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31/12/2008

Gazprom mantém a sua ameaça de cortar fornecimento de gás à Ucrânia

The New York Times
Andrew E. Krames
Em Moscou (Rússia)
A Gazprom, a empresa que detém o monopólio sobre a indústria de gás natural na Rússia, recusou-se na terça-feira (30/12) a suspender a ameaça de cortar o fornecimento de combustível à Ucrânia, apesar da oferta do governo ucraniano de pagar pelo menos parte do dinheiro que deve aos russos.

Conforme ocorreu em outras ocasiões, o desentendimento entre a Gazprom e a Ucrânia deixou outros países europeus inquietos. Cerca de 80% das exportações de gás russo para a Europa passam pela Ucrânia e esse fornecimento foi prejudicado diversas vezes pelos problemas da política e da economia pós-soviéticas.

A Gazprom cumpriu por um breve período uma ameaça desse tipo em 2006. Na ocasião, a queda de pressão no gasoduto que atravessa o continente alastrou-se para o oeste, atingindo a Europa, resultando na interrupção do abastecimento não só para a Ucrânia, mas também para países tão distantes quanto à Itália, um fato que embaraçou o Kremlin.

Desta vez, a Gazprom sustenta que a Ucrânia lhe deve US$ 2,1 bilhões pelo gás natural enviado ao país em novembro e dezembro, bem como por taxas atrasadas. A companhia ameaçou suspender o fornecimento na próxima quinta-feira caso o pagamento não seja feito de maneira adequada.

A Naftogaz, a companhia nacional de energia ucraniana, anunciou na terça-feira que pagou US$ 1,5 bilhão à RusUkrEnergo, a companhia de comercialização de gás com sede na Suíça que é utilizada pela Gazprom para fornecer o produto à Ucrânia. Os ucranianos dizem que pagaram a dívida, mas não as multas.

Sergei V. Kupriyanov, um porta-voz da Gazprom, diz que o dinheiro ainda não foi recebido e que não se sabe se a quantia que os ucranianos dizem ter pago seria suficiente. As duas partes não concordaram também com um preço relativo aos fornecimentos de 2009.

"Primeiro temos que ver o pagamento. Depois poderemos falar sobre o que virá a seguir", afirma Kupriyanov.

A Gazprom, que foi duramente atingida pela queda dos preços no setor de energia, está tentando arrecadar mais dinheiro dos ex-clientes da União Soviética. Esta disputa tem também tonalidades políticas. Na Ucrânia, uma nação estrategicamente importante de 46 milhões de habitantes que fica entre países da União Européia e a Rússia, as negociações sobre o preço do gás são uma questão divisiva para um governo que já não se entende internamente.

Os políticos ucranianos dizem que a Rússia, que reivindicou abertamente um papel político para si própria no antigo espaço soviético, aproveitou os problemas políticos da Ucrânia para semear uma discórdia ainda maior entre os partidos dominantes ao submetê-los a uma difícil negociação a respeito dos preços dos combustíveis.

As negociações coincidiram com o distanciamento cada vez maior entre os dois líderes mais proeminentes dos protestos de rua de 2004, conhecidos como a Revolução Laranja, a primeira-ministra Yulia V. Tymoshenko e o presidente Victor A. Yushchenko.

Aliados no passado, os dois provavelmente se enfrentarão em eleições presidenciais no ano que vem ou em 2010.

Tymoshenko procura encontrar uma solução para a disputa em torno do preço do gás e posicionar-se como a candidata mais capaz de negociar com a Rússia. Ao assumir uma linha dura nas conversações com o governo de Yushchenko, que inclina-se para o Ocidente, a Gazprom poderá reduzir as já minguadas chances de sucesso do presidente em futuras eleições.

"Eles estão capitalizando as nossas disputas internas", disse em uma entrevista por telefone Volodymyr I. Polokhalo, membro do parlamento no partido de Tymoshenko. "A Gazprom está levando em conta a situação na Ucrânia, e é claro que isso enfraquece a posição do governo".

Enquanto isso as autoridades ucranianas afirmam que neste ano estão mais preparadas para um possível corte de fornecimento do que estavam em 2006, porque a Naftogaz acumulou uma reserva de 17 bilhões de metros cúbicos de gás natural, o que é suficiente para atender às necessidades do país até abril, mês que marca o final da estação em que se utilizam aquecedores no país. UOL

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