UOL Notícias Internacional
 

25/11/2008

Obama apresenta equipe que lidará com crise 'histórica' na economia

The New York Times
Jeff Zeleny*
Em Chicago
Com a crise financeira pairando como a prioridade de seu mandato, o presidente eleito Barack Obama buscou colocar sua marca nos esforços para conter a turbulência ao apresentar sua equipe econômica na segunda-feira, indicando Timothy F. Geithner como secretário do Tesouro e Lawrence H. Summers como chefe do Conselho Econômico da Casa Branca.

Ao nomear uma equipe profundamente experiente para lidar com a crise financeira - Geithner esteve altamente envolvido nos esforços do fim de semana para estabilizar o Citigroup- Obama ressaltou sua determinação em assegurar aos investidores estrangeiros e americanos que preencherá agressivamente o vácuo de liderança em Washington durante a transição.

Além disso, ao prometer que sua equipe econômica começaria a trabalhar "hoje" nas recomendações para ajudar as famílias de classe média assim como os mercados financeiros, o presidente eleito buscou passar a impressão de continuidade e coordenação, de forma que seu governo possa "assumir já em ação".

O presidente eleito também anunciou que escolheu Christina D. Romer para chefiar seu Conselho de Assessores Econômicos e Melody Barnes como diretora do Conselho de Política Doméstica da Casa Branca. Romer é uma professora de economia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, enquanto Barnes é uma antiga assessora do senador Edward M. Kennedy, de Massachusetts.

As recentes notícias econômicas, coroadas pelo esforço do Citigroup, "deixaram ainda mais claro que estamos enfrentando uma crise de proporções históricas", disse Obama em uma coletiva de imprensa. Ele listou a queda na compra de novos imóveis residenciais, o aumento dos pedidos de auxílio desemprego ao ponto mais alto em 18 anos e a probabilidade da perda adicional de mais um milhão de vagas de trabalho no próximo ano.

"Apesar de não podermos subestimar o desafio que enfrentamos", ele disse, "nós também não podemos subestimar nossa capacidade de superá-los e reunir o espírito de determinação e otimismo que sempre nos definiu, e avançarmos em uma nova direção para criar novos empregos, reformar nosso sistema financeiro e alimentar o crescimento econômico em longo prazo".

Respondendo às perguntas, Obama disse que não se pode permitir que a indústria automotiva em dificuldades "simplesmente desapareça", mas que as empresas não devem receber um "cheque em branco" dos contribuintes. E ele disse que ficou "surpreso" com o fato dos presidentes-executivos das empresas automotivas não estarem mais bem preparados com propostas específicas de recuperação quando compareceram ao Capitólio na semana passada. E ele prometeu que as reduções de impostos que o presidente George W. Bush conseguiu que fossem aprovadas pelo Congresso seriam revertidas, ou pelo menos não renovadas quando expirarem em 2010.

Em um esforço para injetar confiança nos trêmulos mercados financeiros, Obama assegurou que seu primeiro anúncio formal do Gabinete envolvesse a economia e não, como de costume, a segurança nacional ou a diplomacia.

Ao anunciar as indicações de Geithner, presidente do Federal Reserve (o banco central americano) de Nova York, e de Summers, um economista de Harvard, Obama enviou um sinal de que está disposto a buscar políticas agressivas, porém centristas, para ajudar a recuperar a economia. Ele esticou seu anúncio econômico em um assunto de dois dias, planejando outra coletiva de imprensa na terça-feira para apresentar o restante de sua equipe.

A coletiva de imprensa televisionada, que ocorreu logo depois de Bush ter feito breves comentários no Departamento do Tesouro, ao lado do secretário Henry M. Paulson Jr., criou um forte imagem da transferência de poder que está em andamento em Washington. Obama e sua nova equipe chegaram em uma sala com dezenas de repórteres, enquanto Bush permanecia quase sozinho nos degraus do Departamento do Tesouro.

"Esta é uma situação difícil para a América", disse Bush, acrescentando que ele falou com Paulson por telefone no domingo, após voltar de um encontro de cúpula econômico no Peru. Ele disse que manteria Obama e sua equipe informados a respeito de qualquer decisão importante, e acrescentou que Paulson está trabalhando de forma estreita com a equipe de Obama.

Bush conversou com Obama na segunda-feira sobre o plano de resgate ao Citigroup. Obama disse que também falou na segunda-feira, com Ben S. Bernanke, o presidente do Federal Reserve.

Geithner trabalhou durante o fim de semana no plano para estabilizar o Citigroup. Antes, ele esteve profundamente envolvido no resgate do American International Group (AIG). Logo, ele está extremamente familiarizado com a crise em desenvolvimento -e com os controversos esforços para contê-la.

Obama disse repetidas vezes que há "apenas um presidente de cada vez", mas as aparentes preocupações dos mercados com o espectro de uma falta de comando durante a transição -com nem o presidente e nem Obama aparentemente pilotando agressivamente os esforços de recuperação- o forçaram a adotar um papel mais ativo.

O índice Dow Jones apresentou alta na sexta-feira de quase 500 pontos com a notícia da nomeação de Geithner, e os mercados apresentaram novamente alta de mais de 275 pontos no meio da tarde de segunda-feira.

*David Stout, em Washington, contribuiu com reportagem George El Khouri Andolfato

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