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29/12/2008

Mais leitores estão optando por livros eletrônicos

The New York Times
Brad Stone e Motoko Rich
Será que os fãs de livros estão finalmente dispostos a trocar páginas por pixels?

Por uma década, os consumidores em grande parte ignoraram dispositivos de livro eletrônico, que freqüentemente eram difíceis de usar e ofereciam poucos títulos populares para leitura. Mas neste ano, em parte devido à popularidade do dispositivo Kindle sem fio da Amazon.com, o livro eletrônico finalmente começou a se estabelecer.

O Kindle de US$ 359, que é fino, branco e aproximadamente do tamanho de um romance de capa dura, foi lançado há um ano. Apesar da Amazon não revelar números de vendas, o Kindle ao menos provou estar à altura de seu nome ("atiçar") ao criar um maior interesse pelos livros eletrônicos. Agora, ele está fora de estoque e indisponível até fevereiro. Os analistas dão crédito a Oprah Winfrey, que elogiou o Kindle em seu programa em outubro, e criticam a Amazon pelo mau planejamento para as festas.

A falta do produto forneceu uma abertura para a Sony, que deu início a uma intensa campanha publicitária para seu aparelho Reader durante a temporada de compras de fim de ano. A maior concorrência pode representar um amadurecimento para a idéia de ler longos textos em um dispositivo digital portátil.

"A percepção é de que os livros eletrônicos estão disponíveis há 10 anos e não chegaram a lugar nenhum", disse Steve Haber, presidente da divisão de leitura digital da Sony. "Mas está acontecendo agora. Isto está realmente começando a decolar."

Os esforços da Sony foram ofuscados pelos da Amazon. Mas neste mês ela deu início a uma blitz promocional em aeroportos, estações de trem e livrarias, com a meta ambiciosa de demonstrar pessoalmente o Reader para 2 milhões de pessoas até o final do ano.

O mais recente modelo da empresa, o Reader 700, é um aparelho de US$ 400 com luz para leitura e tela de toque que permite aos usuários fazer anotações no que estão lendo. Haber disse que as vendas da Sony triplicaram neste fim de ano em relação às festas do ano passado, em parte porque o dispositivo agora está disponível nas redes Target, Borders e Sam's Club. Ele disse que a Sony vendeu mais de 300 mil aparelhos desde o lançamento do Reader original, em 2006.

É difícil quantificar o sucesso do Kindle, já que a Amazon não revela quantos vendeu e as estimativas dos analistas variam muito. Peter Hildick-Smith, presidente do Codex Group, uma empresa de pesquisa de mercado para livros, disse acreditar que a Amazon vendeu aproximadamente 260 mil unidades até o início de outubro, antes do endosso de Winfrey. Outros disseram que o número pode chegar a um milhão.

Muitos compradores do Kindle parecem não fazer parte do público habitual interessado por aparelhos eletrônicos. Quase tantas mulheres quanto homens estão comprando o aparelho, disse Hildick-Smith, e o dispositivo é o mais popular na faixa etária de 55 a 64 anos.

Até o momento, editoras como HarperCollins, Random House e Simon & Schuster dizem que as vendas de livros eletrônicos para qualquer dispositivo -incluindo downloads simples para laptops- constituem menos de 1% do total de livros vendidos. Mas há sinais de impulso. As editoras disseram que as vendas de livros eletrônicos triplicaram ou quadruplicaram no ano passado.

A versão para o Kindle na Amazon de "The Story of Edgar Sawtelle", de David Wroblewski, um best seller recomendado pelo clube do livro de Winfrey, atualmente representa 20% do total de vendas do livro na Amazon, segundo Brian Murray, presidente-executivo da HarperCollins Publishers Worldwide.

A versão Kindle do livro, que pode ser baixada pelo próprio dispositivo por meio de seu sistema de modem sem fio, custa US$ 10 na loja Amazon Kindle. A versão para Reader custa US$ 12 na biblioteca de livros eletrônicos da Sony, cujo acesso é por computador conectado à Internet.

Até mesmo autores que antes desconfiavam de vender seu trabalho digitalmente estão mudando de idéia. Após certa hesitação inicial, autores como Danielle Steel e John Grisham em breve deverão adicionar seus títulos ao catálogo de livros eletrônicos, disseram seus agentes.

