UOL Notícias Internacional
 

25/12/2008

Paquistão pode não estar pronto para sua Miss

The New York Times
Susan Dominus
Em Nova York
Se você mora no East Village em Manhattan, pode ter visto a atual Miss Paquistão saindo de seu prédio próximo a Praça St. Marks.
Você pode tê-la visto de relance comemorando a vitória com alguns amigos no Hudson Hotel, ou entrando num dos clubes de jazz onde ela gosta de ouvir música ao vivo.

De vez em quando, você pode ver a Miss Paquistão, Natasha Paracha, 24, descendo de um táxi com sua tiara de diamantes falsos, voltando de uma apresentação. "Dê-me essa tiara!", gritou um rapaz com seu namorado numa dessas ocasiões há algumas semanas. "Eu quero a tiara!" Ela o iluminou com um sorriso de um megawatt, mas ficou com a tiara, que normalmente esconde numa caixa com estampa floral em seu guarda-roupa.

Por um lado, parece natural que a Miss Paquistão more no centro de Manhattan, um lugar onde a celebridade parece ser a forma de cidadania local. Por outro lado, não faz nenhum sentido. Pode-se falar muito sobre o internacionalismo glamouroso de, digamos, Xangai, e mesmo assim não há nenhuma chance de que a atual Miss América decida ir morar lá, limitando-se a um público de expatriados.

A cerimônia de Miss Paquistão, agora em seu sexto ano, é tão única quanto essas coisas podem ser. Para começar, nenhuma das 12 concorrentes desse ano mora no Paquistão, mas vêm dos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. (O título completo reflete o ar internacional:
Miss Paquistão Mundo). E as concorrentes não competem pela coroa em Lahore ou Islamabad, mas em Mississauga, Ontário. O Paquistão, aparentemente, não está pronto para um concurso de beleza, apesar de o motivo para isso depender de quem responde à pergunta.

"Ainda é um país novo, e os concursos de beleza são um novo conceito lá", diz Paracha, elegante num vestido Nanette Lepore, bebericando um expresso no Blue Water Grill. "A indústria do entretenimento ainda está se desenvolvendo".

Paracha, que trabalha nas Nações Unidas e mora nos Estados Unidos desde os dois anos de idade, admitiu que poderia haver uma reação negativa no Paquistão, um Estado muçulmano conservador, se uma de suas representantes tivesse de competir internacionalmente usando biquíni.

De fato, Amna Buttar, fundadora da Rede Asiática-Americana Contra Abusos aos Direitos Humanos, que mora em Lahore, afirmou que existe atualmente um escândalo fermentando no Paquistão por causa do vazamento de fotos da filha do governador de Punjab nadando de biquíni.

"No Paquistão, estamos tentando conseguir direitos básicos para as
mulheres: direito de se casarem, de se divorciarem, oportunidades iguais de trabalho e educação, e casos como o da Miss Paquistão criam problemas para esse movimento", disse Buttar numa mensagem de e-mail.
"Uma jovem comum do Paquistão não quer usar biquíni em público, para ela é importante ter oportunidades iguais e toda a atenção deveria se voltar para isso, e não para um concurso de beleza do qual apenas a elite pode participar".

A fundadora do concurso, uma empresária de Toronto chamada Sonia Ahmed, diz que tem feito planos para levar o concurso para o Paquistão já no ano que vem, antes da queda do presidente Pervez Musharraf, cujo governo era considerado relativamente aberto ao avanço das mulheres - o que no Paquistão, pelo menos, significava que as condições eram relativamente favoráveis para as aspirantes a rainhas da beleza.
Agora, ela mantém o concurso no Canadá porque não pode garantir a segurança das concorrentes.

"Pode ser apenas 1% da população total, mas o problema do fundamentalismo ainda é presente no Paquistão", diz Ahmed.

Desde que foi coroada em maio, Paracha, formada na Universidade da Califórnia, Berkeley, tem limitado suas aparições aos Estados Unidos, falando num encontro de paquistaneses em Nova York, aparecendo na celebração do Dia do Paquistão em Washington, levantando dinheiro para a Vision of Development, uma organização sem fins lucrativos que ela fundou quando estava no colégio para apoiar as mulheres da zona rural do Paquistão, e fazendo ocasionais aparições na mídia.

Esse mês, ela foi à CNN para pedir que seu país se posicionasse e condenasse os ataques terroristas em Mumbai, mas acidentalmente usou a palavra perdoar ("condone", em inglês), em vez de condenar. Felizmente, o que ela quis dizer ficou claro pelo contexto, e nenhum incidente internacional foi desencadeado. (Ato falho ou não, os comentários dela são um avanço em relação aos da Miss Paquistão anterior: que dizia que Musharraf era um "gato" com quem ela gostaria de namorar).

Assim Paracha é uma Miss diferente da maioria em alguns aspectos importantes, e muito parecida em outros: uma atraente embaixadora de seu país que está disposta a evitar controvérsias, promover o país e ser um bom exemplo para as jovens (ela também é uma competente dançarina de flamenco). Ela disse à CNN que gostaria de "mostrar que as mulheres paquistanesas são fortes e que podem certamente fazer muito para representar o país numa esfera global".

Isso pode soar falso, mas dado o que Ahmed tinha a dizer, Paracha, que viaja no sábado para Islamabad para ver sua família e talvez fazer aparições na mídia, pode estar fazendo um gesto político maior do que gostaria de admitir ao assumir a coroa de Miss.

Nas próximas competições mundiais, Paracha, muçulmana praticante, diz que sim, que está disposta a usar biquíni (o traje de banho não esteve presente no concurso de Miss Paquistão desse ano, apesar de já ter existido em duas edições desde 2002). "É apenas um pequeno aspecto do concurso", diz ela.

Como os concursos de Miss Mundo e Miss Universo requerem que suas concorrentes sejam coroadas no país que representam, Paracha não se qualifica para essas competições. Mas o Miss Rainha do Turismo Internacional que aguarde! Eloise De Vylder

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