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07/12/2008

O "maior jogo" da NFL, na memória coletiva

The New York Times
Richard Sandomir
A determinação de Frank Gifford nunca vacilou: ele correu para um primeiro "down" quase no final do último quarto do jogo pelo campeonato da NFL [Liga Nacional de Futebol Americano] contra o Baltimore Colts, com os Giants na frente, 17-14. Os Giants chutaram; os Colts empataram e depois venceram, 23-17 na prorrogação. Se a bola tivesse sido colocada onde Gifford insiste que foi, os Giants podiam ter ganhado.

Mas o jogo não teria ido para a morte súbita nem teria sido exaltado como o maior jogo da história da NFL. Gifford ainda se agarra à sua crença de que, durante o caos provocado pela fratura no tornozelo do jogador da defesa do Colts Gino Marchetti, o juiz Ron Gibbs pegou a bola e a colocou a alguns centímetros aquém de onde Gifford acredita que seu "run" de fato terminou.

Em seu estimulante e surpreendente novo livro, "The Glory Game" ["O Jogo da Glória"], escrito com Peter Richmond, Gifford oferece argumentos para a opinião que sustenta há longo tempo. Depois da morte de Gibbs, ele disse que recebeu uma carta do filho do juiz, que cita no livro: "Meu pai falou alguns dias antes de morrer: "Sabe, Joe, talvez Frank tenha razão, talvez ele tenha feito o primeiro 'down'".

Um desafio para a memória determinada de Gifford virá em um documentário da ESPN, "The Greatest Game Ever Played" ["O Maior Jogo do Mundo"], a ser exibido em 13 de dezembro. O local onde Gifford aterrissou é reconstituído por um programa forense como se fosse a cena de um acidente. As linhas e grades computadorizadas oferecem um veredicto frio: Gifford caiu a 22 centímetros do seu objetivo.

"Estão brincando comigo?", disse Gifford durante uma exibição na noite de quarta-feira.

Ele se convenceu de que estava errado durante todos esses anos?

"Não!", disse.

Onze anos depois de sua última aparição no programa "Monday Night Football", Gifford, 78, entrou em cena novamente, pelo menos por enquanto, como o principal ícone da nostalgia do campeonato de 1958 da NFL, que teve outras estrelas como Marchetti, Lenny Moore e Raymond Berry, do Baltimore.

Isso talvez não acontecesse se David Halberstam não tivesse morrido no início de sua pesquisa para um livro sobre o jogo. Gifford e Richmond preencheram o vácuo e entrevistaram os sobreviventes do Colts e dos Giants. Por meio da memória coletiva dos jogadores, eles recriaram o jogo e as vidas cotidianas dos integrantes do Giants, que assim como Gifford, moraram próximos ao Estádio Yankee, no Concourse Plaza Hotel, durante a temporada de futebol.

"Tínhamos uma pequena quitinete", disse Gifford. "Alguns tinham salas de estar. As esposas se reuniam e iam para o Macombs Dam Park, onde o novo estádio Yankee havia sido construído, tomavam o metrô para o centro e passeavam com as crianças".

O livro de Gifford é um entre vários sobre o jogo, ou sobre os Giants de 1950, que foram publicados recentemente. O que mais fez sucesso até agora foi "The Best Game Ever" ["O Maior Jogo do Mundo"], de Mark Bowden, com 25.149 cópias vendidas, de acordo com a pesquisa Nielen Book-Scan, que rastreia até 70% das vendas no varejo; sua publicação em junho mostrou uma vantagem para o livro de Gifford, que havia vendido 8.758 cópias durante seu primeiro mês no mercado. "Giants Among Men" ["Gigantes Entre os Homens"], de Jack Cavanaugh, havia vendido 2.329, e "One Sunday in December" ["Um Domingo de Dezembro"], de Lou Sahadi, 241.

"Impressionante, não é?", disse Gifford, sobre seu modesto êxito. "Se pararmos para pensar, foi um jogo medíocre".

Gifford deixou a bola cair duas vezes num jogo que foi muito mais influente do que qualitativamente excepcional. Foi a primeira partida pelo título da liga a ir para a prorrogação (um conceito que os jogadores mal entendiam antes de terem de voltar para o campo; Gifford disse que alguns ficaram irritados porque queriam ir para casa). Foi assistido por uma multidão e disputado por duas equipes repletas de jogadores que entrariam para o Hall da Fama. E atingiu o clímax ("Os Colts são os campeões mundiais", disse Bob Woff no rádio. "Ameche
marca!") no final de tarde iluminado pelas luzes do estádio.

Do lado do campo, os Giants eram liderados pelos técnicos de ataque e defesa, Vince Lombardi e Tom Landry. Em retrospecto, Gifford demonstra pouca admiração pelo técnico-chefe, Jim Lee Howell. "Ele era bom o suficiente para saber o que não sabia", disse. "Tudo o que ele fazia era assoprar o apito e dizer, 'Todos para o ônibus'".

O documentário da ESPN dá vida aos livros ao misturar filmes de arquivo e dos técnicos das duas equipes, com as locuções de rádio (por Wolff, que narrava sozinho, e Joe Boland e Bill McColgan), num substituto razoável para a transmissão perdida da NBC.

A ressurreição da transmissão (agora suavemente colorizada para mostrar o campo marrom, poeirento e congelado, sem nenhuma grama) foi mesclada com entrevistas conjuntas com personalidades atuais e de 1958 dos Giants e dos Colts, como Gifford e Marchetti com o técnico do Giants Tom Coughlin; o jogador do Giants Pat Summerall com Adam Vinatieri do Colts; Moore com Brandon Jacobs do Giants; e o nativo do Bronx Art Donovan do Colts, com o recém-aposentado Michael Strahan do Giants. Sam Huff, o astro violento do Giants, não participou.

As duplas e trios misturando diferentes gerações funcionaram melhor em momentos como a cena em que Moore e Jacobs assistem ao mergulho de uma jarda de Ameche para ganhar o jogo.

"Graças a Deus", disse Moore. "Um dos melhores bloqueios que eu já fiz".

"Parabéns", disse Jacobs, "cinqüenta anos depois". Eloise De Vylder

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