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15/11/2008

Para os altos executivos, um impacto multibilionário

The New York Times
Floyd Norris
Você anda desgostoso com o tamanho do seu prejuízo com a queda do mercado de ações? Pelo menos você não tem um monte de opções de ações.

Uma pesquisa dos prejuízos com títulos sofridos por 175 altos executivos de companhias norte-americanas revela que eles perderam um total de US$ 52,3 bilhões até 27 de outubro, quando o mercado de ações atingiu patamares baixos recordes que se repetiram nesta semana.

Na verdade, US$ 15,9 bilhões, ou quase um terço dessa cifra, foram perdidos pelo homem mais rico dos Estados Unidos, Warren E. Buffett, cujas ações na Berkshire Hathaway ainda valiam US$ 45,8 bilhões.

A pesquisa, feita pela firma de consultoria de compensações Steven Hall and Partners, examinou as carteiras e opções de ações declaradas por altos executivos das companhias Fortune 200 - geralmente aquelas que registraram as maiores vendas no país, tanto ao final do mais recente ano fiscal da empresa quanto em 27 de outubro. Os executivos cujas companhias foram compradas, ou que anunciaram datas de aposentadoria, ficaram de fora, o que resultou em uma lista de 175 executivos.

A maior parte dos prejuízos atingiu um punhado de altos executivos que são também fundadores de suas companhias, e que, portanto, possuíam muitas ações. Em média, os integrantes do grupo formado pelos 10% dos patrões mais ricos - apenas 18 indivíduos - perderam cada um US$ 2,2 bilhões. Porém, isso representou apenas 33% da queda, fazendo com que eles amargassem um prejuízo muito menor, em termos proporcionais, do que os dos seus colegas menos ricos.

Para aqueles executivos cujas carteiras constituíam-se em grande parte em opções de ações, em vez de ações, o declínio em termos de riqueza foi grande. As opções permitem que o acionista compre ações a um preço fixo, e que, desta forma, multiplique os lucros no circuito acionário ascendente. Mas as opções também multiplicam os prejuízos na descendente. De forma geral, as opções perderam 76% do seu valor.

Esses prejuízos estão bem mais disseminados agora do que na última crise, que terminou em 2002. Naquela época as maiores quedas deram-se em um punhado de indústrias. Mas, neste ano, as perdas atingiram praticamente todas as companhias. E, é claro, elas atingiram também os executivos de toda a escala hierárquica.

A pesquisa Hall cobriu também os principais executivos financeiros, que perderam 54% da sua riqueza em securities de suas companhias.

O gráfico em anexo mostra a fortuna média dos altos executivos em três grupos. Além do grupo que está no topo, há o de 10% dos altos executivos que tinham a menor fortuna antes da queda, e que sofreram prejuízos de 59%, e os 80% na escala intermediária, cujos títulos despencaram 55%.

É claro que os números não revelam as fortunas totais, porque estas não refletem a posse de outras securities ou imóveis, embora seja provável que esses bens e ativos também tenham perdido valor. E eles tampouco refletem qualquer quantia que os patrões possam dever. Aqueles que tomaram dinheiro emprestado usando o valor dos seus títulos negociáveis podem estar sofrendo mais do que os números indicam.

Os membros do grupo mais pobre ainda estão em boa situação, e ainda contam com empregos muito bem pagos. Mas pelo menos dois deles não possuem mais nas suas companhias títulos negociáveis valendo US$ 1 milhão, conforme indicam os cálculos da Hall.

Os gráficos mostram o valor de quatro tipos de holdings - ações de companhias de posse direta; ações que ainda não são de direito adquirido (vested), mas que serão nos próximos anos; opções que poderiam ter sido exercidas, mas que não foram; e opções que ainda não são de direito adquirido. As securities "unvested" passarão a ser de direito adquirido se o executivo permanecer na companhia ou, em alguns casos, se as metas de desempenho forem atingidas. Os valores das opções refletem o lucro que seria obtido se o executivo executasse as opções e vendesse as ações.

Nos últimos sete ou oito anos, as ações restritas representaram uma parcela relativamente rara dos pacotes de compensação. Mas após os escândalos de 2001, as opções foram criticadas por incentivarem os executivos a assumir riscos, já que havia a possibilidade de um lucro desproporcional devido ao aumento rápido de preços. Isso levou a mais uso de ações restritas, e os executivos deveriam sentir-se gratos por isso.

Dito isso, os 175 executivos apresentaram ações restritas no valor de US$ 2,9 bilhões, e opções no valor de US$ 4,8 bilhões, ao fim dos seus anos fiscais. Em 27 de outubro, esses valores eram de US$ 1,6 bilhão e US$ 1,2 bilhão.

Acrescente-se a isso a queda dos salários altos de Wall Street, e esta poderá ser uma péssima temporada de festas de fim de ano para aqueles lojistas especializados na clientela mais rica. UOL

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