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20/11/2008

Clintons disseram que aceitam os termos estabelecidos por Obama enquanto prosseguem as negociações

The New York Times
Peter Baker e Helene Cooper
Em Washington
O ex-presidente Bill Clinton concordou com todas as condições apresentadas pela equipe de transição do presidente eleito Barack Obama para eliminar possíveis conflitos de interesse caso Hillary Rodham Clinton se torne secretária de Estado, disseram pessoas próximas dos Clintons na quarta-feira.

Bill Clinton aceitou várias restrições aos seus negócios e atividades filantrópicas para remover quaisquer obstáculos à indicação de sua esposa caso o cargo no Gabinete seja formalmente oferecido e aceito, disseram os associados, que insistiram em seu anonimato porque estavam revelando negociações confidenciais. "Eu farei o que eles quiserem", disse Clinton em uma aparição pública na quarta-feira.

As discussões ocorreram enquanto Obama prossegue na formação da equipe que levará ao governo em janeiro. Obama decidiu indicar Thomas A. Daschle, o ex-líder democrata no Senado, como secretário da Saúde e Serviços Humanos, disseram os assessores de Obama na quarta-feira. Daschle aceitou a oferta, o que o tornaria uma figura chave no plano ambicioso de Obama de ampliação da cobertura de saúde.

Apesar de que a indicação de Daschle não será oficialmente anunciada por ora, a equipe de transição já divulgou vários dos prováveis indicados para a Casa Branca na quarta-feira. Entre eles estão David Axelrod, que foi o estrategista chefe de campanha de Obama e agora servirá como alto assessor do presidente, e Gregory B. Craig, que foi o advogado de defesa de Bill Clinton no processo de impeachment e agora servirá como consultor jurídico da Casa Branca.

Mas Washington continuou atenta ao drama em torno do destino de Hillary Clinton e a possibilidade de que Obama possa trazer sua mais dura rival nas eleições primárias democratas ao seu Gabinete. Os assessores de Obama disseram que as negociações estão transcorrendo bem, mas não diriam se chegaram a um acordo para evitar conflitos de interesse, como indicou o campo de Clinton.

Mesmo se as diretrizes para as futuras atividades de Bill Clinton estiverem próximas de serem resolvidas, Obama e Hillary Clinton ainda precisam saber se conseguirão deixar de lado o rancor de sua longa e amarga batalha nas primárias para trás. Os dois lados têm uma base sobre "o que ele precisa fazer para atender as preocupações que a vetariam, e isto dá a ela uma oportunidade de considerar o cargo apenas com base nos méritos", disse uma pessoa próxima dos Clintons.

Ambos os lados estavam envolvidos em uma delicada dança pública e privada, realizando manobras de posicionamento e reputação para o caso do acordo fracassar. Assessores de cada campo têm se tornado cada vez mais amargos uns em relação aos outros nos últimos dias, à medida que o assunto passou a se desdobrar publicamente.

Em seus sinais públicos, os Clintons estão buscando retirar da mesa as atividades do ex-presidente como sendo uma questão, no entender deles eliminando quaisquer desculpas para Obama não dar o cargo para Hillary Clinton. Alguns no campo de Obama estão irritados com o que consideram vazamentos estratégicos pelos Clintons, visando encurralar o presidente eleito e forçá-lo a oferecer o cargo.

A tensão poderia prenunciar um relacionamento complexo, cheio de suspeita e inimizade, caso Hillary Clinton venha a se tornar secretária de Estado. Ao colocá-la no Gabinete, Obama poderia remover um espinho potencial no Senado em questões como atendimento de saúde e uma potencial rival para a indicação presidencial em 2012, caso seu mandato prove ser turbulento. Mas tendo ela em sua equipe ele também poderia enfrentar um centro de poder rival dentro de seu próprio governo.

Em discussões nos últimos dias, Bill Clinton concordou em revelar alguns grandes doadores de sua fundação de caridade e sujeitar as futuras atividades de sua fundação e palestras pagas à revisão da assessoria jurídica da Casa Branca e ao escritório de ética do Departamento de Estado, segundo democratas próximos das negociações. Ele também se afastaria das responsabilidades diárias envolvendo a Fundação William J. Clinton e informaria ao Departamento de Estado seus planos de palestras e novas fontes de renda.

