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22/11/2008

Hillary Clinton estaria disposta a assumir o Departamento de Estado

The New York Times
Peter Baker e Helene Cooper
Em Washington
Hillary Rodham Clinton decidiu abrir mão de sua cadeira no Senado para se tornar secretária de Estado do governo Obama, se tornando o rosto público para o mundo do homem que arruinou suas esperanças de chegar à presidência, disseram confidentes de Hillary na sexta-feira.

O acordo entre as duas principais figuras do Partido Democrata foi a culminação de um drama que durou uma semana e que agitou a capital do país. O presidente eleito Barack Obama e Hillary Clinton travaram aquela que talvez tenha sido a batalha pela indicação mais polarizadora em décadas, mas ao recrutá-la para seu Gabinete, Obama optou por transformar uma rival em parceira, e ela concluiu que poderia ter um maior impacto ao aceitar o posto do que permanecendo no Senado.

Sua escolha ainda será formalizada e não será anunciada até após o Dia de Ação de Graças. Seria outra nova direção na jornada improvável da ex-esposa de político em Arkansas, que posteriormente construiu uma base política própria e se tornou um símbolo de realização para muitas mulheres.

O papel, apesar de coadjuvante, a tornaria uma das pessoas mais influentes no cenário internacional, e representaria mais um ato para uma das famílias públicas mais proeminentes do país, à medida que o presidente Bill Clinton também se tornaria um membro indireto da equipe de Obama.

A dança às vezes desajeitada entre Obama e Clinton nos oito dias desde que ele a convidou para uma reunião em Chicago culminou em um telefonema na quinta-feira. Antes do chamado, Clinton estava cética quanto a perspectiva de ingressar no Gabinete, disseram seus confidentes, que insistiram no anonimato para discutir a situação. Mas Obama tratou de suas preocupações a respeito de acesso, equipe e outras questões, a levando a concluir que deveria aceitar o cargo, eles disseram.

"Ela está pronta", disse um dos confidentes de Clinton. O primeiro encontro em Chicago "foi tão geral" que ela precisava de um melhor senso de como se encaixaria no governo de Obama, e o telefonema a ajudou a "ficar à vontade" com a idéia de trabalharem juntos, disse o confidente.

Os conselheiros de Obama disseram que apesar da oferta ainda não ter sido formalmente aceita, sua indicação está "nos trilhos" e provavelmente será anunciada após o feriado. O gabinete de Clinton no Senado quebrou uma semana de silêncio para reconhecer as conversações, mas alertou que ainda não chegaram ao final.

"Nós ainda estamos discutindo, o que significa que está nos trilhos", disse o porta-voz dela, Philippe Reines. "Qualquer informe além disso é prematuro."

Obama quer anunciar os membros de sua equipe de segurança nacional ao mesmo tempo. Assessores disseram que ele está considerando tornar o general reformado James L. Jones, um ex-comandante do Corpo de Marines e comandante supremo da Otan, em seu conselheiro de segurança nacional, estabelecendo um contrapeso formidável para Hillary Clinton. O presidente eleito ainda está decidindo se mantém o secretário de Defesa, Robert M. Gates, em caráter interino ou se nomeia outro nome para assumir imediatamente o Pentágono.

A escolha de Hillary Clinton agradou muitos no establishment democrata que admiram sua força e habilidade, e elogiaram Obama por deixar o rancor da campanha para trás. "A senadora Clinton é uma diplomata naturalmente dotada e seria uma escolha inspirada caso seja escolhida pelo presidente eleito Obama para secretária de Estado", disse Warren Christopher, que ocupou o cargo no governo do presidente Bill Clinton.

Mas também poderia decepcionar muitos apoiadores de Obama, que trabalharam arduamente para elegê-lo em vez de Clinton e o viam como um veículo para mudanças em Washington. Obama argumentou durante as primárias que era hora de deixar a era Clinton para trás e, em particular, menosprezou as alegações dela de experiência em política externa, na condição de uma primeira-dama que rodava o globo.

Conselheiros disseram que Obama concluiu após a eleição que os problemas enfrentados pelo país eram tão sérios que ele precisava de alguém da estatura e capacidade de Clinton como parte de sua equipe, independente de suas diferenças no passado. A amargura sentida pela equipe de Obama durante grande parte do ano desapareceu com o tempo, disseram assessores. George El Khouri Andolfato

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