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14/11/2008

Do corte de cabelo a muitas outras coisas, mudanças chegaram para Obama

The New York Times
Peter Baker
Em Chicago
Há duas semanas, Barack Obama ia ao Hyde Park Hair Salon para cortar o cabelo. Ele cumprimentava os funcionários e outros clientes e sentava na mesma cadeira em frente ao mesmo barbeiro que cortou seu cabelo nos últimos 14 anos.

Mas quando ele quis cortar o cabelo nesta semana, o Serviço Secreto analisou as grandes janelas da barbearia e os turistas observando com admiração, em busca de um vislumbre do presidente eleito, e o plano mudou rapidamente. Se Obama não puder mais ir à barbearia, o barbeiro irá até ele e cortará seu cabelo no apartamento de um amigo.

A vida do novo presidente e sua família mudou para sempre. Mesmo as restrições e segurança da campanha eleitoral não se comparam à bolha que o envolveu nos 10 dias desde sua eleição. O Renegado, como o Serviço Secreto o chama, agora vive dentro dos limites rígidos que acompanham o cargo mais poderoso do planeta.

Ele optou para passar este intervalo antes de sua posse em 20 de janeiro em sua casa em Hyde Park, que de certa forma foi transformada em uma fortaleza de segurança para sua proteção. Após dois anos de discursos diários e comícios, ele se retirou para uma reclusão quase de eremita, em grande parte escondido da vista do público e avistado apenas quando deixa suas duas filhas na escola ou sai para se exercitar no ginásio no prédio de um amigo.

"Esta é uma tremenda transição pessoal, muito além do que qualquer um pode imaginar", disse Alexi Giannoulias, o tesoureiro estadual de Illinois e um amigo próximo. "Pequenas coisas como ir à academia, ir ao cinema, jantar com sua esposa, nada disse jamais será igual de novo. Coisas que consideramos certas."

Obama está adiando a mudança o máximo que pode ao permanecer em Chicago durante a transição. "Eu não vou passar muito tempo em Washington nas próximas semanas", ele disse para alguém em uma conversa por telefone, que foi ouvida pelos repórteres em seu avião fretado, na volta para Chicago após a visita à Casa Branca na segunda-feira.

De fato, ele permaneceu em Washington por menos de quatro horas para sua visita e conversa com o presidente Bush.

Obama ainda não tirou férias desde a eleição, já que está trabalhando para escolher os funcionários da Casa Branca, formar o Gabinete e formular as políticas. Mas amigos e assessores disseram que ele também está usando este tempo para se concentrar em sua família antes de se mudar para o endereço mais famoso do país.

As considerações pessoais também coincidem com o cálculo político. Ao permanecer em Chicago, é mais fácil para ele evitar ser arrastado para as decisões do governo de saída e isso pode acentuar o senso de mudança quando ele retornar a Washington como o novo presidente. Ele não estará presente, por exemplo, para o encontro de cúpula econômico que terá início na sexta-feira, nem para a sessão em fim de mandato do Congresso na próxima semana.

Mas os paramentos de sua vida estão cada vez mais presidenciais. Apesar de ainda não ter acesso ao Força Aérea Um, ele agora anda em uma limusine blindada do governo acompanhada de batedores, que passam pelo farol vermelho e interrompem o tráfego. Apesar do Serviço Secreto há muito tempo ter levantado barreiras de concreto ao redor de sua casa aqui, eles expandiram o perímetro em várias quadras após a eleição e trouxeram cães farejadores de explosivos.

"Está mudado", disse Mesha Caudle, 45 anos, que vive a um quarteirão dos Obamas. "É um pouco inconveniente, só um pouco, quando é preciso percorrer três quadras para ir à quadra vizinha. Mas eu não me importo, porque obtive o presidente no qual votei. Se o preço é um pouco de inconveniência, tudo bem."

A casa de Obama, comprada por US$ 1,65 milhão em 2005, é uma mansão no meio da racial e economicamente diversa área de Hyde Park-Kenwood, próxima da Universidade de Chicago, protegida por árvores, sem contar uma falange de agentes do Serviço Secreto e policiais de Chicago. O bairro é uma mistura de grandes casas, casas bem cuidadas de tijolos e prédios dilapidados. Do outro lado da rua, condomínios reformados custam a partir de US$ 190 mil. A poucas quadras, algumas casas estão tampadas com tábuas.

