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26/11/2008

Para Biden, um papel mais amplo como um conselheiro do presidente eleito

The New York Times
Helene Cooper
Em Washington, D.C. (EUA)
Na véspera do aniversário de Joseph R. Biden Jr., na semana passada, Barack Obama o surpreendeu após o almoço com bolinhos enfeitados com velas. Em uma questão de horas, a fotografia do presidente eleito com o seu companheiro de chapa, sorrindo devido à sobremesa, aparecia nos telejornais noturnos.

A fotografia, que foi circulada pela equipe de Obama, tinha como objetivo transmitir uma imagem de unidade, confiança e camaradagem. Mas embora Obama tenha se movimentado rapidamente no sentido de montar a sua equipe da Casa Branca e o grupo inicial do seu gabinete, ele está atrás até mesmo do cronicamente atrasado presidente Bill Clinton no que se refere a revelar o papel que será desempenhado pelo seu vice-presidente.

Até o momento, Biden não recebeu uma missão definida como a de Al Gore, em 1992, que ficou responsável pelas áreas de meio ambiente e tecnologia. E os assessores de Obama dizem não esperar que Biden assuma um tipo de papel vigoroso como aquele desempenhando pelo vice-presidente Dick Cheney nos últimos oito anos, embora acredite-se que ele apagará muitos focos de incêndio político.

"Tenho certeza que com o passar do tempo haverá algumas atribuições específicas", diz David Axelrod, um dos assessores do presidente eleito. "Mas creio que o papel fundamental dele é o de conselheiro de confiança. Creio que, quando Obama o selecionou, foi para que ele fosse um conselheiro e um assessor para uma ampla gama de questões".

Biden passou grande parte das três semanas decorridas após a eleição em Chicago, onde tem trabalhado junto com Obama. Mas quando Obama concedeu uma entrevista coletiva à imprensa em Chicago na terça-feira (25/11), Biden estava na sua casa em Delaware, tendo passado a noite da segunda-feira em Wilmington preparando comidas de Natal com a mulher para um evento de caridade.

O próprio Biden parece estar se adaptando. Ele está recrutando pessoas para o seu gabinete, incluindo Ron Klain, um chefe de equipe que trabalha com Biden desde a época em que este era presidente do Comitê do Judiciário, na década de 1990. Depois que Obama definiu que a senadora Hillary Rodham Clinton será a sua secretária de Estado, Biden, cujo cargo mais recente foi o de presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, disse reservadamente a certas pessoas que ele não seria a pessoa certa para a área de política externa.

Biden também entrevistou candidatos ao cargo de principal economista do governo, e pessoas próximas ao vice-presidente eleito dizem que ele está aperfeiçoando os seus conhecimentos econômicos.

Biden tem mantido contatos com líderes estrangeiros. Há duas semanas ele telefonou para os três principais candidatos ao cargo de primeiro-ministro de Israel, Tzipi Livni, Benjamin Netanyahu e Ehud Barak. Ele também manteve contato com o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, com o presidente da Georgia, Mikheil Saakashvili e com o chefe de política externa da União Européia, Javier Solana.

Biden está passando a maior parte dos dias de semana em Chicago, onde fica hospedado em um hotel e almoça uma vez por semana com Obama. No decorrer desses dias, Biden, Obama e um pequeno grupo de assessores ficam nos escritórios da equipe de transição, avaliando possíveis candidatos a cargos. Segundo assessores, Biden tem participado de decisões relativas ao gabinete e a políticas de governo, dando conselhos ao presidente eleito.

Os assessores de Obama dizem que Biden apoiou a decisão do presidente eleito de nomear Hillary Clinton secretária de Estado. "Se ele tivesse se oposto a isso, a opinião dele teria muito peso", disse um assessor da equipe de transição. "Mas ele deu apoio total à decisão de Obama".

A falta de especificidade contrasta com o papel mais nitidamente definido de Gore. Dias após a eleição de Bill Clinton, em 1992, assessores do presidente eleito disseram que Gore ficaria encarregado de uma ampla iniciativa na área de ciência e tecnologia, anunciando aquela que eles prometeram que seria uma nova era na qual o foco do governo anterior em armamentos seria deslocado para a promoção de novas tecnologias civis e industriais.

No início de dezembro de 1992, antes mesmo de Clinton anunciar os membros do seu gabinete, Gore já estava atuando na área de meio ambiente, divulgando uma declaração que pedia uma investigação de incineradores de lixo tóxico e indicando que o governo pretendia adotar uma abordagem agressiva para fazer cumprir as leis ambientais.

Durante uma entrevista à companhia de mídia Gannett, em 8 de dezembro de 1992, Bill Clinton disse que Gore teria "certas responsabilidades específicas que ficarão acima" de um papel de assessor geral, incluindo "fazer lobby do nosso programa junto ao Congresso, especialmente na área de saúde, e lidar com questões relacionadas ao meio ambiente e à tecnologia".

Quanto ao relacionamento entre Obama e Biden, os assessores de ambos insistem que a relação é forte, com cada um dedicado ao seu papel.

"Não creio que haja qualquer risco de o vice-presidente eleito ficar marginalizado, independentemente de quem mais componha o gabinete", diz Valeri Jarrett, uma das assessoras de Obama. "Independentemente de quem for selecionado, haverá talentos de sobra na mesa". Jarrett caracteriza a relação entre Obama e Biden como "calorosa e respeitosa".

As mulheres dos candidatos, Michelle Obama e Jill Biden, entenderam-se quando se conheceram, dizem os assessores. E as netas de Biden e as filhas de Obama dormiram juntas após assistirem a DVDs, comendo pizza e pipoca, em uma noite durante a convenção democrata em Denver.

Segundo os assessores, Biden e Obama às vezes fazem brincadeiras um com o outro em reuniões privadas, e eles afirmam que Obama não ficou exageradamente irritado com Biden devido à gafe deste último, prevendo que Obama seria testado por uma crise mundial nos seus seis primeiros meses na presidência.

No entanto, desde então Biden não teve muita coisa a declarar à mídia. Por meio de uma porta-voz, ele recusou-se a ser entrevistado para este artigo, o que por si só representa uma ruptura com o seu passado de tagarela. UOL

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