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13/11/2008

Coréia do Norte impede coleta de amostras em sítio nuclear

The New York Times
Choe Sang-Hunm
Em Seul (Coréia do Sul)
Em seu primeiro grande ato de desafio desde a eleição de Barack Obama, a Coréia do Norte disse na quarta-feira que proibirá os inspetores nucleares internacionais de coletarem amostras de solo e lixo nuclear, consideradas cruciais para determinar a extensão de seu programa de armas.

O Ministério das Relações Exteriores disse que os peritos americanos seriam autorizados a visitar o principal complexo nuclear em Yongbyon, ao norte de Pyongyang, para estudar documentos e entrevistar engenheiros, segundo a Agência de Notícias Central da Coréia, de controle do governo norte-coreano. Mas nenhuma amostra poderia ser coletada, ela disse.

A Coréia do Norte também disse que quaisquer inspeções por peritos americanos ou da ONU se limitarão a Yongbyon, onde um complexo nuclear baseado em plutônio está sendo desmontado. Essa limitação complica as tentativas de Washington de determinar se a Coréia do Norte está realizando um programa separado de enriquecimento de urânio, além de exportar tecnologia nuclear para países como a Síria.

A Coréia do Norte detonou um artefato baseado em plutônio em 2006, adicionando urgência às árduas negociações entre seis países para suspender o programa nuclear norte-coreano. Como parte de um possível acordo, a Coréia do Norte apresentou em junho uma declaração de suas atividades nucleares. O presidente Bush disse na época que estava preparado para remover a Coréia do Norte da lista de Estados que patrocinam o terrorismo e a Coréia do Norte demoliu a torre de refrigeração de seu complexo nuclear de Yongbyon.

Mas passaram-se meses até a Coréia do Norte ser removida da lista, enquanto os Estados Unidos discutiam com seus negociadores a forma de verificar a declaração nuclear norte-coreana e cresciam as críticas de que o governo Bush tinha obtido muito pouco da Coréia do Norte. Finalmente, em outubro, o Departamento de Estado anunciou que a Coréia do Norte tinha concordado em permitir o acesso "com base em consentimento mútuo" a sítios nucleares não declarados, assim como em "atividades periciais e de coleta de amostras".

A declaração da Coréia do Norte na quarta-feira contradiz isso, além de alertar que se os Estados Unidos se desviarem do documento conjunto "mesmo que apenas em uma palavra, isso poderia levar inevitavelmente a uma guerra".

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Robert Wood, disse que não podia confirmar a recusa da Coréia do Norte em permitir a coleta de amostras e a saída delas do país para análise, mas sugeriu que tal medida violaria o acordo para prosseguimento das ações recíprocas. O departamento disse que os Estados Unidos estavam fornecendo à Coréia do Norte 50 mil toneladas de óleo combustível pesado, que deverão chegar a bordo de dois navios no final de novembro e início de dezembro.

"Foi basicamente acertado que especialistas poderiam colher amostras e retirá-las do país para testes", disse Wood. "Assim, no meu entender, os Estados Unidos estão cumprindo sua parte em relação à ação por ação."

Na quarta-feira, a Coréia do Norte também disse que fecharia a travessia de fronteira com a Coréia do Sul a partir de 1º de dezembro, suspendendo as operações em um complexo industrial conjunto que é o último grande símbolo da reconciliação entre as Coréias.

Esse anúncio ocorreu após repetidos alertas da Coréia do Norte de que, após uma década de reconciliação na península dividida, as relações entre as duas Coréias estava se deteriorando por causa das posições mais duras do novo governo conservador da Coréia do Sul em relação ao Norte.

A interrupção do tráfego na fronteira deixará inativos os ônibus de turismo que levam os sul-coreanos a Kaesong, uma cidade coreana ancestral ao norte da fronteira. Kaesong também abriga uma zona industrial conjunta onde as fábricas sul-coreanas empregam mão-de-obra barata norte-coreana para produzir têxteis e utensílios de cozinha.

A Coréia do Norte abriu Kaesong aos turistas e fábricas sul-coreanas sob o governo anterior em Seul. Ela recebe o dinheiro altamente necessário de taxas cobradas dos turistas e salários das fábricas que totalizam cerca de US$ 3 milhões por mês.

Ao fechar Kaesong, a Coréia do Norte aparentemente está tentando pressionar Lee Myung-bak, o presidente conservador sul-coreano, cujo antecessor, Roh Moo-huyn, buscava uma política de reaproximação. Desde que Lee assumiu o governo em fevereiro, prometendo uma posição mais dura em relação à Coréia do Norte, as relações esfriaram rapidamente.

Kaesong é rotulada como um exemplo dos esforços sul-coreanos para transformar o Norte totalitário ao implantar o capitalismo. O complexo de Kaesong produziu US$ 366 milhões em bens no primeiro semestre deste ano e o fluxo dos bens representou 42% do comércio entre as duas Coréias.

Outro projeto turístico na Montanha do Diamante do Norte, na fronteira leste, foi suspenso neste ano, quando as duas Coréias brigavam em torno da morte a tiros de uma turista sul-coreana por militares norte-coreanos, em julho.

A Coréia do Sul chamou a mais recente ameaça do Norte de "lamentável", e as autoridades disseram que a Coréia do Norte precisará de tempo para se ajustar ao governo de Lee e à eleição de Obama.

Nos últimos meses, a Coréia do Norte protestou amargamente contra os panfletos de propaganda que ativistas sul-coreanos enviam ao Norte para criticar seu líder, Kim Jong-il. Os panfletos, espalhados por balões, agitaram Pyongyang em um momento em que há rumores de que Kim teria sofrido um derrame.

A eleição de Obama também aumentou as esperanças de alguns especialistas daqui de que os Estados Unidos se mostrarão mais dispostos a negociar um acordo com a Coréia do Norte. George El Khouri Andolfato

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