UOL Notícias Internacional
 

09/12/2008

Usando um novo smoking, Obama busca o tom apropriado para a posse

The New York Times
Katharine Q. Seelye
Em Washington (EUA)
O presidente eleito Barack Obama encomendou o seu primeiro smoking novo em 15 anos para a cerimônia da posse. E ele convidou a banda da sua escola de segundo grau no Havaí, a Punahou School, para participar da parada (quase 1.400 bandas se inscreveram; somente algumas dezenas serão escolhidas).

Pouco a pouco os planos para a cerimônia de posse de Obama, em 20 de janeiro, vão tomando forma.

Mas com o aumento do número de pessoas desempregadas e de soldados envolvidos em duas guerras, os encarregados de planejar a cerimônia deparam-se com a tarefa de manter um tom respeitoso e, ao mesmo tempo, comemorar a façanha de Obama.

"Não há dúvida que as pessoas enfrentam tempos difíceis", diz Linda Douglass, porta-voz do comitê da posse de Obama. "Mas nós esperamos que este seja um evento no qual celebremos os nossos valores e aspirações comuns", acrescenta ela. "O que buscamos é um tom que transmita esperança".

Só recentemente Obama montou o seu comitê de posse, e este ainda não criou um programa para o dia nem revelou que eventos podem estar planejando para após a cerimônia de juramento e posse, ao meio-dia, na Ala Oeste do Capitólio.

Grande parte do dia será marcada por cerimônias pro forma, mas os presidentes gostam de elaborar os detalhes para tudo, desde a escolha das bandas até a determinação de quais bailes de posse serão classificados como oficiais. E tudo será analisado com atenção em busca de significados.

Segundo membros do Partido Democrata, uma das opções para que os eventos reflitam o clima do país é Obama e o vice-presidente eleito Joseph R. Biden Jr. participarem de algum tipo de serviço comunitário em Washington. Caso façam isso, eles provavelmente pedirão a outras pessoas por todo o país que façam o mesmo em suas cidades, o que poderia ajudar a mitigar qualquer crítica às cerimônias da posse.

A equipe de Obama tem sido bem consistente no planejamento dos eventos e poderia usar como modelo o discurso da noite da vitória no Grant Park, em Chicago - um evento comemorativo, mas sério, que surpreendeu pela sua simplicidade, e no qual Obama procurou gerar esperanças, mas não expectativas.

A cerimônia poderia também tomar emprestadas idéias de festas de posses passadas, como o trajeto feito por Bill Clinton da casa de Thomas Jefferson, em Monticello, na Virgínia, a Washington, em 1993, algo que foi utilizado por Clinton para estabelecer uma conexão com o populismo de Jefferson.

A posse do primeiro presidente negro será uma ocasião histórica, e Washington está esperando a maior platéia da história para uma cerimônia do gênero, bem superior ao recorde de 1,2 milhão de pessoas que teriam comparecido à posse de Lyndon Johnson em 1965. Pela primeira vez, toda a extensão do Mall será aberta para acomodar a multidão.

Astros populares virão a Washington, o que automaticamente aumentará o glamour da cerimônia. Oprah Winfrey está pretendendo realizar pelo menos um show no Kennedy Center durante a semana da posse, bem como dar uma festa de gala (o website dela não está mais aceitando reservas para o show).

Ainda não se sabe se Obama ou a mulher dele, Michelle, aparecerão em público com Winfrey, ou até que ponto eles terão encontros com celebridades. Obama teve o cuidado de manter Hollywood a uma certa distância durante a campanha, especialmente depois que os republicanos o rotularam de "celebridade". Mesmo assim, Barbra Streisand, por exemplo, arrecadou US$ 9 milhões para ele em setembro em Beverly Hills, e, em troca, pode estar esperando pelo menos um convite, ou até mesmo a oportunidade de aparecer com o presidente no palco.

A maioria das cerimônias de posse contam com apresentações musicais, e vários artistas famosos, incluindo Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Will.i.am, Beyonce e Alicia Keyes foram mencionados como possíveis presenças em concertos.

Alguns observadores dizem que, em termos de palco, quanto menos melhor. Aaron Sorkin, criador da série de televisão "The West Wing", afirma que os eventos devem falar por si próprios.

"Deve haver o mínimo possível de planejamento teatral", diz Sorkin. "O próprio ambiente já é bastante teatral".

Alguns veteranos de Washington concordam que mesmo que os eventos não sejam elaborados, a atmosfera deve ser festiva.

"Nós precisamos disso", afirma Letitia Baldrige, que foi a secretária social de Jacqueline Kennedy na Casa Branca e que há muito tempo é a árbitra do bom gosto em Washington. "É um grande momento histórico".
Mas a recessão e a guerra fazem com que seja mais difícil para Obama comemorar sem parecer insensível ou indulgente.

