UOL Notícias Internacional
 

14/11/2008

Do mundo inteiro chovem conselhos para Obama

The New York Times
Helene Cooper
Em Washington
Os russos querem que ele suspenda a instalação de um sistema de defesa anti-mísseis na Polônia. Os europeus desejam que ele renuncie à idéia de "mudança de regime" para o Irã, enquanto os israelenses querem ter certeza de que ele não dará sinal verde aos iranianos no que se refere a armas nucleares.

Nesta semana o Taleban divulgou uma declaração pedindo a ele que "ponha um fim a todas as políticas seguidas pelo seu partido de oposição, os republicanos, e retire as tropas norte-americanas do Afeganistão e do Iraque".

Há uma enormidade de conselhos para o presidente eleito Barack Obama. Segundo os assessores de Obama, minutos após a eleição do democrata, em 4 de novembro, os telefonemas dos governos estrangeiros tiveram início, e não cessaram mais.

Embora as primeiras conversas telefônicas entre Obama e líderes estrangeiros tenham se limitado a compromissos de futura cooperação e convites para visitas, aqueles líderes e os seus assessores vêm também entrando em contato com os assessores e representantes de Obama para apresentar sugestões de como o governo Obama deve conduzir, e modificar, a política externa dos Estados Unidos.

Há também sinais de que alguns governos estrangeiros estão se articulando para modificar o cenário do jogo político antes da posse de Obama. Por exemplo, apenas na última quarta-feira, a Coréia do Norte afirmou que não permitirá que inspetores internacionais retirem amostras de solo e de resíduos nucleares do se principal complexo nuclear; o Irã testou com sucesso um novo míssil de longo alcance e alegou que ele é capaz de alcançar o sudeste da Europa; e a Rússia rejeitou uma proposta dos Estados Unidos para reduzir os temores russos quanto ao projeto de um sistema de defesa anti-mísseis a ser instalado na Polônia e na República Tcheca.

As tentativas estrangeiras de influir na nova equipe são normais durante qualquer transição presidencial, mas, segundo especialistas em política externa, aceleraram-se neste caso, devido à natureza histórica da eleição de Obama e ao rumo significativamente diferente que os líderes mundiais esperam que ele siga na área de política externa norte-americana.

"Ouvimos muitas idéias importantes dos nossos amigos e aliados", diz Denis McDonough, um assessor de política externa de Obama. "Nós as escutamos com atenção para mostrarmos que somos parceiros que ouvem, enquanto o presidente eleito cria a sua agenda para atender aos interesses dos Estados Unidos no seu primeiro dia no cargo". Mas, segundo McDonough, até a posse a equipe de Obama vai se limitar a ouvir.

De acordo com diplomatas europeus, antes mesmo da eleição, os principais assessores de Obama (incluindo Anthony Lake, ex-assessor de Segurança Nacional) têm se reunido com autoridades européias, incluindo Pierre Vimont, o embaixador francês em Washington, e com Nigel Sheinwald, o embaixador britânico. Autoridades britânicas e francesas estão pedindo à equipe de Obama que trabalhe com os seus projetos e declarações antes de sentar-se para conversar com o Irã, por temerem que o compromisso de Obama de manter conversações abertas com os iranianos, sem o estabelecimento prévio de condições, gere problemas.

O governo Bush tem negado repetidamente que esteja procurando implementar uma mudança de regime no Irã. Mas a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e outras autoridades graduadas também negaram-se a dar qualquer garantia ao Irã quanto a isso, e têm afirmado publicamente que todas as opções estão sobre a mesa para confrontar o Irã em relação ao seu programa nuclear.

O vice-presidente eleito Joe Biden disse acreditar que o governo Bush deveria garantir à liderança iraniana que não tentará mudar o regime do país, como parte de um pacote de incentivos e sanções que os Estados Unidos e a Europa têm oferecido na esperança de afastar o Irã do seu programa nuclear.

Mas Obama tem sido um pouco menos claro. Em uma entrevista em setembro, ele afirmou: "Acho que é importante que enviemos um sinal de que não somos irredutivelmente favoráveis a mudanças de regime por si, mas que esperamos modificações de comportamento, e de que existem tanto recompensas quanto punições disponíveis para eles no que se refere a essas mudanças de comportamento".

Autoridades européias disseram que os assessores de Obama estão jogando as suas cartas com muito cuidado. "Eles vêm, ouvem e dizem: 'Muito obrigado'", diz um funcionário graduado de uma embaixada européia em Washington. Ele pediu que o seu nome não fosse revelado porque não tem autorização para falar publicamente sobre o assunto.

O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, disse durante um café-da-manhã com jornalistas em Washington nesta semana: "Acho que a personalidade de Obama pode fazer uma diferença em relação à questão do Irã". Mas Kouchner também pediu que Obama exerça cautela, e utilizou um discurso na Brookings Institution para advertir que não se deve enfraquecer as medidas cuidadosamente planejadas dos dois lados do Atlântico, mas até o momento sem sucesso, para controlar as ambições nucleares de Teerã.

Israel também tem feito pressões. Obama recebeu um telefonema de congratulações do primeiro-ministro Ehud Olmert na semana passada, e Biden telefonou para os principais candidatos à sucessão de Olmert - Tzipi Livni, Ehud Barak e Benjamin Netanyahu - na terça-feira, segundo relato de autoridades israelenses.

Uma autoridade graduada israelense afirmou que o governo de Israel está em contato com assessores próximos de Obama, especialmente com Dennis B. Ross, que foi o enviado do presidente Bill Clinton ao Oriente Médio. "Para nós, o problema é o Irã", disse a autoridade, acrescentando que Israel deseja ter certeza de que Obama lidará com a questão iraniana tão logo tome posse. "Não podemos suportar a existência de um vácuo".

A Rússia também já fez uma proposta, relativa a uma questão muito importante para Moscou. Em 7 de novembro, o vice-ministro das Relações Exteriores, Alexander Grushko, afirmou que a Rússia não instalaria mísseis em Kaliningrado, um enclave russo que faz fronteira com a Polônia, caso Obama anulasse o plano do governo Bush para a implementação de um sistema de defesa anti-mísseis. Obama disse aos seus eleitores que apóia um sistema anti-mísseis, contanto que a tecnologia utilizada seja funcional e eficiente sob o ponto de vista dos custos.

Quanto ao Taleban, parece improvável que Obama ceda aos pedidos do grupo de que as tropas dos Estados Unidos sejam retiradas do Afeganistão. Durante a campanha, ele disse que, ao contrário, aumentaria o número de brigadas de combates dos Estados Unidos naquele país.

Mas ainda há espaço para negociação. Juntamente com as suas críticas usuais ao governo Bush, o Taleban pediu a Obama, em uma declaração, que "respeite os direitos do povo à independência e observe as normas de direitos humanos".

"Em suma", disse o comunicado do Taleban, "ele deveria criar uma política que enviasse uma mensagem de paz a um mundo atingido pela guerra". UOL

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