UOL Notícias Internacional
 

31/12/2008

Iraque celebrará o Ano Novo em silêncio, dizem as autoridades

The New York Times
Sam Dagher
Em Bagdá (Iraque)
O governo ordenou que hotéis e clubes privados em Bagdá cancelem suas festas de Ano Novo, decepcionando muitos iraquianos que esperavam poder celebrar o réveillon, agora que as ruas estão mais seguras do que nos últimos anos.

As festas foram canceladas porque o Ano Novo coincide com o Muharram, um período de lamento religioso para os xiitas. O governo, que é dominado por partidos religiosos xiitas, emitiu a ordem no domingo.

Vários hotéis e clubes privados na capital, que vêm realizando festas ruidosas recentemente, dada a melhoria da segurança, disseram que nenhuma será realizada na quarta-feira, em cumprimento às ordens do governo.

"As ordens do Ministério do Interior foram aceitas por clubes, salões de festa e clubes familiares", disse o general Ali al-Yasseri, um comandante de polícia em Bagdá. "Estes locais estarão fechados, em cumprimento à lei iraquiana."

Ele acrescentou: "Não temos objeção àqueles que quiserem realizar um jantar festivo sem estardalhaço, barulho, dança e música".

Dois funcionários do Ministério do Interior, que falaram sob a condição de anonimato por temerem por sua segurança, disseram que vários policiais que nutrem simpatia pelo clérigo xiita Muqtada al-Sadr também estão informando "educadamente" as lojas de bebidas alcoólicas de Bagdá, que reabriram recentemente, que devem permanecer fechadas durante o feriado.

Muitos iraquianos, incluindo os xiitas, disseram que a proibição é injusta, porque este pode vir a ser um ano importante para o Iraque, com o início da retirada dos soldados americanos das áreas urbanas. No ano passado, ocorreram várias grandes festas e queimas de fogos na virada no ano.

Mahdi al-Khayat, um cantor de Bagdá de uma família da cidade sagrada xiita de Najaf, disse que apesar da observação do Muharram ser importante, as regras deveriam ser relaxadas neste ano para permitir aos iraquianos festejarem a melhora da segurança. "O país esteve em um estado miserável nos últimos três a quatro anos", ele disse. "Ele precisa de um empurrão com festas e otimismo."

O Ano Novo islâmico, que segue um calendário lunar e muda a cada ano, teve início na segunda-feira. O primeiro mês do ano é chamado de Muharram. Ele é um evento de grande alegria para os sunitas, mas não para os xiitas, que dão início a uma contagem regressiva de 10 dias para o Ashura, que marca o martírio do neto do Profeta Maomé, o imã Hussein, em 680 d.C. pelas mãos dos sunitas na batalha de Karbala, ao sul de Bagdá.

Os xiitas no Iraque marcam esta ocasião armando tendas pretas fúnebres simbólicas em seus bairros. A morte do imã Hussein é lamentada com orações, rituais de bater a mão no peito e autoflagelo com correntes.

Os ataques mais sangrentos contra os xiitas no Iraque nos últimos anos ocorreram durante o Muharram, levando o governo a mobilizar recursos consideráveis a cada ano para proteger os fiéis.

"Todo mundo é livre, mas eu não participarei de festas e nem de canto", disse Dhia Namnam, um popular DJ de Bagdá e promotor de festas, que é xiita. "Se você quiser festejar, que o faça em casa. A maioria dos muçulmanos aqui é xiita."

Os gerentes de populares espaços de festa como os hotéis Sheraton e Babylon, na rua Abu Nuwas, no centro de Bagdá, e o Hunting Club, no distrito rico de Mansour, disseram que todos os planos para festividades de Ano Novo foram engavetados.

Khayat, o cantor, disse que foi contratado para cantar em uma festa de Ano Novo em Beirute, Líbano, mas que não irá porque não conseguiu obter um visto a tempo.

Na verdade, a maioria dos iraquianos abastados, incluindo muitos xiitas, já fizeram planos de celebrar o Ano Novo em Amã, Jordânia; em Damasco, Síria; ou na região do Curdistão no Iraque. Ali Mohammed, um curdo xiita que vive em Bagdá, irá para Sulaimaniya, no Curdistão, para uma festa.

Na capital do Curdistão, Erbil, o luxuoso Erbil International Hotel planeja duas festas de Ano Novo com bares abertos, bandas e dança até o amanhecer, segundo o gerente, Nabaz Ghafour.

Mohamed Hussein, Tareq Maher e Muhammed al-Obaidi contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host