UOL Notícias Internacional
 

06/12/2008

Taxa de desemprego sobe para 6,7% com demissões de novembro

The New York Times
Louis Uchitelle
Com a economia se deteriorando rapidamente, os empregadores do país cortaram 533 mil vagas de trabalho em novembro, o 11º mês consecutivo de declínio, informou o governo na manhã de sexta-feira, e a taxa de desemprego subiu para 6,7%.

O declínio, a maior perda em um único mês desde dezembro de 1974, é nova evidência de que a contração econômica acelerou em novembro, prometendo tornar a atual recessão, já em andamento há 12 meses, a mais longa desde a Grande Depressão. O recorde anterior foi de 16 meses, nas recessões severas de meados dos anos 70 e início dos anos 80.

"Nós registramos o maior declínio na confiança do consumidor de nossa história", disse Richard T. Curtin, diretor do levantamento da confiança do consumidor da Reuters/Universidade de Michigan, que começou a ser realizado nos anos 50. "Ele está sendo causado por vários fatores: queda dos preços dos imóveis e ações, menos horas de trabalho, bônus menores, menos horas extras e as demissões."

As demissões ultrapassaram em muito o número de 350 mil que era a expectativa de consenso dos economistas.

No geral, as demissões desde janeiro já totalizam mais de 1,9 milhão, com a maioria ocorrendo nos últimos três meses, à medida que consumidores e empresas passaram a conter fortemente seus gastos em resposta ao agravamento da crise de crédito.

"Empresas fecharam em novembro", disse Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Economy.com. "As empresas estão em modo de sobrevivência e estão demitindo e cortando investimentos para poupar dinheiro. A menos que o crédito volte a fluir em breve, as demissões continuarão ao longo do próximo ano."

O relatório de sexta-feira do Birô de Estatísticas do Trabalho incluiu grandes revisões para cima nos números de vagas de trabalho perdidas em outubro(das 240 mil antes informadas para 320 mil) e setembro (de 284 mil para 403 mil).

Uma saída em massa da força de trabalho ajudou a conter a taxa de desemprego em novembro, que subiu apenas dois décimos de ponto percentual em relação aos 6,5% de outubro.

Mais de 420 mil homens e mulheres que estavam trabalhando ou procurando emprego em outubro deixaram a força de trabalho em novembro. A maioria supostamente desistiu de procurar emprego, sugere o relatório do birô. Se tivessem continuado a procurar, a taxa de desemprego estaria mais próxima de 7%.

Além disso, 70% dos empregos perdidos foram no setor de serviços, particularmente no varejo, trabalho temporário e em hotéis e restaurantes. Os únicos setores que contrataram em novembro foram os de saúde e educação.

"O setor de serviços vinha se mantendo relativamente bem nesta desaceleração, mas agora está implodindo", disse Michael T. Darda, economista-chefe da firma de pesquisa MKM Partners. "O setor de serviços reflete a situação da economia americana."

O relatório de emprego aumentou a probabilidade de que o Congresso, com a ajuda do presidente eleito Barack Obama, aprove um pacote de estímulo no final de janeiro, que poderá ultrapassar US$ 500 bilhões ao longo de dois anos.

Obama emitiu uma declaração na manhã de sexta-feira chamando o relatório de emprego de "um reflexo dramático da crescente crise econômica que enfrentamos", dizendo que é uma nova evidência de que "precisamos de um plano de recuperação econômica que salve ou crie pelo menos 2,5 milhões de empregos ao longo de dois anos, enquanto agimos de forma decisiva para manter o fluxo de crédito do qual dependem muitas famílias e empresas americanas".

Segundo o plano de estímulo, mais da metade do dinheiro provavelmente seria canalizado para gastos na infra-estrutura pública. Muitos consideram esses investimentos uma forma eficaz de compensar, por meio de emprego financiado pelo governo federal, as demissões e congelamentos de contratação por todo o setor privado.

"Basicamente, US$ 100 bilhões em investimento público em coisas como estradas, pontes e barragens gerariam dois milhões de empregos", disse Robert N. Pollin, um economista da Universidade de Massachusetts. "Isso compensaria os 2 milhões de empregos que deveremos ter perdido até o início do próximo ano."

O setor manufatureiro foi atingido de forma particularmente dura, perdendo mais de meio milhão de vagas de trabalho neste ano. Isso é quase metade dos 1,2 milhão de empregos perdidos desde que o emprego atingiu seu pico em dezembro e, em janeiro, começou seu declínio ininterrupto. Parece provável que as demissões acelerarão, à medida que as três grandes fabricantes de automóveis de Detroit fecharem mais fábricas e encolherem ainda mais suas folhas de pagamento ao tentarem se qualificar para os empréstimos federais que pediram nesta semana para que o Congresso aprove.

Apesar do setor manufatureiro estar à frente, as demissões estão aumentando em quase todos os setores da economia. "Meu senso é de que há um colapso na demanda", disse Marc Levinson, diretor de pesquisa do sindicato Unite Here, cujos 450 mil membros estão espalhados por confecções, hotéis, cassinos, lavanderias industriais, concessões de aeroportos e restaurantes. "Nossos membros estão sendo demitidos em grande número", disse Levinson.

O mais recente relatório de emprego foi divulgado em uma semana de fortes evidências de que a economia americana está em queda livre. Na segunda-feira, o Birô Nacional de Pesquisa Econômica declarou que a recessão -a 12ª desde a Depressão- teve início em dezembro passado, muito antes do que muitas pessoas imaginavam.

Essa notícia foi seguida por novos relatos de cortes e reduções nos gastos em construção, vendas de imóveis residenciais, consumo, investimento das empresas e exportações. E empresas em todos os setores industriais anunciaram demissões nesta semana, incluindo a empresa de telecomunicações AT&T, com 12 mil demissões, a companhia química DuPont, com 2.500; e o conglomerado de mídia Viacom, com 850.

Até mesmo as vendas no varejo estão em queda em plena temporada de Natal. O Conselho Internacional de Shopping Centers descreveu na quinta-feira as vendas de novembro, em lojas abertas no mínimo há um ano, como as mais fracas em mais de 30 anos.

Tendo tudo isso em mente, e particularmente o encolhimento das folhas de pagamento, os economistas estão estimando que o produto interno bruto está contraindo a uma taxa anual de 4% ou mais no quarto trimestre, após um declínio de 0,3% no terceiro trimestre.

"Nossa previsão de PIB para 2009 agora é de 1,8% negativo, em vez de 1% negativo", informou a HIS Global Insight, um serviço de previsão e coleta de dados, aos seus clientes por e-mail nesta semana, explicando que todas as más notícias recentes a deixaram sem escolha a não ser emitir uma revisão acentuada para baixo.

"Nós vemos a taxa de desemprego em 8,6% no final de 2009", disse a Global Insight.

John E. Silva, economista-chefe da Wachovia, disse que os novos dados de desemprego sugeriram que o crescimento econômico está caindo a uma taxa de 5% no quarto trimestre. "Não há uma solução rápida aqui", ele disse. "Não há recuperação rápida."

Jack Healy contribuiu com reportagem. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host