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16/11/2008

Uma história pessoal com os Packers

The New York Times
Vincent M. Mallozzi
Quando Lee Remmel tornou-se torcedor do Packers no final dos anos 20,
Lambeau ainda era o nome de um jogador e não de um campo de futebol.

"Lambeau era sensacional, mas conforme fui ficando mais velho comecei
a admirar Don Hutson", disse Remmel sobre Hutson, um recebedor veloz
dos anos 30 e 40. "Acreditava-se que ele podia correr 100 jardas em
9,5 segundos, o que é incrível."

Remmel teve um relacionamento profissional de 62 anos com os Packers,
time fundado pelo jogador Curly Lambeau. Como repórter do jornal The
Green Bay Press-Gazette e depois como relações públicas do Packers,
Remmel trabalhou com todos os 14 principais treinadores da história do
time, incluindo Vince Lombardi.

"Encontrei-o pela primeira vez em 1959, quando ele veio ao Packers
como treinador e gerente geral", diz Remmel, 84. "Ele não era uma
pessoa fácil de se gostar, ou desgostar. Ele fazia as coisas do jeito
dele, e era melhor você seguir esse jeito ou então teria problemas".

Remmel começou a cobrir o Packers para o The Press-Gazette em 1945. Em 1974, o Packers o surpreendeu com uma oferta para coordenar o departamento de relações públicas do time.

Remmel disse: "Eu estava no meio de uma ligação de longa distância
entrevistando Dan Devine, que na época era o técnico principal do
Packers, quando do nada ele pergunta: "Você estaria interessado em
trabalhar para nós?" Alguns dias depois, entrevistei Dominic
Olejniczak, presidente do time, que era um administrador bastante
frugal. Bem, começamos a negociar e eu disse simplesmente: "Veja, eu
já tenho um bom emprego, então se você me quiser, é isso que estou
pedindo'."

Eles entraram num acordo e Remmel ficou no emprego até 2004, quando
tornou-se o historiador do time. A NFL [Liga Nacional de Futebol
Americano] o reconhece como um dos 12 membros da mídia a trabalhar
durante os primeiros 40 Super Bowls [finais de campeonato].

"Ele é um ícone dos Packers", disse o jogador quarterback Brett Favre
numa declaração feita quando Remmel se aposentou no ano passado.
"Nunca haverá outro como ele."

Remmel planeja estar no Campo Lambeau no domingo para ver seu 124º
jogo entre os Bears e os Packers.

"Eu não desprezo os Bears, eu respeito os Bears", disse. "Eles são a
outra metade do que eu considero como a melhor rivalidade dos esportes
profissionais". Remmel, que cresceu em Shawano, Wisconsin, e
sobreviveu a um tumor no cérebro quando tinha 15 anos, é membro do
Hall da Fama do Packers.

"Apesar de ter ficado muito doente entre os 10 e 15 anos de idade, ele
viveu para ter uma carreira incrível", disse Noreen Remmel, sua mulher
há 60 anos. "Ele sempre trabalhou duro para os Packers, e o time de
fato reconhece isso".

Tendo passado metade de sua carreira como alguém de fora olhando para
o time, e a outra metade como alguém de dentro zelando pelos
interesses do time do lado de fora, Remmel considera a si mesmo
"bastante sortudo" por ter presenciado todos os campeonatos da NFL em
Green Bay, incluindo o 1º e 2º Super Bowls com Lombardi, e o 31º Super
Bowl com Favre no comando.

Remmel lembra-se de ir ao seu primeiro jogo dos Packers com seu pai.
Eles viram a vitória de 42 a 28 contra os Bears em 24 de setembro de
1944, no City Stadium, em Green Bay. Remmel também se lembra do
primeiro jogo dos Packers que ele cobriu para o The Press-Gazette em 7
de outubro de 1945.

"Don Hutson pegou quatro passes para o touchdown e chutou cinco pontos
extras contra o Detroit Lions", disse ele sobre a vitória de 57 a 21
do Green Bay no State Fair Park em West Allis, Wisconsin, perto de
Milwaukee. "Do ponto de vista do placar, esse foi o melhor jogo que eu
já vi".

Histórias como fazem parte do que é provavelmente a maior memória viva da NFL.

"Eu tenho que pensar um bom tempo para encontrar alguém como Lee, que era parte da velha guarda da NFL e que hoje ainda está por aí", diz
Gil Brandt, ex-chefe de pessoal do Cowboys, que hoje analisa a liga
para o site NFL.com. "De fato, é quase impossível encontrar alguém que
está aí desde o começo como Lee".

Durante o período de Remmel com os Packers, outro momento se
sobressaiu. "De modo geral, eu diria que foi a saída furtiva para a
vitória de Bart Starrs para vencer o Ice Bowl de 1967", disse.

Sobre Starr, Remmel diz: "Ele era um jogador brilhante de futebol
americano e um capitão extremamente eficiente que ganhou cinco
campeonatos em sete anos. Ele era também um exemplo perfeito para as
crianças".

Mas Hutson continuava sendo o jogador favorito de Remmel até que Favre
apareceu em 1992.

"Fico chateado que ele não esteja mais conosco", disse Remmel sobre
Favre, que saiu da aposentadoria para se juntar aos Jets nessa
temporada. "Passei 16 anos ao lado dele, e nós dividimos muitas boas
memórias. Eu sempre pensei que ele seria um Packer até o fim da vida,
e de fato odiei o fato de ele ter ido embora."

Remmel não vai a lugar nenhum.

"Eu tive a sorte de ser parte dessa incrível jornada com os Packers e,
para mim, a jornada continua", disse ele. "Na verdade, temos outro
jogo no domingo." Eloise De Vylder

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