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17/12/2008

Para Caroline Kennedy acaba a privacidade e começa a política

The New York Times
Adam Nagourney e Nicholas Confessore
No dia em que Caroline Kennedy declarou que queria suceder Hillary Rodham Clinton como senadora federal por Nova York, uma das primeiras pessoas para a qual ela telefonou foi para o prefeito de Buffalo.

Ela lhe disse que queria visitar o oeste do Estado de Nova York. Ela lhe disse que queria saber mais sobre as questões regionais.

O prefeito, Byron W. Brown, disse que ela seria bem-vinda. Mas ele também tinha uma mensagem para ela, lhe oferecendo uma prévia de como sua vida estaria prestes a se transformar: "Eu acho que as pessoas do norte do Estado vão querer alguém de sua região na chapa", ele disse.

A decisão de Kennedy de colocar um fim a uma existência altamente privada e entrar na política - ainda mais a política de Nova York- representa o que até mesmo aqueles que a apóiam reconhecem ser uma aposta em uma reputação nacional, que ela cultivou cuidadosamente nos 45 anos desde que seu pai foi assassinado.

Ela terá que superar o ceticismo em relação à sua experiência e credenciais, e esvaziar o que alguns democratas vêem como um senso de direito por um membro de uma família política americana cheia de histórias, tentando iniciar sua carreira política próxima do topo da escada.

Essas preocupações estão dando lugar a um profundo alívio à medida que Kennedy dá início a um lançamento sutil porém cuidadosamente orquestrado da candidatura, com telefonemas para os líderes políticos no início desta semana, e uma viagem ao norte do Estado, incluindo um encontro privado com o prefeito de Syracuse, na quarta-feira.

"Obviamente, ela é uma celebridade", disse H. Carl McCall, um ex-superintendente fiscal do Estado e candidato democrata ao governo estadual em 2002. "Mas eu acho que a verdadeira questão aqui é, você deseja alguém que é uma celebridade, vem da família certa e passa a idéia de que esta é uma filha do privilégio? Ou escolhe alguém com um histórico político, sobre a qual você tem uma idéia de como atuará?"

"Ela nunca foi testada, e há muitas pessoas que já foram", ele acrescentou.

Para Kennedy, não é apenas a resistência inevitável (e contornável como sugere a história) dos moradores do norte do Estado a uma advogada de Manhattan que mora em Park Avenue, ou a cautela dos líderes políticos de Nova York que esperam uma certa quantidade de deferência.

Após deixada de lado pela ruidosa imprensa de tablóide de Nova York, que cedeu ao seu desejo de privacidade, Kennedy quase certamente será assediada por repórteres que podem não ser tão encantados, ou intimidados, pela presença de um Kennedy quanto os repórteres de uma geração anterior.

"A cultura de tablóide a seguirá implacavelmente por todo o Estado", disse Robert Hardt, o diretor político da "NY1", uma emissora de notícias 24 horas da cidade de Nova York e ex-jornalista político do "The New York Post". "Se ela não colocar todos os pingos nos 'i's nem cruzar todos os 't's, os tablóides de Nova York agirão como 'Te peguei!'"

O modo como seu falecido irmão, John F. Kennedy Jr. se tornou uma presença constante nos tablóides após elevar seu perfil como co-fundador da "George Magazine" é instrutivo, disseram os democratas. E a chegada de Caroline Kennedy ao cenário público está ocorrendo enquanto ainda há um clima ruim entre a família Kennedy e Andrew M. Cuomo, o procurador-geral do Estado de Nova York, que esteve envolvido em uma batalha amarga de divórcio com Kerry Kennedy, uma das primas de Caroline.

Os apoiadores de Kennedy reconhecem que ela está diante de uma tarefa difícil; se Paterson indicá-la, ela terá que concorrer à cadeira em 2010 e 2012. Ainda assim, eles dizem que Nova York, apesar de todos seus desafios - líderes políticos com mentalidade territorial, rivalidades intensamente ambiciosas, repórteres que gostam de jogar bombas e um campo minado de questões difíceis - pode provar ser um bom campo de treinamento.

"Nova York gosta de candidatos como Pat Moynihan, Robert Kennedy e Hillary Clinton, e eu colocaria Caroline nessa categoria", disse Robert Shrum, um consultor democrata com fortes laços com a família Kennedy. "Nós sempre presumimos que eles terão mais dificuldades do que têm."

"É um Estado que gosta de pessoas de estatura. É um Estado que elegeu Robert Kennedy, Andrew Cuomo, Hillary Clinton", ele disse.

E há um claro entusiasmo por ela entre algumas pessoas poderosas; o senador Harry Reid, de Nevada, disse na terça-feira que telefonou para Paterson na semana passada e pediu que escolhesse Kennedy. "Nós temos muitos astros de Nova York: Bobby Kennedy, Hillary Clinton", ele disse à "Las Vegas 1", uma emissora de notícias de Nevada. "Eu acho que Caroline Kennedy seria perfeita."

