UOL Notícias Internacional
 

30/12/2008

Grampos telefônicos podem contribuir para impeachment de Blagojevich

The New York Times
Monica Davey e Malcolm Gay
Em Chicago (EUA)
Os promotores federais que gravaram as conversas telefônicas de Rod R. Blagojevich, o governador do Estado de Illinois, durante uma investigação criminal, estão pedindo autorização a um juiz para a entrega de quatro gravações a parlamentares estaduais que estão conduzindo uma comissão de inquérito que pode resultar em um processo de impeachment contra o governador.

As gravações, partes das quais foram descritas pelos promotores em um processo tornado público em 9 de dezembro último, quando Blagojevich foi preso devido a acusações de corrupção federal, emergiram como um dos focos dos problemas à sua volta. O comitê da câmara estadual de Illinois que conduz uma investigação que pode levar a um impeachment deseja ouvir as gravações. Os advogados de Blagojevich também querem ter acesso ao material. As partes que já foram descritas publicamente estão repletas de linguagem chula e demandas grosseiras.

Em uma petição legal feita na segunda-feira (29/12), Patrick J. Fitzgerald, o juiz federal que está encarregado do processo criminal, procurou disponibilizar quatro das chamadas telefônicas gravadas.

As conversas gravadas correspondem a um período de mais de um mês, e os parlamentares pediram para ouvir todo o material. Segundo a determinação judicial, as quatro ligações estão vinculadas a supostas tentativas feitas pelo governador de obter dinheiro junto a certos doadores antes que uma nova lei de ética entrasse em vigor, em janeiro, e de arrecadar parte do montante junto àqueles que esperavam que Blagojevich aprovasse uma legislação por eles apoiada. Tal legislação canaliza uma parte das receitas obtidas com cassinos para o setor de corridas de cavalos.

As investigações simultâneas, criminal e política (esta última visando a um impeachment), das ações de Blagojevich, um democrata que cumpre o segundo mandato, parecem ter colidido repetidamente. Mas, segundo o escritório de um promotor, a divulgação dessas quatro gravações não interferiria com a investigação criminal em andamento. Mas, de acordo com os promotores, as quatro ligações deveriam ser editadas no sentido de emitir elementos "não pertinentes" ao episódio relacionado à arrecadação de verbas. Um juiz deverá avaliar o pedido nesta semana.

Em Springfield, onde o comitê de impeachment da câmara estadual se reúne, os parlamentares parecem estar satisfeitos com a possibilidade de que possam ouvir pelo menos partes de algumas gravações.

O comitê esperava produzir rapidamente um relatório sobre Blagojevich - que disse que não tem nenhuma intenção de renunciar - à câmara, que a seguir votaria a proposta de envio do processo de impeachment ao senado para um julgamento.

Na segunda-feira, Edward Genson, advogado de Blagojevich, falou perante o comitê de impeachment sobre o processo criminal movido contra Blagojevich e afirmou que nenhuma alegação baseada neste processo pode ser usada como motivo para um impeachment do governador.

"Isso são apenas sombras", disse Genson, referindo-se às alegações. "Ninguém nos disse quem está conversando além de Rod Blagojevich. Até onde sabemos não existe nada naquele material que possamos refutar ou confirmar sem que saibamos os nomes das pessoas. E, caso pudéssemos conhecer os nomes das pessoas envolvidas, nos disseram que não poderíamos intimá-las a depor para descobrir o que de fato querem dizer as palavras gravadas".

Genson disse que o comitê só deveria recomendar procedimentos para um impeachment caso encontrasse provas "claras e convincentes" de que o governador envolveu-se em atividade criminal ou em ações não criminosas que tiveram a "magnitude e a gravidade" de um crime.

As observações dele não pareceram convencer os membros do comitê, que ainda estão avaliando se convocarão testemunhas antes de emitirem uma recomendação final ou se entrarão com um pedido de impeachment, uma ação rara neste estado e que só está definida de forma genérica nos estatutos pertinentes.

"Isso são muito mais do que sombras", disse o deputado democrata Lou Gang. "Temos depoimentos. Temos testemunhas. A questão não se limita a determinar se o governador violou a lei, e sim a saber se ele extrapolou os seus poderes constitucionais". UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,40
    3,279
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,95
    63.257,36
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host