UOL Notícias Internacional
 

24/12/2008

Republicanos não sabem como e quando desafiar Obama

The New York Times
Adam Nagourney
Em Washington
Não é fácil ser a oposição leal atualmente.

Quase dois meses após a eleição de Barack Obama, os republicanos estão lutando para descobrir como - ou mesmo se devem - desafiar ou criticar o presidente eleito enquanto se prepara para a posse.

Obama está provando ser um alvo esquivo e frustrante. Ele tem desafiado os esforços para rotulá-lo ideologicamente. Suas escolhas para o Gabinete obtiveram amplos elogios. Um esforço do Comitê Nacional Republicano de associar Obama ao escândalo envolvendo o governador de Illinois, Rod R. Blagojevich, e sua suposta tentativa de leiloar a cadeira de Obama no Senado, foi refutada por ninguém menos que o senador John McCain, o republicano que Obama derrotou na corrida presidencial.

As críticas mais duras a Obama durante este período - na verdade, a única crítica feita a ele durante este período - vieram não da direita, mas da esquerda, principalmente por sua escolha do reverendo Rick Warren, um pastor evangélico que é um dos principais oponentes do casamento de mesmo sexo, para ministrar a oração da posse.

Há muitas batalhas à frente que podem fornecer aos republicanos uma oportunidade de encontrar uma base de apoio. Eles sem dúvida encontrarão argumentos para usar contra Obama quando, por exemplo, ele começar a expor os detalhes de seu plano de estímulo econômico. Apesar de Obama se beneficiar de um tipo de lua-de-mel pós-eleitoral que Washington não vê há pelo menos 16 anos, as luas-de-mel tendem a acabar.

Ainda assim, esta demonstração de incerteza republicana é uma amostra da habilidade política do presidente eleito, e um lembrete de quão difícil é a situação em que o Partido Republicano está. Mais que isso, dizem membros de ambos os partidos, é a evidência da posição incomum em que o país se encontra: animado com a perspectiva da posse de um presidente que parece desfrutar de grande apoio popular, e ao mesmo tempo profundamente preocupado com seu futuro.

Será complicado argumentar contra Obama, disseram muitos republicanos, em um ambiente onde as pessoas querem que ele tenha sucesso e estão sem muito apetite para políticas partidárias.

"Eu acho que o país está saturado no momento do estilo de política de ataque republicano, a ponto dele se tornar uma caricatura", disse o ex-presidente da Câmara, Newt Gingrich, um republicano. "Ele é ineficaz contra Barack Obama no momento. O país está diante de problemas sérios e está prestes a ter um presidente realmente novo. Somente uma pessoa irracional não vai querer que o novo presidente seja bem-sucedido."

Saul Anuzis, presidente do Partido Republicano de Michigan, ofereceu uma mensagem semelhante em seu blog. "Onde necessário", escreveu Anuzis, "nós devemos defender o que é certo e ser à força a oposição leal. Mas política partidária em tempos como estes, apenas com fins políticos, não é saudável".

Os líderes republicanos no Congresso deixaram claro que buscarão, pelo menos inicialmente, trabalhar com Obama, refletindo o que disseram ser a gravidade do momento.

"Vocês viram muito poucas críticas contra o presidente-eleito ou suas escolhas para o Gabinete", disse Michael Steel, um porta-voz do deputado John A. Boehner, de Ohio, o líder da bancada republicana na Câmara, na terça-feira. "Nós queremos trabalhar com ele em prol do povo americano e esperamos que ele governe da forma aberta e bipartidária que prometeu."

A situação em que os líderes republicanos se encontram lembra a frustração exibida por McCain e pela senadora Hillary Rodham Clinton na campanha presidencial. Tanto como candidato quanto como presidente eleito, Obama provou ser hábil em evitar os rótulos ideológicos; isso ficou ainda mais claro ao formar seu Gabinete e ao deixar abertas as suas opções em questões como o fim das reduções de impostos para os ricos. A campanha presidencial lhe ensinou como evitar os erros políticos e resolvê-los rapidamente quando cometidos: quando, em sua primeira coletiva de imprensa como presidente eleito, ele fez um comentário infeliz sobre Nancy Reagan - uma piada sobre ela realizando sessões espíritas na Casa Branca - Obama telefonou para ela e pediu desculpas antes mesmo do noticiário noturno.

Além disso, a natureza histórica de sua presidência - ao ser o primeiro presidente afro-americano e todo o interesse que gerou aqui e no exterior- complica ainda mais as coisas para um partido de oposição à procura de uma linha de ataque.

O Comitê Nacional Republicano parece estar tendo dificuldade para encontrar o tom certo. Desde o Dia da Eleição, ele prosseguiu com seus ataques diários a Obama como vinha fazendo ao longo da campanha eleitoral, uma estratégia defendida pelo presidente nacional do partido, Mike Duncan, mas uma que claramente não conta com apoio universal.

O esforço do comitê de vincular Obama à investigação de corrupção em Illinois, por meio de declarações e uma propaganda de televisão produzida pelo comitê, atraiu críticas de McCain assim como de Gingrich. "É impressionantemente errado", disse Gingrich.

Duncan, que buscará a reeleição como presidente quando o partido se reunir aqui em janeiro, disse que é o papel de seu partido agir como uma "oposição leal: fazer perguntas, concordar onde for possível, mas questionar o tempo todo".

Ele reconheceu que isso não é fácil, apesar de ter sugerido que será mais fácil após a posse de Obama, quando ele será obrigado a lidar com os problemas e cumprir suas promessas de campanha.

"É cedo demais", ele disse. "Nós ainda estamos nesta fase de lua-de-mel, e nós o cobraremos. Nós vamos trabalhar com ele e tentar assegurar que ele cumpra suas promessas."

Entre as outras complicações para os republicanos está a dificuldade de partir para o ataque sem ter um programa positivo para oferecer como alternativa. Gingrich disse que nas próximas semanas esboçará posições que o partido poderá abraçar, para oferecer um contraste em relação aos democratas, como sugerir que o governo precisa do tipo de reforma administrativa que o Congresso está discutindo impor sobre a indústria automotiva.

Ainda assim, após as derrotas do partido em novembro, os republicanos estão tendo dificuldades para chegar ao tipo de consenso sobre qualquer coisa além de idéias gerais vagas. E não parece provável que isso mudará tão cedo, à medida que o partido tenta determinar como exatamente deve lidar com este novo presidente. George El Khouri Andolfato

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