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24/11/2008

Caem as vendas de DVDs, uma fonte de lucros de Hollywood

The New York Times
Brooks Barnes
Em Los Angeles
Segundo o senso comum, Hollywood prospera quando a economia vai mal. Mesmo em tais períodos as pessoas necessitam de entretenimento, especialmente do tipo escapista, e os preços dos filmes continuam acessíveis a maioria das pessoas.

Este fato poderá se confirmar novamente - as vendas de ingressos para os cinemas têm sido robustas nas últimas semanas -, mas faz muito tempo que a prosperidade dos estúdios deixou de depender dos resultados das bilheterias. Atualmente, são os DVDs que impulsionam os lucros, e na capital do cinema existe um temor intenso de que o interesse do comprador esteja despencando à medida que a crise econômica global se intensifica.

"Todos os estúdios estão dizendo, 'Até o momento, estamos bem, mas observamos os dados gerais referentes às vendas e ficamos meio preocupados'", diz Amir Malin, da Qualia Capital, uma firma de investimento dedicada à mídia, cujos ativos incluem várias filmotecas.
Até o momento, as vendas totais de DVDs caíram cerca de 4% no período de um ano, sendo que a maior queda deu-se em outubro, segundo dados compilados pela Warner Brothers, a maior distribuidora de DVDs.

O Nielsen VideoScan, o serviço independente de acompanhamento do setor, pinta um quadro mais sombrio, relatando uma queda de 9% nas vendas totais de DVDs durante o terceiro trimestre, e um declínio de 22% nas vendas dos títulos novos e mais caros, embora esses dados não incluam os resultados da Wal-Mart.

E o mais perturbador é que as vendas de discos Blu-ray de próxima geração - que são promovidos como uma tecnologia de alta definição que restaurará o crescimento do setor - estão aumentando, mas ficarão 25%, ou mais, aquém das projeções para o ano.

Mas o problema não é causado apenas pela redução dos gastos dos consumidores. As companhias de DVDs, desesperadas por lucros, estão jogando mais títulos obscuros no mercado, gerando uma pressão para a queda dos preços, segundo a Distribution Video and Audio, uma companhia de entretenimento doméstico de Burbank, na Califórnia.

Os consumidores, em salas já repletas de DVDs, estão ficando mais seletivos. Há também sinais de que os downloads digitais por meio da Internet estão prejudicando as vendas.

E os discos Blu-ray ainda tem causado confusão generalizada no mercado, já que os consumidores ainda não sabem ao certo se o Blu-ray chegou para ficar, após uma prolongada guerra de formatos com uma tecnologia rival. De fato, 57% dos usuários comuns de DVD dizem que estão "aguardando para ter certeza de que o Blu-ray é de fato o padrão que a indústria adotará", segundo um estudo do setor divulgado na semana passada.
"Como resultado, vários consumidores estão aguardando, sem comprar nada", diz Malin.

Os executivos dos estúdios preferem ver o lado bom dessa história, afirmando que mesmo em um período de declínio o mercado de DVD é mais forte do que outros setores de mídia, como o de televisão aberta. Os estúdios dizem também que a desaceleração econômica poderá na verdade ajudá-los a vender discos de alta definição porque é provável que, na temporada de festas de fim de ano, a oferta de aparelhos Blu-ray exceda bastante a demanda, empurrando os preços para baixo.

Há um ano, os aparelhos de alta definição mais baratos custavam cerca de US$ 500, segundo David Bishop, presidente da Sony Pictures Home Entertainment. Lojas como a Wal-Mart e a Best Buy estão vendendo agora essas máquinas por US$ 199, sendo que na Black Friday (sexta-feira seguinte ao dia de Ação de Graças nos Estados Unidos) as promoções chegam a US$ 128. As vendas desses aparelhos saltaram em outubro , em relação ao mesmo mês no ano passado, ainda que a maioria das outras categorias de produtos tenha acusado quedas acentuadas.

Hollywood tem contado com o Blu-ray para impulsionar o seu crucial negócio de entretenimento doméstico. Após anos de aumentos rápidos, as vendas domésticas de DVDs caíram 3,2% no ano passado, para US$ 15,9 bilhões, segundo a Adams Media Research. Essa foi a primeira queda anual na história dessa tecnologia.

