UOL Notícias Internacional
 

17/11/2008

Reunião de pais com o presidente

The New York Times
Rachel L. Swarns
Em Washington (EUA)
Numa cidade cheia de rumores acerca de tudo, Barack Obama, estudiosos da política e membros do governo têm sussurrado e imaginado quem será quem no novo Gabinete. Mas para os pais no poder da capital nacional, existe outra questão mais premente.

Onde é que as filhas de Obama irão estudar?

Michelle Obama visitou pelo menos duas das escolas particulares de mais prestígio de Washington na semana passada - Sidwell Friends School e Georgetown Day School - e instigou um frenezi de imaginação, fofocas e piadas de bom gosto na elite de Washington. A Maret School, outra escola exclusiva, também parece estar na lista de preferência para as filhas do presidente, Malia, 10, e Sasha, 7.

Com anuidades que podem passar dos US$ 28 mil, essas escolas de tendências liberais têm estado repletas de herdeiros de senadores, deputados, financistas, diplomatas, acadêmicos, advogados, jornalistas e até mesmo de alguns presidentes americanos.

Entre os pais ilustres estão vários conselheiros de Obama. Eric H.
Holder Jr., um dos mais cotados para promotor geral, tem filhos na Georgetown Day. Susan E. Rice, consultora de política internacional, tem um filho na Maret. E o senador Joe Biden, vice-presidente eleito, tem netos na Sidwell.

A competição escolar atraiu a atenção numa cidade em que as personalidades e instituições normalmente colocam um prêmio no acesso ao poder político. Mas a decisão dos Obama também é acompanhada de perto porque é capaz de revelar a sensibilidade do presidente eleito e de sua mulher enquanto pais.

Será que os Obama escolherão a Sidwell, administrada pelos Quaker, fundada em 1883 e descrita por alguns como a Harvard das três escolas?
(Sidwell já educou filhos de dois presidentes: Theodore Roosevelt e Bill Clinton.)

Ou sera que escolherão a Georgetown Day, que se tornou a primeira escola integrada de Washington em 1945 e é conhecida pela sua informalidade (os alunos chamam os professores pelo primeiro nome) e sua ênfase na diversidade e justiça social? Ou escolherão a Maret, escola menor e mais privada fundada em 1911, que permitiria à família manter as duas meninas num só campus fechado?

Os Obama e seus auxiliares recusaram-se a discutir as inclinações da família, e ninguém sabe como a escolha poderá afetar afinal a paisagem social de Washington. Autoridades da cidade dizem que os Obama não visitaram nenhuma escola pública, e suas filhas, que freqüentam uma escola particular em Chicago, não devem mudar de direção.

Mas esses são apenas detalhes. Por toda a cidade, os pais já sonham com conversas casuais com o presidente e a primeira-dama nos treinos de futebol e reuniões de pais e mestres, enquanto as garotinhas se entusiasmam com a possibilidade de dormir na Casa Branca com as filhas do primeiro presidente negro do país.

"Com esse presidente em especial, há muito entusiasmo", diz Natalie Wexler, uma escritora cuja filha viu Michelle Obama rapidamente em Sidwell na última segunda-feira. "Qualquer coisa ou pessoa ligada a ele provocará entusiasmo".

A história, é claro, não é a única consideração.

Michael Kazin, historiador de política Americana na Universidade de Georgetown, disse que alguns pais e administradores estão focados no prestígio que os Obama poderiam trazer para qualquer escola e para os alunos e famílias associados a ela.

"Não importa qual seja a ideologia do presidente eleito ou a qual partido ele pretence, as pessoas privilegiadas em Washington sempre querem se tornar um pouco mais privilegiadas", diz Kazin, que tem uma filha na Maret.

"É claro que muitos dos pais que tem filhos nessas escolas gostariam que os Obama fossem para sua escola", disse ele. "Eles querem que o seu nicho particular na comunidade tenha mais valor".

Administradores escolares, membros das instituições e pais com conexões políticas ficam indignados com a idéia de que eles teriam feito algum tipo de lobby pesado pelas filhas de Obama, apesar de alguns terem oferecido conselhos amigáveis à família. De fato, Michelle Obama já procurou várias pessoas importantes com experiências diretas nas escolas.