A maioria dos presidentes modernos tinha um rancho, fazendo ou propriedade facilmente isolada da comunidade ao redor. Obama é o primeiro desde Richard M. Nixon a ser eleito enquanto vive em um bairro urbano, e Nixon logo vendeu seu apartamento em Nova York e passou a se retirar durante sua presidência para refúgios exclusivos na Flórida e na Califórnia. Obama, por sua vez, deverá manter sua casa em Chicago.

As ruas ao redor da casa de Obama foram fechadas para o tráfego de fora. Os moradores agora exigem uma identificação nos postos de controle enquanto as autoridades checam as listas de pessoas pré-aprovadas. A Sinagoga KAM Isaiah Israel, do outro lado da rua, deu ao Serviço Secreto uma lista de 2 mil membros e visitantes regulares, que são checados por detectores de metal antes do serviço religioso. "Na verdade não é um inconveniente tão grande quanto parece", disse Linda Ross, a diretora executiva do templo.

Um administrador imobiliário tentando alugar apartamentos por US$ 750, a três portas da casa de Obama, disse que os interessados, faxineiros e prestadores de serviço precisam todos ser liberados. "Um dia após o discurso dele em Grant Park, as coisas mudaram drasticamente", disse o administrador, cujo chefe lhe disse para não dizer seu nome aos repórteres. "Antes a polícia de Chicago ficava ao redor da casa dele e havia uma barricada. No dia em que foi eleito, eles ampliaram a barricada para três quadras."

Para Obama, isso significa não mais parar casualmente no Medici para massas ou ir ao Valois para almoçar, ou fazer compras com as meninas na 57th Street Books, pelo menos não sem preparativos elaborados. Ele conseguiu levar sua esposa, Michelle, na noite de sábado ao Spiaggia, um restaurante italiano quatro estrelas no centro de Chicago, onde o futuro presidente adora o escalope assado.

Os Obamas freqüentam há anos o Spiaggia, com sua vista do lago, para o que chamam de "noite de encontro", inclusive no aniversário de casamento deles no mês passado e no aniversário de Michelle no início do ano. "São sempre apenas os dois", disse Tony Mantuano, o chef e co-proprietário. "Agora são apenas os dois e 30 agentes do Serviço Secreto."

O dia dele começa com o café da manhã com suas filhas, disseram os assessores, e ele as tem levado algumas vezes à escola. Para seus exercícios diários, ele usa o ginásio do prédio de apartamentos Regents Park, onde mora seu amigo, Mike Signator. Ele então segue para o gabinete de transição montado no Kluczynski Federal Building, onde recebe briefings diários de inteligência. Ele pode estar entrevistando candidatos ao Gabinete, mas ninguém dirá.

"Ele parece estar bastante concentrado na transição", disse o amigo dele, John W. Rogers Jr., presidente da Ariel Investments, que emprestou um espaço de escritório para Obama até o espaço federal estar disponível. "Isso não parece tê-lo mudado. Ele é o mesmo Barack envolvente, à vontade, no controle, de sempre. Isso me chamou a atenção, o fato de não tê-lo mudado."

Talvez ninguém mais saiba de algo assim tanto quanto o barbeiro de um homem. O barbeiro de Obama, Zariff, 44 anos, que só tem um nome, foi ao apartamento de Signator na terça-feira para realizar seu corte habitual de US$ 21 em Obama, e disse que seu velho cliente ainda parecia o mesmo. Ao chegar, Zariff lembrou, ele o chamou de "sr. Presidente" e Obama riu.

"Ele parece mais presidencial agora; ele está caminhando um pouco diferente", disse Zariff, que também se tornou uma celebridade local e está pensando em abrir uma barbearia em Washington. Obama não é mais o sujeito que caminha pelo bairro.

"Eu acho que ele sente muita falta disso", disse Zariff. "Mas é o preço da fama." George El Khouri Andolfato

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