Os DVDs continuam sendo um negócio vigoroso, mas qualquer queda é motivo de preocupação porque as vendas de discos em todo o mundo podem representar até 70% das rendas com um novo filme. Os discos Blu-ray, que utilizam uma tecnologia Sony que inclui ruídos interativos, custam geralmente 25% mais do que os DVDs comuns.

Como sinal do alarme no setor, os principais estúdios estão trabalhando em conjunto no sentido de estimular as vendas de DVDs em geral, e especialmente as de Blu-ray. Os estúdios, juntamente com várias companhais de produtos eletrônicos, estão investindo US$ 25 milhões em uma campanha na televisão e na imprensa que enfatiza os próximos lançamentos da Walt Disney Company ("Wall-E"), da Sony ("Hancock") e da Warner ("The Dark Knight"/"Batman - O Cavaleiro das Trevas").

"Acreditamos que esta é a hora da verdade para o Blu-ray", afirma Ron Sanders, presidente da Warner Home Video. "Ele precisa se estabelecer como um presente favorito de fim de ano".

Enquanto isso, estúdios individuais também vêm fazendo investidas isoladas. A Disney lançou "Sleeping Beauty" ("A Bela Adormecida") em Blu-ray e em DVD comum em outubro, tomando a medida incomum de incluir um DVD standard gratuito no pacote Blu-ray a fim de despertar o interesse do consumidor. A Disney está também trabalhando com a Panasonic em uma "campanha de desmistificação do Blu-ray" na televisão e na Internet.

A Universal Studios Home Entertainment promoveu uma festa esfuziante na semana passada em um clube noturno de Hollywood para promover o lançamento de "Hellboy II: The Golden Army" ("Hellboy II: O Exército Dourado") em DVD e Blu-ray. Uma porta-voz disse que fazia muitos anos que o estúdio não organizava um evento tão caro vinculado ao lançamento de um DVD.

As lojas também contam com as vendas de DVDs, e as maiores redes estão pretendendo fortalecer mais a categoria. Elas têm dedicado mais espaço nas prateleiras aos DVDs (em detrimento dos CDs e dos videogames), e a Wal-Mart pretende investir US$ 30 milhões na propaganda de produtos de entretenimento doméstico durante a temporada de festas de fim de ano. A Best Buy está dedicando mais recursos às exibições nas próprias lojas.

Na semana passada, os presidentes de departamentos de entretenimento doméstico dos sete principais estúdios de Hollywood tomaram a medida incomum de participarem de um simpósio conjunto em Los Angeles que apresentou estatísticas favoráveis à área de alta definição. Referindo-se às quedas recentes das vendas de DVDs, Amy Jo Smith, diretora-executiva do Digital Entertainment Group, uma organização comercial, disse aos presentes: "Tendo em vista a atual crise econômica, este desempenho é realmente notável".

De fato, o setor de entretenimento doméstico manteve-se de pé durante crises econômicas anteriores, o que dá aos estúdios a esperança de que os declínios serão modestos. Um aumento da vendas gerais da Wal-Mart no momento em que a economia sofre desaceleração também está acalmando os nervos dos estúdios, embora a decisão da Circuit City de entrar com um pedido de falência tenha esfriado um pouco a animação. "Estamos cautelosamente otimistas quanto ao quarto trimestre", afirma Bishop, da Sony.

Sem dúvida, certos nichos do setor de DVDs continuam indo bem. Os filmes do gênero familiar feitos diretamente para DVD têm revelado vigor, sendo que "Tinker Bell" da Disney vendeu facilmente milhões de cópias na sua primeira semana nas lojas, superando em muito as expectativas.
Os filmes que atraem também os entusiastas de videogames também estão se mostrando imunes à crise. "Hellboy II", por exemplo, está superando as projeções de vendas em mais de 10%, segundo Craig Kornblau, presidente do Universal Studios Home Entertainment. "The Incredible Hulk" ("O Incrível Hulk"), lançado pela Universal em 21 de outubro, também vendeu bem.

"Sinto-me realmente animado, e não estou sendo ingênuo", diz Kornblau. UOL

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