Ela ligou para a senadora Hillary Clinton no dia seguinte à eleição para discutir as alegrias e desafios de criar os filhos na Casa Branca, dizem os assessores de Clinton.

E Beth Dozoretz, uma doadora democrata importante, disse que Michelle Obama perguntou a ela sobre Sidwell há alguns meses. Ela disse que encorajou Michelle Obama a considerar a escola, mas enfatizou que a cidade tem várias instituições particulares excelentes, incluindo a Georgetown Day.

Dozoretz também entregou um bilhete de sua filha de dez anos, Melanne, que ficou eufórica com a perspectiva da presidência de Obama e com a possibilidade de que as meninas fossem estudar em sua escola. ("Eu adoro Sidwell porque aprendo muito lá", escreveu Melanne num bilhete para Michelle Obama.)

"É claro, qualquer um ficaria feliz de ter a família em sua escola", diz Dozoretz. "É a família presidencial. Mas eu realmente sinto que eles irão fazer o que é certo para a família. É uma decisão muito pessoal."

Auxiliares de Barack Obama e de sua mulher recusaram-se a comentar se Biden ou algum outro conselheiro de Obama ligado às três escolas estava torcendo silenciosamente (ou abertamente) para suas favoritas.

Carl Sferrazza Anthony, historiador que escreveu sobre as famílias presidenciais, disse que o fascínio do público com o processo de decisão sobre a escola floresceu nos anos 70 quando o presidente Jimmy Carter fez questão de mandar sua filha, Amy, para uma escola pública em Washington. Os Clinton atraíram enorme atenção - e algumas críticas - quando matricularam Chelsea na Sidwell. (Ela estudava em escola pública antes de seu pai tornar-se presidente.)

"Agora essas decisões são com freqüência analisadas sob o ponto de vista de que tipo de mensagem irão enviar ou o que irão simbolizar", disse Anthony. "Mas a verdade é que a maioria das famílias presidenciais era da elite dominante. Então as crianças tendem a ir para escolas particulares."

As filhas de Obama estudam na Escola Experimental da Universidade de Chicago, uma instituição privada progressista que tem cerca de 1.700 alunos e é maior do que qualquer uma das escolas em consideração aqui.
A anuidade chega a US$ 21.480.

Isso não impediu que o prefeito Adrian M. Fenty e sua secretária de educação, Michelle Rhee, fizessem lobby pelas escolas públicas de Washington. As autoridades apresentaram várias opções para a família Obama, disse m porta-voz da prefeitura.

"Nosso objetivo é que as escolas públicas do D.C. sejam uma opção tão séria quanto qualquer escola particular ou comunitária , não apenas para os Obama, mas para qualquer família que estiver tomando essa decisão", disse Fenty na semana passada para a MSNBC.

Fenty, entretanto, manda seus filhos para uma escola particular, ainda que não seja Sidwell, Georgetown Day ou Maret. (Os filhos de Rhee freqüentam a escola pública.)

E enquanto a decisão entre a escola pública e a particular pode às vezes ser angustiante para alguns profissionais negros, que temem isolar seus filhos, pelo que se sabe esse não é um problema para os Obama.

Washington é uma cidade tipicamente segregada socialmente, mas as escolas que os Obama estão considerando apelam para a elite independentemente da barreira de cor. (Holder e Rice, os dois conselheiros de Obama, são afro-americanos.)

Os administradores de Sidwell dizem que seu corpo de alunos é 13% negro. Funcionários da Georgetown Day e da Maret dizem que suas escolas são 20% afro-americanas. (Autoridades das Escolas Experimentais de Chicago dizem que a população lá é 10% negra.)

E para muitos pais e alunos negros, o burburinho tem sido uma sensação. Dylan McAfee, uma menina negra da segunda série na Georgetown Day, encontrou Michelle Obama na última segunda-feira e ficou fascinada desde então. "Eu toquei a mão dela e ela tinha cheiro de cerejas", disse.

Malia e Sasha Obama são o assunto do momento na escola e na cidade, diz a mãe de Dylan, Anita LaRue-McAfee, que é advogada.

Segundo ela, é a primeira vez que vê as pessoas influentes de Washington totalmente alvoroçadas por causa de duas alunas negras.

"Eis duas meninas que todo mundo está paparicando, e elas se parecem com minha filha", disse LaRue-McAfee. "É por isso que estou entusiasmada". Eloise De Vylder

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