"O que se deseja é o simbolismo apropriado que acompanha a posse de um novo presidente", diz Robert Dallek, historiador especializado na presidência. "Obama me impressiona por ser um político muito inteligente que está tão sintonizado com o estado de espírito do país que não dá para imaginar que ele fosse displicente quanto às comemorações, mas seria um erro grosseiro organizar um tipo de festa que parecesse extravagante".

A noção de como atuar no palco político gerou uma rara crítica a ele durante a Convenção Nacional Democrata, em Denver, quando algumas colunas gregas foram vistas no palco do seu discurso no Invesco Field. Os republicanos aproveitaram a oportunidade para retratar Obama como figura que tinha mais show do que substância, e que teria um ego colossal.

Robert Schmuhl, que leciona Estudos Norte-Americanos na Universidade Notre Dame e que é autor do livro "Statecraft and Stagecraft", diz que embora os planejadores da cerimônia de posse tenham que percorrer a linha delgada do que é aceitável, o fato de apresentar o primeiro presidente negro é em si tão dramático que pouco barulho extra será necessário.

"Não é necessário importar colunas gregas artificiais para elevar o drama", diz ele.

Haverá bailes de posse, mas não se sabe quantos deles serão oficiais. O número desses bailes vem aumentando nas últimas décadas, sendo que Bill Clinton organizou 14 em 1997. George W. Bush promoveu uma redução para nove em 2005, mas a posse dele foi a mais cara da história, custando US$ 42,3 milhões em verbas privadas.

Procurando reduzir a influência do dinheiro no governo, Obama proibiu contribuições de lobistas e corporações para a sua posse, e está limitando às contribuições individuais a US$ 50 mil.

Mas dezenas de bailes e festas não oficiais foram planejados em toda a cidade. O clima e o tom desses eventos estará fora do controle da equipe de Obama, e neles provavelmente haverá menos contenção do que nos eventos oficiais, especialmente porque o Distrito de Colúmbia está permitindo que os bares permaneçam abertos até as cinco da manhã - um horário que ultrapassa bastante o horário normal de fechamento - durante quatro noites seguidas.

É quase certo que será a essas festas que serão aplicadas as palavras ostentação e balbúrdia. Uma delas, organizada pela Creative Coalition, e buscando patrocínio corporativo de até US$ 150 mil, exibirá Elvis Costello. Um outro, do Impact Film Fundo, no clube noturno Fur, e que busca um patrocínio de US$ 100 mil, está sendo dirigido por Kanye West. A MTV está também sediando um show que será transmitido com Dionne Warwick, e a Campanha dos Direitos Humanos está planejando fazer uma festa dirigida por Cyndy Lauper.

Obama está começando a dar os seus toque pessoais no dia da posse. O seu novo smoking é da Hart Schaffner Marx, uma firma de roupas masculinas de Chicago que usa trabalho sindicalizado, segundo Bruce Raynor, presidente da Unite Here, que representa os trabalhadores do setor de vestuários (a notícia foi divulgada pela primeira vez pela WWD). A partir da suas conversas, que incluíram algumas com Obama, Raynor diz esperar que a cerimônia tenha "um caráter alegre e otimista, não sendo nem opulenta nem excessiva".

John Shaffner, presidente da Academy of Television Arts and Sciences, que sediou os Emmys e ajudou a projetar a convenção republicana no início deste ano, diz que os elementos mais importantes em uma produção como esta são "simplicidade e utilidade". Ele afirma que o evento mais modesto dos republicanos neste ano ajudou-os a manter a convenção focada.

Quanto ao clima da festa, alguns assessores e membros da equipe de Obama desejam imitar a cerimônia do discurso da noite da vitória no Grant Park. O cenário foi envolto em tecidos azuis e pontilhado de bandeiras dos Estados Unidos. Não houve fogos de artifício. A música - "The Patriot", de John Williams - foi majestosa.

"Na cerimônia do Grant Park houve uma sensação muito respeitosa. Respeito a ele, ao país, e a todos", diz um democrata que está familiarizado com as deliberações do comitê de posse, e que não quis revelar o seu nome por não ter permissão para pronunciar-se sobre o assunto em público. "Não houve nenhuma daquelas emoções exacerbadas que costumamos presenciar ao fim de uma longa campanha política".
De fato, a tentativa de fechar as feridas de campanha fazem parte das comemorações de posse.

"A importância da posse é o fato de o novo presidente ser capaz de proporcionar uma sensação de unidade após uma campanha divisiva", diz Donald Ritchie, um historiador do Senado. "Assim as armadilhas do dia da posse são úteis para a psique nacional. Se as cortarmos de forma demasiadamente drástica, perderemos a oportunidade proporcionada pela posse". UOL

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