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18/11/2008 - 01h18

Tratamento de infertilidade pode gerar defeitos congênitos em bebês

Denise Grady
Um novo estudo revelou que crianças concebidas com o auxílio das técnicas comumente utilizadas em clínicas de fertilidade correm risco dobrado, ou até quadruplicado, de apresentar defeitos congênitos do que os bebês concebidos naturalmente.

A descoberta aplica-se apenas aos nascimentos de um só bebê, e não de gêmeos ou outros múltiplos. Os defeitos incluem problemas do coração, fissuras lábio-palatinas e anomalias no esôfago e no reto. Mas estes casos são raros, afetando geralmente não mais que um bebê em cada 700 partos, de forma que o risco médio ainda é baixo, mesmo após os tratamentos de infertilidade. A fissura de lábio, por exemplo, ocorre em um em cada 950 nascimentos nos Estados Unidos, e o estudo revelou que o risco dobrou, para aproximadamente um em 425, entre os bebês concebidos com o auxílio dos tratamentos de infertilidade.

Os procedimentos que aumentaram o risco foram as chamadas técnicas reprodutivas assistidas, como a fertilização in vitro, que requer que médicos e técnicos trabalhem com óvulos e espermatozóides fora do corpo humano. O estudo não incluiu mulheres que apenas tomaram medicamentos de fertilidade e que não passaram por qualquer outro procedimento médico.

"Creio que é importante que os casais levem em conta o fato de que pode haver um risco de defeitos congênitos", opina Jennita Reefhuis, epidemiologista do Centro para o Controle e a Prevenção de Doenças, e a primeira autora do estudo, que foi publicado online no último domingo no periódico "Human Reproduction".

Mas Reefhuis disse também que, embora o estudo tenha vinculado os procedimentos para o tratamento da infertilidade a defeitos congênitos, ele não provou que existe uma conexão entre os dois fatores e tampouco explicou tal relação. Se a conexão de fato existe, não se sabe se os procedimentos aumentam o risco de defeitos congênitos ou se é a infertilidade em si que eleva esse risco.

"Os médicos especialistas em fertilidade poderão não acreditar nas descobertas que eu fiz", diz Reefhuis.

O médico James A. Grifo, diretor da clínica de fertilidade do Centro Médico da Universidade de Nova York, afirma: "A boa notícia é que o risco é pequeno".

Grifo diz que mais pesquisas são necessárias para testar as descobertas, já que o estudo incluiu apenas 281 mulheres que submeteram-se a técnicas para o aumento da fertilidade. Ele afirma que se a associação entre estas técnicas e os defeitos congênitos for real, é mais provável que a causa subjacente esteja relacionada à infertilidade das pacientes do que aos tratamentos.

"Os resultados são preocupantes, mas como a amostra de pacientes é pequena, é necessário que se faça um estudo maior", diz Grifo. "O fato de eles só terem analisado os casos de bebês únicos, e não os de gêmeos, faz com que eu tenha dificuldade em acreditar que exista uma relação direta".

Gêmeos e outros múltiplos correm um risco maior de defeitos congênitos do que os bebês únicos, e não se sabe se o tratamento da infertilidade faz aumentar esse risco.

Alan R. Fleischman, vice-presidente e diretor de medicina da fundação March of Dimes, afirma: "Creio que este estudo é importante. Ele confirma uma tendência que vinha nos preocupando, um aumento de alguns defeitos estruturais de nascimento em bebês gerados com a assistência de técnicas reprodutivas, em relação àqueles nascidos sem o auxílio destas técnicas. Mas os números ainda são pequenos. Os riscos são baixos".

Fleischman afirma que as mulheres que estiverem cogitando fazer um tratamento da infertilidade devem ser informadas de que pode haver um risco de defeitos congênitos. "No entanto, elas não precisam ficar demasiadamente preocupadas", acrescenta Fleischman.

Em 2005, nasceram nos Estados Unidos cerca de 52 mil crianças geradas por meio da fertilização in vitro e outras técnicas relacionadas. O número de crianças geradas desta forma dobrou entre 1996 e 2004. Atualmente, cerca de 12% das mulheres dos Estados Unidos de 15 a 44 anos procuram os tratamentos da infertilidade.

Os pesquisadores utilizaram informações já coletadas por um grande projeto financiado pelo governo, o estudo denominado Prevenção Nacional de Defeitos Congênitos.

Reefhuis e os seus colegas compararam 9.584 mulheres que tiveram filhos com defeitos congênitos, e um grupo de 4.792 mulheres cujos filhos nasceram sem defeitos. No grupo de controle, 1,1% da mulheres (51) passaram por procedimentos para aumento da fertilidade. Já no grupo daquelas cujos filhos nasceram com defeitos, este número foi de 2,4% (230). O aumento do risco entre aquelas que submeteram-se às técnicas para aumento da fertilidade não tem relação com idade, renda, número de filhos anteriores nem com o fato de os bebês nascerem prematuramente ou não.

Fleischman reconheceu que o número de mulheres que passaram por técnicas para o aumento de fertilidade foi pequeno, mas, ele acrescentou: "Estes são grupos bastante estudados, e eles geram os melhores dados que temos".

O estudo incluiu informações sobre 281 nascimentos de bebês concebidos com o auxílio de técnicas para o tratamento da infertilidade e 14.095 de crianças geradas de forma natural.

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