UOL Notícias Internacional
 

03/12/2008

Boas-vindas a Hillary Clinton incluem uma série de crises diplomáticas

The New York Times
Ethan Bronner
Em Jerusalém
Como candidata, Hillary Rodham Clinton alertou que o Irã poderia ser destruído caso lançasse um ataque nuclear contra Israel e que Jerusalém deveria permanecer a capital não dividida de Israel. Como senadora, ela votou pela classificação da Guarda Revolucionária do Irã como sendo uma organização terrorista e aprovou o plano do presidente Bush de ir à guerra contra o Iraque.

Logo, apesar da escolha de Clinton como secretária de Estado estar sendo analisada por todo o mundo - e em geral aprovada - o ponto de vista no Oriente Médio é mais complicado. A região espera uma pronta atenção por parte do futuro governo, uma noção que foi reforçada na segunda-feira quando o presidente eleito Barack Obama, em seu anúncio da escolha de Clinton, especificou várias crises na agenda dela, incluindo a disputa entre israelenses e palestinos e as tensões em torno do programa nuclear do Irã.

Em muitas partes do mundo, a escolha dela foi recebida com um otimismo derivado em parte da mentalidade que "qualquer coisa é melhor do que Bush". Como colocou Sergei A. Markov, um analista político ligado ao Kremlin e um membro do Parlamento russo: "O mais importante não é quem está entrando, mas quem está saindo".

Andreas Etges, um professor em Berlim, fez um comentário semelhante, dizendo: "Pode não haver um acordo em torno de todas as políticas, mas com Obama e Hillary Clinton ao menos há uma garantia de um clima melhor".

Muitos entrevistados em mais de uma dúzia de países têm Clinton em alta consideração. "Ela é uma mulher extraordinária", disse de modo simples Yehude Simon, o primeiro-ministro do Peru.

Na Europa, a reação à indicação de Clinton foi em geral positiva. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse esperar que Clinton e o governo Obama adotem uma abordagem mais multilateral aos problemas globais. Ele diz que espera que o governo peça por um "maior compromisso político" e mais "cooperação e co-responsabilidade" por parte da Europa e que a Europa envie mais soldados e dinheiro ao Afeganistão.

No Oriente Médio, a pergunta que está sendo debatida e se a antes linha-dura Clinton adotaria um tom diferente. Será que ela, na condição de diplomata chefe do governo Obama, se concentraria em negociar com o Irã e convencer Israel a se retirar das Colinas de Golan, para chegar às pazes com a Síria, e de grande parte da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, para promover a criação de um Estado palestino? Muitos suspeitam que sim.

Raghida Dergham, que escreve uma coluna no "Al Hayat", um jornal pan-árabe com sede em Londres, escreveu que era uma questão de quando, não se, "as negociações terão início entre o governo de Barack Obama e o governo em Teerã", e ela pediu que Washington veja os problemas da região como interligados -"não pensar no Irã independente do Iraque, ou na Síria independente do Líbano, ou em Israel independente da Palestina".

Para os árabes pró-Ocidente e para os israelenses liberais, esta é a visão predominante: este pode ser um momento propício para uma grande barganha visando deter as ambições nucleares do Irã e a disseminação de sua influência. Os passos diplomáticos incluiriam recuos territoriais israelenses em troca de reconhecimento regional. Dadas as fortes credenciais pró-Israel de Clinton, argumentam os defensores deste ponto de vista, ela poderia executá-los.

Cengiz Candar, um analista político e colunista em Istambul, Turquia, argumento o mesmo, dizendo que a escolha de Clinton "aumenta as esperanças no Oriente Médio de que os esforços de paz do ex-presidente Bill Clinton, que no final fracassaram ao término de sua presidência, possam ser retomados" com novas oportunidades de acordos de paz.

"Há muito mais esperança de que com Hillary Clinton nós veremos um engajamento americano mais ativo", ele disse.

Em Israel, alguns compartilham a esperança. Outros, que dizem que o mundo árabe não está pronto para um acordo o que querem que Israel mantenha o território por motivos de segurança ou história, temem precisamente essas ambições. Mesmo alguns a favor de concessões suspeitam de pressão potencial.

As reações dos líderes palestinos foram contidas. Saeb Erekat, o negociador chefe palestino, disse que "Hillary é uma boa mulher" e que ele espera que ela "mantenha o curso na solução de dois Estados".

Mahmoud Zahhar, o líder do Hamas, o partido militante que comanda Gaza, pareceu querer deixar a porta aberta para um possível abrandamento da posição de Washington, elogiando a experiência dela e acrescentando: "Certamente refletirá nas políticas internacionais".

Outro tipo de reação - vendo Clinton sob o prisma de seus anos como primeira-dama - produziu comentários tanto positivos quanto negativos. Na Arábia Saudita, Muhammad al-Zulfa, um historiador e membro do Conselho Shura, que aconselha o rei, disse: "A presença de seu marido como homem mais próximo dela pode contribuir para suas perspectivas em relação ao Oriente Médio".

Em Londres, Robin Niblett, um estudioso de política externa, disse que os europeus, apesar de notarem a inteligência e talento de Clinton, temem seu estilo político potencialmente polarizador.

A reação oficial à escolha de Clinton foi discreta na China na terça-feira, com o porta-voz do governo se recusando a oferecer uma opinião sobre se ela poderia alterar o curso das relações sino-americanas.

Após mencionar que um telegrama de congratulações foi enviado a Washington, Liu Jianchao, um porta-voz do governo, disse que o ministro das Relações Exteriores, Yang Jiechi, "foi positivo em sua avaliação do importante progresso feito nos últimos anos nas relações sino-americanas, e que aguarda ansiosamente trabalhar com eles para promover relações ainda mais construtivas e cooperativas entre a China e os Estados Unidos".

Ao ser lembrado de que como candidata presidencial Clinton criticou o retrospecto de direitos humanos da China e que pediu para que Bush não comparecesse à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, Liu fez objeção. "As Olimpíadas de Pequim foram realizadas com sucesso e o presidente Bush compareceu", ele disse.

Finalmente, alguns comentaristas adotaram uma abordagem de aguardar para ver. O ex-chanceler mexicano, Jorge Castañeda, e Julio Burdman, um analista político argentino, disseram que o conhecimento de Clinton sobre sua região e seu interesse nela continua sendo vago demais para julgar.

"Não haverá uma grande mudança nas relações com a América Latina, pelo menos não inicialmente", disse Burdman. George El Khouri Andolfato

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