UOL Notícias Internacional
 

25/11/2008

Friedman: nós encontramos as armas de destruição em massa

The New York Times
Thomas L. Friedman
Eu tenho uma confissão a fazer e uma sugestão. A confissão: atualmente eu vou a restaurantes, olho ao redor para as mesas ainda cheias de jovens e tenho esta vontade de ir de mesa em mesa dizendo: "Vocês não me conhecem, mas preciso dizer a vocês que não deveriam estar aqui. Vocês deviam estar economizando dinheiro. Deveriam estar em casa comendo atum. Esta crise financeira está longe do fim. Nós estamos apenas no fim do começo. Por favor, peçam para embrulhar para viagem aquele filé e vão para casa".

Agora você sabe por que ultimamente não sou mais convidado com freqüência para jantar. Se dependesse de mim, nós convocaríamos agora uma sessão especial do Congresso, realizaríamos uma emenda à Constituição e anteciparíamos a posse de 20 de janeiro para o Dia de Ação de Graças (27 de novembro). Esqueça os bailes de posse; não podemos pagar por eles. Esqueça a pompa; não precisamos dela. Apenas me arrume um ministro da Suprema Corte e uma Bíblia, e vamos empossar Barack Obama imediatamente - por opção - com a mesma pressa que fizemos - por necessidade - com Lyndon Johnson, na traseira do Força Aérea Um.

Infelizmente, levaria tempo demais para a maioria dos Estados ratificar uma emenda dessas. O que podemos fazer agora, entretanto, segundo o especialista em Congresso, Norman Ornstein, co-autor de "The Broken Branch", é "pedir ao presidente Bush que nomeie imediatamente Tim Geithner, o secretário do Tesouro proposto por Barack Obama". Torná-lo um nomeado de Bush e fazê-lo assumir na próxima semana. Não se trata de algo contra Hank Paulson. Apenas não podemos arcar em esperar dois meses de transição sem que os mercados saibam quem está encarregado ou em que direção seguiremos. Ao mesmo tempo, o Congresso deveria permanecer em sessão permanente para aprovar quaisquer legislações necessárias.

Este é o verdadeiro "Código Vermelho". Como um banqueiro me disse: "Nós finalmente encontramos as armas de destruição em massa". Elas estavam enterradas em nosso próprio quintal - as hipotecas subprime e todos os derivativos associados a elas.

Mas é óbvio que o presidente Bush não pode mobilizar as ferramentas para desarmá-las - um imenso programa de estímulo para melhorar a infra-estrutura e criar empregos, uma ampla iniciativa para limitar as execuções hipotecárias e estabilizar os preços dos imóveis residenciais, e conseqüentemente os ativos baseados em hipotecas, mais capital para os balancetes dos bancos e, mais importante, uma enorme injeção de otimismo e confiança de que podemos e sairemos disto com uma nova equipe econômica no comando.

Este último item é algo que apenas o novo presidente Obama pode injetar. Nosso problema no momento é tanto uma falta de confiança - em nosso sistema financeiro e em nossa liderança - quanto qualquer outra coisa. Eu não tenho a ilusão de que a chegada de Obama será como uma varinha mágica, mas ajudaria.

No momento há algo profundamente disfuncional, beirando uma irresponsabilidade escandalosa, no modo dividido como nossa elite política está se comportando - com os negócios de costume no momento econômico mais incomum de nossas vidas. Eles parecem não entender: nosso sistema financeiro está em risco.

"A unidade parece ter se perdido. A emergência parece ser menos urgente", teria dito Bill Frenzel, o ex-deputado republicano com 10 mandatos e que agora integra a Instituição Brookings, segundo a "CNBC.com" na sexta-feira.

Eu não quero ver a indústria automotiva de Detroit ser erradicada, mas o que devemos fazer com executivos do setor que voam para Washington em três jatos particulares separados, pedem por um resgate pago pelo contribuinte e não oferecem nenhum plano detalhado para sua própria transformação?

Os mercados de ações e crédito não foram enganados. Eles começaram a cotar as ações financeiras a preços da Grande Depressão, não apenas a preços de recessão. Com US$ 5, você agora pode comprar uma ação do Citigroup e ainda sobrar um troco para comer algo no McDonald's.

Como resultado, Barack Obama possivelmente terá que tomar a maior decisão de sua presidência - antes mesmo dela começar.

"Uma grande avaliação deve ser feito agora a respeito de quão grande e ruim é a situação", disse Jeffrey Garten, o professor de finanças internacionais da Escola de Administração de Yale. "Esta é uma avaliação crítica. Nós achamos que umas duas centenas de bilhões de dólares a mais e alguns poucos trimestres ruins resolverão o problema, ou achamos que apesar de tudo que fizemos até agora - apesar do fundo de US$ 700 bilhões para resgate aos bancos, a redução das taxas de juros e a forma como o Fed (o banco central americano) tem atuado diretamente para escorar certos mercados- o fundo do poço ainda está longe e estamos olhando para um buraco profundo no qual o mundo todo pode cair?"

Se estivermos no segundo, então precisaremos de um imenso catalisador de confiança e capital para reverter a situação. Apenas o novo presidente e sua equipe, em sincronia com as outras grandes economias do mundo, podem fornecê-los.

"O maior erro que Obama poderia cometer", acrescentou Garten, "é pensar que este problema é menor do que é. Por outro lado, há um risco menor em exagerar o que será necessário para resolvê-lo".

Costuma-se dizer que é bom para um novo presidente começar no fundo do poço. A assim só lhe resta a opção de subir. Isso é verdade - a menos que o fundo caia ainda mais antes dele começar. George El Khouri Andolfato

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