O "Wall Street Journal" foi o primeiro a noticiar suas concessões. Assessores tanto de Obama quanto dos Clintons as confirmaram na quarta-feira. Os assessores dos Clintons acrescentaram que o ex-presidente atendeu todas as condições apresentadas pela equipe de Obama e disseram que ele atenderia quaisquer outras que possam vir a ser apresentadas.

"Eu estou certo de que o presidente Clinton fará o que for preciso, o que significa qualquer coisa que o presidente eleito Obama desejar, para tornar a indicação aceitável, caso ele ofereça e ela aceite", disse Lanny J. Davis, um antigo amigo de Clinton que foi consultor jurídico da Casa Branca e que tem auxiliado o campo de Clinton nos últimos dias.

Ao ser perguntado sobre a situação em uma cerimônia em Nova York para rebatizar a Ponte Triborough como Robert F. Kennedy na quarta-feira, Bill Clinton prometeu o mesmo sem elaborar. "O que eles quiserem", ele disse. Ele acrescentou que o assunto é entre o presidente eleito e sua esposa. "Vocês têm que falar com eles. Eu farei o que eles quiserem."

Bill Clinton está sendo representado nas negociações por seus antigos assessores, Cheryl D. Mills, Bruce R. Lindsey e Douglas J. Band. Obama está sendo representado por John D. Podesta, seu co-líder de transição; Todd Stern, um vice de Podesta, e Thomas J. Perrelli, um colega de classe de Obama da Escola de Direito de Harvard. Refletindo o emaranhado complexo de negociações, todos os três representantes de Obama serviram no governo de Bill Clinton.

Ao escolher Daschle para o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, Obama está buscando colocar um forte aliado e apoiador desde o início à sua candidatura presidencial. Apesar de que nenhum anúncio será feito até que Obama revele suas equipes de segurança nacional e economia, o gabinete de transição anunciou na quarta-feira que Daschle também supervisionará um grupo de trabalho em política de saúde para desenvolvimento de um plano de atendimento de saúde.

Isto poderia tratar do que amigos de Daschle disseram ser uma condição para considerar o cargo no Gabinete, sua insistência para que não fosse apenas o chefe de uma imensa burocracia, mas um agente importante em um assunto sobre o qual literalmente escreveu um livro.

Em "Critical: What We Can Do About the Health-Care Crisis" (crítico: o que podemos fazer a respeito da crise no atendimento de saúde), publicado em fevereiro, Daschle propõe a criação de um Conselho Federal de Saúde, semelhante ao Sistema do Federal Reserve (o banco central americano), e fundir os planos de saúde dos empregadores, os públicos Medicaid e Medicare a um programa de benefícios dos funcionários públicos federais para fornecimento de cobertura universal.

Os antigos colegas de Daschle no Capitólio aprovaram sua escolha. "O presidente eleito Obama dificilmente poderia ter feito uma escolha melhor para o cargo", disse o senador Ron Wyden, democrata do Oregon. O senador Charles E. Grassley, um importante republicano de Iowa, a chamou de um "grande passo à frente", porque ele entende o Senado.

Os democratas sinalizaram que seguirão em frente com o plano de reforma do sistema de saúde apesar da atual crise econômica. Os senadores Edward M. Kennedy, de Massachusetts, e Max Baucus, de Montana, convocaram um encontro de colegas para elaborar uma estratégia. "Todos estão dedicados a fazer com que uma reforma significativa da saúde seja aprovada no próximo ano", disse Baucus posteriormente. Ele disse que os legisladores pretendem "começar com tudo em janeiro".

Mas isso será mais difícil do que parece, disseram especialistas em saúde, e mesmo os assessores de Obama reconheceram que será difícil reunir o dinheiro necessário para essa reforma dado o estado da economia. "Nós não teremos dinheiro suficiente para muitas coisas", disse um assessor democrata de Obama.

Apesar da atenção estar concentrada no Gabinete em formação de Obama, o presidente eleito preencheu mais cargos de funcionários da Casa Branca. Além de Axelrod e Craig, a equipe de transição de Obama anunciou que Lisa Brown, uma ex-conselheira do vice-presidente Al Gore, servirá como secretária de staff, e Christopher P. Lu, um importante assessor do gabinete de Obama no Senado, será secretário de gabinete. George El Khouri Andolfato

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