Os assessores de Kennedy sugeriram que estão analisando como Clinton realizou sua campanha ao Senado em 2000 e lidou com obstáculos semelhantes. E algumas pessoas que trabalharam com Clinton durante aquela disputa expressaram confiança de que Kennedy será capaz de afastar as dúvidas que os nova-iorquinos têm a seu respeito.

"Como Hillary fez, ela precisa superar a questão da experiência mostrando que pode obter resultados para os nova-iorquinos. Eu acho que ela é capaz disso", disse Mark Penn, que foi assessor de Clinton durante sua disputa pela cadeira no Senado (e em sua candidatura presidencial no ano passado).

Sim, também há diferenças. Diferente de Clinton em 2000 - e Robert, o tio de Caroline, em 1964 - Kennedy não pode ser acusada de ser uma forasteira oportunista, já que viveu grande parte de sua vida em Nova York.

Clinton, entretanto, teve dois anos para se orientar politicamente em Nova York, e era conhecida como uma estudiosa de políticas, ávida em absorver imensos detalhes e questões. A deputada Nita Lowey, a democrata de Westchester County que tentou uma candidatura ao Senado em 2000, mas recuou quando Clinton entrou em cena, disse que o tamanho e a diversidade política do Estado seriam intimidantes para qualquer um ingressando na política pela primeira vez.

"Não é uma posição fácil estrear na política em um cargo que representa todo o Estado", disse Lowey. "Você aprende constantemente e ela terá que aprender rapidamente. Ela terá que lidar com a atenção constante da mídia e com a análise minuciosa de cada palavra que disser."

E os líderes políticos de Nova York podem ser, para colocar levemente, um grupo que exige muita atenção, e não exatamente aceitaram a perspectiva de outro Kennedy no Senado por Nova York de braços abertos.

"Ela me ligou ontem à tarde", disse Randi Weingarten, presidente da Federação Unida dos Professores e alguém cujo nome foi especulado na semana passada como um nome azarão para a vaga no Senado. "Foi a primeira vez que conversei com Caroline Kennedy, apesar de todos os anos em que ela trabalhou no sistema escolar, em tudo relacionado à educação."

Clinton, como ex-primeira-dama, era bem-conhecida dos nova-iorquinos. Kennedy é um paradoxo: uma pessoa universalmente reconhecida que permanece altamente desconhecida pelo público, sem qualquer apetite óbvio por apertos de mão durante a campanha. E desde que disse a Paterson na segunda-feira que queria a cadeira, ela recusou todos os pedidos de entrevistas.

Dito isso, a capacidade política de Clinton em 2000 era um mistério para todos -incluindo seus próprios assessores - quanto a de Kennedy hoje.

"Nenhum de nós sabe - inclusive ela - como ela se sairá como candidata", disse Harold Ickes, que foi um alto assessor de Clinton em 2000, se referindo a Kennedy. "Os nova-iorquinos lhe darão alguma colher de chá caso ela seja indicada, apenas por causa de quem ela é. Mas no fundo ela terá que ser boa na campanha."

Os jornais do norte do Estado receberam Kennedy como uma frente fria descendo do Lago Ontario. Em Rochester, a página editorial do "Democrat & Chronicle" comparou Kennedy a Andrew Cuomo e disse que, no "barômetro do norte, entre os dois dá Cuomo fácil". Ele orientou Kennedy a montar imediatamente uma "turnê como ouvinte".

Mas em uma entrevista na terça-feira, o editor da página editorial do jornal, James Lawrence, disse que também é importante que ela demonstre domínio das questões da região.

"O que ela sabe sobre o norte do Estado?" ele perguntou. Jack Kittle, um diretor político do Conselho Distrital 9 do sindicato dos pintores, que conta com 10 mil membros, disse que falou com Kennedy na terça-feira e lhe deu um conselho: "Parta para o corpo a corpo com as pessoas. Esta é a parte mais difícil para mim. E é melhor ela se acostumar, porque no próximo ano ela terá que telefonar atrás de dólares".

Ainda assim, há sinais de que Kennedy está obtendo progresso. Ed Koch, o ex-prefeito de Nova York, que na semana passada parecia não impressionado com a idéia de outro Kennedy para o Senado, estava altamente efusivo a respeito -na terça-feira- após falar com ela.

"Eu acho que ela será uma senadora excelente", disse Koch. "Ela conquistou o direito e mais."

E Koch, cuja candidatura ao governo estadual em 1982 acabou com tropeços no norte, foi rápido em oferecer alguns conselhos. "A primeira coisa que deve sair de sua bela boca deve ser: 'Eu amo o norte de Nova York e mal posso esperar para chegar lá." George El Khouri Andolfato

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