UOL Notícias Internacional
 

14/12/2008

Presidente cubano vai à Venezuela em sua primeira visita internacional oficial

The New York Times
Simon Romero
Em Caracas, Venezuela
O presidente de Cuba, Raúl Castro, chegou aqui no sábado (13) para sua primeira visita oficial desde que assumiu o poder, há dois anos, de seu irmão doente, Fidel. A decisão de visitar Caracas primeiro enfatiza a dependência contínua de Cuba em relação ao petróleo subsidiado e outras formas de auxílio da Venezuela.

Para o presidente Hugo Chávez da Venezuela, que prometeu fortalecer os laços com o novo líder de Cuba apesar de cultivar uma relação pessoal bem mais estreita com Fidel, que está com 82 anos e vive em reclusão em Cuba, a visita é uma oportunidade para lustrar suas credenciais revolucionárias.

Castro, 77, deveria encontrar-se com Chávez na tarde de sábado para discutir uma variedade de projetos de cooperação em áreas como a agricultura, educação e atletismo, que são apoiados por milhares de conselheiros cubanos atuando na Venezuela.

Cuba é de longe o maior beneficiário da ajuda internacional da Venezuela, recebendo, por exemplo, mais de US$ 150 milhões para construir um complexo petroquímico em Cienfuegos, no litoral sul cubano. Mas com os preços do petróleo caindo para o valor mais baixo dos últimos quatro anos nos últimos dias, o financiamento de alguns projetos de ajuda internacional está sendo questionado.

O governo de Cuba pode estar preocupado também com possíveis interrupções nas exportações subsidiadas de petróleo, que foram cortadas no começo da década durante uma greve na Venezuela.

Por conta da incerteza, Castro também está tentando estreitar os laços com outros parceiros comerciais, como a China e o Brasil.

De fato, antes da visita a Caracas ser anunciada este mês, o governo de Cuba disse que planejava ir ao Brasil para um encontro de países latino-americanos e caribenhos convocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois de passar por Caracas, Castro ainda deve viajar ao Brasil nos próximos dias, aumentando as perspectivas de relações mais fortes com o país e talvez até mesmo de uma alternativa para um diálogo sigiloso com o novo governo de Obama.

O governo de Lula, que foi sindicalista de esquerda antes de ser eleito presidente do Brasil, expressou o desejo de fortalecer as relações tanto com Havana, que o brasileiro visitou duas vezes no ano passado, quanto com Washington.

"Obama deve quebrar o gelo na abordagem dos EUA em relação a Cuba", disse Christopher Sabatini, diretor sênior de política na Americas Society, uma organização de Nova York especializada na América Latina. "Lula tem credibilidade internacional e ideológica para ser um interlocutor nesse processo".

Mas apesar de o Brasil aparecer como o segundo maior parceiro comercial de Havana na América Latina, sua influência na ilha ainda é minimizada pela da Venezuela, cujas exportações subsidiadas de petróleo para Cuba foram estimadas em US$ 3,01 bilhões até novembro deste ano, de acordo com um novo estudo do Centro para Política Hemisférica da Universidade de Miami. Eloise De Vylder

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