UOL Notícias Internacional
 

31/12/2008

A evolução da segurança nos aeroportos leva o foco para o comportamento

The New York Times
Por Joe Sharkey
Um homem vestindo um uniforme de segurança privada com um grande crachá pregado em seu paletó marrom forneceu uma lição oportuna sobre segurança recentemente no aeroporto de Newark, Nova Jersey.

"Não cabe, você não pode levar a bordo", disse duramente o sujeito a uma jovem ajoelhada no chão na entrada da fila de segurança, tentando arrumar sua bagagem de mão. Ela parecia ter 17 anos de idade, cerca de 1m50 e 50kg, mas o segurança parecia um guarda de prisão olhando de cima para a jovem e sua mala desarrumada.

Ela estava chorando. Seus pertences estavam espalhados enquanto ela tentava encontrar uma forma de fazer a mala caber na moldura de metal que algumas vezes as empresas aéreas usam para demonstrar o tamanho do volume que pode ser levado a bordo. Um vestido infantil branco de festa caiu no chão sujo.

"Só o que ela precisa é de uma sacola plástica para colocar o excedente", disse alguém.

Eu vi uma lixeira com um saco de lixo limpo e dei-o a ela para que colocasse seu excesso. Assim, a mala coube na moldura e o segurança, consciente dos olhares hostis vindos dos outros na fila, os quais ele não teria tido a coragem de atormentar arbitrariamente, deu um passo atrás e acenou para que a garota prosseguisse.

Estou salientando dois pontos. O primeiro é que a mala da menina tinha um tamanho razoável, na opinião geral dos que esperavam na fila. Ninguém exigira aos outros na fila, na maior parte homens, que medissem suas malas de mão com tamanha comoção. O segundo ponto foi que, ao chegarmos ao balcão, fomos recebidos por um cortês agente da Segurança do Transporte, que cuidadosamente avaliou as credenciais de cada um, olhando nos olhos. O contraste entre o guarda privado e o funcionário federal desempenhando seu serviço foi óbvio.

Agora, qualquer um que tenha lido esta coluna nos últimos dez anos sabe que eu não hesitei em criticar a segurança nos aeroportos ou a agência de segurança. Em 2004, foi aqui que você leu sobre os chocantes eventos em que passageiras foram arbitrariamente revistadas com toque pela segurança. Vimos políticas ridículas, rudeza, roubo e o crescimento rápido de uma burocracia extraordinariamente cara (o atual orçamento é de aproximadamente US$ 6,8 bilhões, ou R$ 14 bilhões).

Ainda assim, todo mundo que eu conheço e que viaja freqüentemente diz que a experiência nos postos de segurança dos aeroportos melhorou muito nos últimos anos. Eu conduzi basicamente uma entrevista de saída com Kip Hawley, administrador da agência desde julho de 2005 que está deixando o cargo em poucas semanas.

Hawley, como seus predecessores, é regularmente criticado por blogueiros que ridicularizam os procedimentos da agência como mero "teatro". Contudo, ele vem deliberadamente redefinindo e treinando a agência para abordar a segurança de uma forma mais holística.

O Congresso e a mídia, em geral, gritam quando algum repórter consegue passar pela segurança com um estilete escondido. Entretanto, nenhum especialista em segurança hoje acredita -com as portas blindadas dos cockpits e passageiros vigilantes- que um avião será seqüestrado novamente por alguma alma desiludida armada com um estilete.

Estiletes e muitas outras coisas ainda são proibidos, é claro. Mas, em geral, a filosofia da segurança nos aeroportos está mais voltada para a compreensão de como possíveis terroristas se comportariam e para maior consciência da situação, e os agentes estão sendo treinados desta forma.

"No meio do tumulto e com a variedade infinita de viagens, você pode terminar com resultados sem sentido, no qual o agente de segurança diz: 'Bem, estou apenas seguindo as regras'", disse Hawley. "Mas se você tem um inimigo que vai estudar sua tecnologia e seus procedimentos, e você tem algo que eles podem descobrir uma forma de evitar -que estão sempre descobrindo- então você criou uma vulnerabilidade."

"A agência está trabalhando no que chama de 'evolução da vistoria', que depende de maior tecnologia, melhor inteligência e treinamento mais intensivo dos agentes para "que pensem e olhem para os passageiros". Parte dessa evolução é manter a calma e um ambiente arrumado -já que as perturbações fornecem uma oportunidade para um possível terrorista, disse ele.

(O segurança privado forçando aquela jovem moça a esvaziar seus pertences no chão do aeroporto de Newark é um bom exemplo de uma perturbação desnecessária.)

Hawley disse que sua principal preocupação é o uso de aparelhos explosivos múltiplos improvisados simultaneamente, assim como a constante busca por pontos vulneráveis do sistema.

"Não são forças obscuras e sombrias", disse ele. "São indivíduos com nome, com células, capacidade, campos de treinamento e planos ativos. Estamos em um mundo múltiplo, e nossa própria rigidez pode ela mesma ser uma vulnerabilidade..." Deborah Weinberg

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