"Os livros eletrônicos se tornarão o formato de interesse inicial para um grupo cada vez maior de leitores que estão descobrindo o quanto apreciam ler livros em uma tela", disse Markus Dohle, presidente-executivo da Random House, a maior editora do mundo de livros de consumo.

Ninguém sabe quanto os hábitos do consumidor mudarão. Alguns dos bibliófilos mais dedicados mantêm uma devoção quase fetichista ao livro físico. Mas a tecnologia pode ter mais apelo a tipos específicos de pessoas, como aquelas que são leitores mais vorazes.

Na Harlequin Enterprises, a editora de Toronto de romances de sexo e violência, Malle Vallik, a diretora de conteúdo digital e interatividade, disse que espera que as vendas das versões digitais dos livros da empresa algum dia igualem ou superem as vendas dos livros impressos.

A Harlequin, que publica 120 livros por mês, disponibiliza todos seus novos títulos digitalmente, e até mesmo começou a publicar contos apenas no formato digital, que são vendidos a US$ 2,99 cada, incluindo uma coleção erótica chamada "Spice Briefs".

Talvez o impulso mais subestimado aos livros eletrônicos neste ano -e um desafio a parte do pensamento padrão a respeito deles- tenha vindo do aparelho faz tudo da Apple, o iPhone.

Vários programas de leitura de livros eletrônicos foram criados para o aparelho, e pelo menos dois deles, o Stanza da LexCycle e o eReader da Fictionwise, foram baixados mais de 600 mil vezes. Outra empresa, a Scroll Motion, anunciou nesta semana que começará a vender livros eletrônicos de grandes editoras, como Simon & Schuster, Random House e Penguin, para o iPhone.

Todas essas empresas dizem que estão ajustando seu software para outros tipos de telefones inteligentes, como os BlackBerrys.

As editoras dizem que estes aplicativos para iPhone já estão começando a gerar quase tantas vendas de livros digitais quanto o Reader da Sony, apesar de ainda estarem atrás das vendas dos livros no formato Kindle.

Enquanto isso, continua a busca para desenvolver o leitor de livro eletrônico perfeito. A Amazon e a Sony deverão apresentar novas versões de seus leitores em 2009. Os interessados esperam que o novo Kindle terá um design mais elegante e um melhor microprocessador, permitindo um virar de páginas mais ágil.

Haber, da Sony, disse que futuras versões do Reader terão capacidade móvel, uma característica que ajudou a tornar o Kindle tão atraente. Isso significa que o dispositivo não precisará ser conectado a um computador para baixar livros, jornais e revistas.

Outros concorrentes estão a caminho. Os investidores despejaram mais de US$ 200 milhões na Plastic Logic, uma empresa de Mountain View, Califórnia. A empresa disse que começará a testar no próximo ano um dispositivo de leitura flexível de 21,5 X 28 cm, que é mais fino e mais leve do que os aparelhos existentes. A Plastic Logic planeja começar a vendê-lo em 2010.

De forma semelhante, a Polymer Vision, com sede na Holanda, demonstrou um dispositivo do tamanho do BlackBerry que possui uma tela enrolável de 5 polegadas que pode ser aberta para leitura. Há também leitores menos ambiciosos e mais baratos no mercado ou que serão lançados em breve, como o eStick Reader da Foxit Software, que será lançado no próximo mês ao preço inicial de US$ 230.

A E Ink, a empresa de Cambridge, Massachusetts, que desenvolveu a tecnologia de tela para muitas dessas empresas, disse que está testando telas coloridas e espera lançá-las até 2010.

Muitos fãs de livros estão bastante satisfeitos com os aparelhos atuais. MaryAnn van Hengel, 51 anos, uma designer gráfica de Croton-on-Hudson, Nova York, antes ridicularizava os leitores eletrônicos em sua reunião do clube do livro. Mas ela abraçou o Kindle que seu marido lhe deu recentemente, logo após Oprah Winfrey tê-lo endossado.

Van Hengel agora possui vários livros no aparelho, incluindo um romance de Nora Roberts e "Team of Rivals" de Doris Kearns Goodwin. Ela disse que o Kindle a estimulou a comprar mais livros do que normalmente compraria impressos.

"Eu posso me sentir encabulada em levar o Kindle ao clube do livro, porque muitas das mulheres são veementemente contrárias à tecnologia, e eu disse que também era", disse Van Hengel. "Mas aqui estou eu apaixonada por ele."

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