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12/11/2008

Líderes mundiais terão que aguardar posse para falar com Obama

The New York Times
Peter Baker
Em Chicago (EUA)
O mundo está aguardando o presidente-eleito Barack Obama, e alguns dos líderes mundiais mais proeminentes virão aos Estados Unidos neste fim de semana, insistindo para reunir-se com ele. Mas eles terão que continuar esperando.

Os líderes de 19 potências estrangeiras, incluindo o Reino Unido, a França, a Alemanha, a Rússia e a China, chegarão em Washington na sexta-feira para uma reunião emergencial de cúpula sobre a economia cujo anfitrião será o presidente Bush. Embora convidado, Obama preferiu ficar em Chicago, e não se encontrará com nenhum dos líderes separadamente.

Ocorrendo pouco depois da eleição da semana passada, a reunião se constitui em um momento desconfortável para o presidente-eleito e é um teste antecipado da forma como ele lida com a questão da diplomacia internacional. Neste momento em que os assessores estão ainda fechando os seus núcleos de campanha e mal começaram a montar uma equipe de governo, eles têm que esquivar-se do interesse de governos estrangeiros ansiosos por avaliar Obama e evitam vincular o presidente-eleito ao governo Bush.

Vários assessores de Obama, em entrevistas distintas, usaram a palavra "esquisita" para descrever a situação. Mas Robert Gibbs, um dos assessores do presidente-eleito, afirmou: "Embora alguns possam dizer que é estranho o fato de ele não participar da reunião, a presença de Obama seria bem mais problemática. Nós acreditamos firmemente que só há um presidente de cada vez".

A situação já gerou mal-entendidos. Uma autoridade do Kremlin disse a jornalistas em Moscou que o presidente da Rússia, Dmitri A. Medvedev, provavelmente vai se reunir com Obama durante a sua viagem aos Estados Unidos neste fim de semana, ainda que a equipe de Obama negasse isso.

O potencial para mal-entendidos ainda mais significantes ficou claro no último final de semana, quando um telefonema rápido e aparentemente superficial de Obama, retornando a ligação do presidente da Polônia, na qual este parabenizou o norte-americano pela vitória, provocou uma polêmica a respeito do que teria sido dito a respeito de um sistema de defesa anti-mísseis. Os assessores de Obama argumentaram que, se é possível que gere-se confusão em torno de um telefonema de cerca de cinco minutos, a perspectiva de reuniões pessoais mais longas com líderes estrangeiros neste momento estaria cercada de riscos. Ele ainda não designou sequer um secretário de Estado, um secretário de Tesouro ou um assessor de Segurança Nacional.

Em vez de organizar reuniões com o presidente-eleito, o que a equipe Obama está fazendo é arranjar encontros de representantes com as autoridades estrangeiras que visitam os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que enfatizam que Bush é o líder do país até 20 de janeiro. "Não é apropriado que duas pessoas apareçam nesta reunião", afirmou John D. Podesta, vice-diretor da equipe de transição de Obama.

A Casa Branca não expressou desapontamentos e prometeu trabalhar em sintonia com o presidente-eleito. "Nós continuamos trabalhando com a equipe de transição no que se refere à reunião de cúpula sobre a questão financeira, e vamos mantê-la informada", afirmou Gordon Johndroe, um porta-voz da Casa Branca.

Analistas veteranos de relações exteriores dizem que Obama está procurando agir com segurança e evita ser forçado a assumir posições em relação a questões que ele não está ainda autorizado a decidir. Ele tampouco que apossar-se dos problemas e decisões de Bush.

"Eu entendo por que ele não pode participar da reunião", afirmou o deputado Howard L. Berman, democrata pela Califórnia, e presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara. "E se o governo fizer uma sugestão com a qual ele não concorda? Ele deveria levantar-se e dizer alguma coisa? O seu silêncio significaria que concorda? Eu acho que ele está tomando a decisão correta".

Steven D. Krasner, ex-diretor de planejamento de políticas do Departamento de Estado no governo Bush, afirmou que Obama não deve assumir um papel que ainda não possui formalmente. "Pode parecer esquisito, mas o fato é que este é um governo que opera segundo a lei, e Obama não possui autoridade antes de tomar posse".

O período entre uma eleição e a posse muitas vezes gerou tensões e incertezas na área de relações exteriores. Lyndon B. Johnson queria que o seu sucessor apoiasse as negociações de paz com o Vietnã do Norte e conversações sobre armamentos com a União Soviética, mas Richard M. Nixon anulou essas iniciativas. O primeiro presidente Bush enviou tropas à Somália após a sua derrota na campanha pela reeleição mas antes da posse de Bill Clinton.

O protocolo que rege os primeiros contatos com líderes estrangeiros pode ser complicado e delicado. Tradicionalmente o primeiro líder estrangeiro a reunir-se com os novos presidentes estadunidenses após a posse é o primeiro-ministro do Canadá, em um reconhecimento do status singular deste país como vizinho e parceiro comercial.

Em janeiro de 1993, Clinton reuniu-se com o presidente do México no Texas como presidente eleito, provocando protestos do Canadá. Ele respondeu prometendo que o primeiro convidado recebido após a posse seria o primeiro-ministro canadense.

De forma similar, os canadenses ficaram irritados quando o atual presidente Bush tomou posse em 2001 e imediatamente agendou um viagem ao México. Bush corrigiu a situação trazendo o primeiro-ministro do Canadá a Washington para um encontro organizado às pressas antes da partida para o México.

Obama pediu "um esforço coordenado globalmente com os nossos parceiros do G20" durante uma escala de campanha em Miami, em setembro. Mas alguns dos seus assessores afirmaram que o momento da reunião, nesta semana, não foi escolha deles, e disseram que desejariam que houvesse uma forma educada de cancelar o encontro ou pelo menos adiá-lo.

Os assessores de Obama disseram que não seria prático organizar reuniões separadas com qualquer líder estrangeiro à margem da reunião de cúpula, até porque seria difícil reunir-se com apenas alguns, e não todos os 19 visitantes.

Peter D. Feaver, ex-assessor estratégico do Conselho de Segurança Nacional de Bush, afirmou que a reunião com visitantes estrangeiros neste momento deve ser uma questão de baixa prioridade. "Organizar e implementar reuniões sociais bilaterais desse tipo só consume tempo e energia da equipe, que precisa dedicar-se ao planejamento da transição e dos 100 primeiros dias de governo, à seleção de funcionários e assim por diante", disse ele. "Além do mais, os benefícios seriam muito pequenos". UOL

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