman foi co-autor de um estudo publicado em dezembro de 2007 no "The New England Journal of Medicine", no qual um modelo por computador foi usado para prever se aumentariam as mortes por doença cardíaca nos Estados Unidos. Os autores previram que em 2035 haveria 100 mil casos adicionais de doença cardíaca atribuídos aos atuais casos de obesidade em crianças, uma estimativa particularmente digna de nota dado que os avanços no tratamento reduziram as mortes por problemas cardíacos nos últimos anos.

Outro estudo publicado na mesma revista na época reforçou ainda mais o elo entre a obesidade na infância e doença cardíaca. Analisando os registros de 276.835 dinamarqueses que foram examinados quando eram crianças em 1930, os pesquisadores da Dinamarca encontraram que quanto maior o índice de massa corpórea das crianças em 1930, maiores eram as chances de desenvolverem doença cardíaca.

Apesar de ser cedo demais para saber se a atual geração de crianças americanas sofrerá mais ataques cardíacos, derrames ou outros problemas cardíacos, ou experimentá-los mais cedo, muitos pesquisadores consideram alarmante a crescente corroboração de elos entre obesidade infantil e doença cardíaca. Ainda assim, Raghuveer disse que ainda há esperança para as crianças que ela estudou.

"Muitas das artérias dessas crianças, apesar de estarem nos estágios iniciais de aterosclerose, não estão endurecidas ou calcificadas, o quadro não está realmente avançado", ela disse. "Há muitas oportunidades para adoção de alterações no estilo de vida, sejam exercícios físicos, dieta ou até mesmo medicação. Talvez possa ser revertido." George El Khouri Andolfato

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