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10/12/2008

Parentes das vítimas do 11 de Setembro acrescentam um toque passional ao debate de Guantánamo

The New York Times
William Glaberson
Em Guantánamo (Cuba)
Após os detidos acusados de planejar os ataques do 11 de Setembro confessarem nesta semana, algo incomum foi ouvido aqui: um defesa pública vigorosa de Guantánamo.

"Guantánamo foi difamada", disse Alice Hoagland, cujo filho foi morto no ataque de 2001.

Hamilton Peterson, cujo pai foi morto naquele dia, disse que os procedimentos do muito criticado tribunal militar parecem bastante justos. "O dia todo foi dado aos réus, o que tinham direito."

A rotina aqui há muito inclui autoridades defendendo Guantánamo na linguagem burocrática dos procedimentos "isentos e abertos". Eles foram superados por grupos de direitos humanos e advogados de defesa, com suas acusações inflamadas sobre tortura e evidências secretas.

Nesta semana, o Pentágono levou pela primeira vez as famílias das vítimas como observadores. A meia dúzia de parentes que falou com os repórteres deu ao Pentágono o contraponto que lhe faltava.

Eles também forneceram uma amostra das correntes cruzadas emocionais que giram em torno do presidente eleito Barack Obama a respeito de Guantánamo. Ele disse que fechará o campo de detenção. Mas os críticos do campo temem que ele não o fará. Ele disse que o sistema de comissões militares fracassou. Mas os críticos temem que ele o manterá, particularmente com o caso de 11 de Setembro chegando a um estágio-chave.

Para cada lado na luta de sete anos em torno de Guantánamo, este é o momento definitivo em um debate que indiretamente representa outros debates em torno da definição americana de justiça e seu papel no mundo.

Nesta semana, isso envolveu as famílias no meio de um velho debate, recentemente turbinado. Algumas delas pediram para que Obama mantenha Guantánamo aberto. Outras disseram que deve ser permitido que o tribunal militar conclua seu trabalho.

A reação incomum irritou os críticos do governo Bush. Advogados de defesa e monitores de direitos humanos disseram que o Pentágono estava usando os parentes das vítimas e escolheu a dedo os convidados.

As autoridades insistiram que os parentes foram escolhidos aleatoriamente. Mas o advogado chefe de defesa, o coronel Peter R. Masciola, disse ter se perguntado "no que o governo está tentando fazer as pessoas acreditarem ao trazer as vítimas que deseja trazer".

Thomas A. Durkin, um advogado de defesa de Chicago que representa um dos acusados de tramar os ataques do 11 de Setembro, disse que a exibição dos parentes das vítimas foi um esforço para tornar politicamente arriscado para Obama fechar as comissões militares, fazendo com que pareça que o abandono das comissões também seja o abandono das vítimas.

"Esse julgamento de exibição não é nada mais do que um esforço para chantageá-lo politicamente", disse Durkin.

As autoridades do Pentágono têm um retrospecto de aliciamento de observadores pró-governo Bush. Em junho, o Pentágono retirou o convite feito a outra parente de uma vítima do 11 de Setembro, Debra Burlingame, após a imprensa descobrir que ela foi convidada sem quaisquer outros representantes das vítimas. Burlingame escreveu que os advogados dos detidos "subvertem a verdade e transformam a Constituição em uma arma letal".

A aparição dos parentes das vítimas nesta semana ocorre em um momento difícil para o Pentágono. Sua posição pública é de que está pronto para executar as ordens de Obama a respeito de Guantánamo assim que ele tomar posse como presidente. Mas alguns oficiais militares trabalham nos bastidores para convencer as autoridades de transição de que as comissões militares podem ser úteis no combate ao terrorismo.

O secretário de Defesa, Robert M. Gates, que permanecerá no novo governo, complicou o atual debate sobre Guantánamo ao dizer na semana passada que o fechamento do campo de detenção era uma prioridade, mas acrescentando: "Eu acho que alguma legislação provavelmente é necessária para isso".

O Pentágono há muito argumenta que para fechar Guantánamo e transferir alguns dos detidos para os Estados Unidos, o Congresso teria que aprovar uma legislação declarando que o governo tem autoridade para manter os detidos indefinidamente nos Estados Unidos, mesmo se não forem condenados por nenhuma acusação.

Grupos de liberdades civis e outros críticos do governo Bush estão em alerta para qualquer sinal de que o governo Obama considere pedir uma lei de detenção indefinida. Isso, na visão de alguns críticos, seria um primeiro recuo de Obama a respeito de Guantánamo. Um pedido de Obama por detenção indefinida, eles disseram, poderia representar um curto passo para a continuidade das comissões militares.

O debate público sempre foi uma versão concentrada do debate em Washington sobre a detenção. Nesta semana havia mais em jogo, porque todos pareciam pensar que poderia ser sua última chance.

Para as famílias das vítimas, foi sua primeira chance dessa última palavra. Jim Samuel, de Brick, Nova Jersey, veio ao tribunal daqui para ver os homens que dizem orgulhosamente que planejaram o ataque ao World Trade Center. "Meu filho estava no 92º andar", ele disse.

Algumas coisas nesta semana não foram refutadas. George El Khouri Andolfato

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